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Índio novamente tutelado

Douglas Bucalém*

Segundo o entendimento de Jair  Bolsonaro,  a “emancipação” do índio brasileiro vai ajudar os mesmos a se tornarem verdadeiros donos de suas terras. A polêmica já é antiga e o atual presidente usa de uma retórica advinda do regime militar instalado em 1964. Esse modelo remonta  a 1978, com a proposta do Ministro Rangel Reis da era General Geisel de emancipação do índio brasileiro. Na prática esse modelo deixa os índios a mercê dos grandes latifundiários e mineradores, como quer intensificar mais ainda esse modelo, o atual Presidente. Destaque para o interesse de Bolsonaro em favorecer a exploração de minérios, sempre tocando na mesma tecla em entrevistas sobre o assunto. O que ele quer é ganhar a opinião pública no tocante a tirar a FUNAI da “jogada”, órgão que assim perderia totalmente a pouca e insuficiente proteção dada ao índio brasileiro, vide o escândalo dos aviões sucateados da FUNAI, transformados em peças publicitária por Damaris Alves.  

Sem medo de afirmar, há uma campanha forte do atual governo no sentido de desmantelar a FUNAI, movida por um lobby poderoso de latifundiários e empresas mineradoras, segmento a que esse governo é serviçal.

O resultado imediato dessa política é a crescente violência no campo em larga escala. Hoje, latifundiários e garimpeiros se sentem protegidos e incentivados por um governo que tenta a todo o custo liberar o uso de armas no campo para proteger a propriedade privada, que muitas vezes se estende ao conflito de invasão de terras indígenas. A primeira notícia é sempre a invasão de terras particulares por índios, restando aos “inocentes” e “produtivos”  fazendeiros defenderem suas terras. O conflito de terras com os índios passa  a ser resolvido na bala, em um ambiente extremamente desfavorável às reservas indígenas, já que seus moradores são os “sem mídia”, dado o isolamento necessário das tribos. Por isso as notícias chegam muito tardiamente,  dificultando a investigação de forma proposital. 

Foi o que aconteceu recentemente com o índio Emyra Waiãpi, assassinado aos 62 anos, um dos líderes do povo Waiãpi, cujos indígenas denunciaram no sábado (27/07) motivada pela invasão por garimpeiros invasores das terras Mariry no Amapá. O crime teria ocorrido dia 23/07. Aikyry Waiãpi, filho de Emyra, diz que ele morreu em confronto com os invasores, fato que ainda está sendo investigada pela FUNAI e Ministério Público. Como solução,  Bolsonaro  propõe “regulamentar o garimpo, legalizar o garimpo, inclusive para índio ter o direito de explorar o garimpo na tua propriedade”.

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Todos sabemos que na prática isso entrega as terras as grandes e poderosas corporações de empresas mineradoras que não terão nenhum escrúpulo em engambelar e comprar lideranças indígenas. Os índios não fazem mineração. Não está em seu hall essa atividade ao morar na mata. Serão meros assistentes da degradação, sujando rios e desmatando matas ciliares. Quem conhece bem a temática indigenista, sabe que o rio é “sagrado” para as aldeias. Dele os índios extraem todo o sustento para suas vidas: pesca, locomoção e água para viver. Por isso tem que ser preservado a todo o custo para que a aldeia sobreviva. 

Estive semana passada na região com uma equipe de jornalistas e pude constatar o agressivo desmatamento na região e a população indígena a margem da sociedade em constante conflito com o chamado “branco” da região. Os índios são discriminados pela população amapaense que teima em negar as suas próprias origens mestiças. Sem emprego formal, os índios ficam vagando pela capital, Macapá como pessoas completamente à margem da sociedade local, fato que agrava a compreensão da problemática por puro preconceito das camadas menos favorecidas. Quem foge das aldeias, em geral, passa a ser favelado na cidade, agravando o quadro de violência e fome.

Um morador índio que mora e trabalha em Goiânia que voltou conosco de carona, em depoimento dado a mim, advindo das tribos do Amapá, que não quer se identificar com medo da violência generalizada que campeia na região, disse que “as invasões são frequentes por garimpeiros” havidos por minérios contidos em territórios indígenas.

Jair Bolsonaro deveria estudar os modelos de cooperativismo extrativistas existentes no Brasil e no mundo que não ferem a natureza e preservam a cultura indígena em seu território. Lucrativos e sustentáveis esses modelos levam em conta a preservação de cada nação indígena em seu território, potencializando o seu modo de vida e sustento.

*Correspondente do Jornal da Manhã e da Rádio Líder.

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