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Jair Bolsonaro, sempre golpista, tentará novo golpe militar

Prezado Prof. Fernando Horta

Dediquei-me a assistir o vídeo da TV 247 com sua entrevista dada ao Jornalista Leonardo Attuch neste domingo, 23/01/22.

Agradeço com entusiasmo pelo fato de ver em suas preocupações o compromisso com o nosso país e com nosso povo. Por tratar-se de um membro estudioso da academia, como pessoa de ciência e da construção do saber,  é entusiasmante ouvir com o senhor vozes que demarcam espaço na análise da crise que move as peças e atores em nosso país.

É verdade que há um elenco enorme de professores e de professoras que se acomoda na relação com a máquina mantenedora do ensino recluso e falsamente neutro, com pessoas completamente estafadas na correria pela sobrevivência e com uma academia apática e alienada. A estas pessoas basta a contemplação de um lado e de outro das forças que se movem neste pântano que esconde destroços de um modelo econômico e político falido e perverso. No seu caso, professor,  vi preocupação e indícios bons de críticas ao que se apresenta nos dois lados da contradição entre o que se afirma como esquerda e o que se apresenta como terror golpista devastador, com todos os riscos que a vida traz e que pode novamente nos surpreender logo à frente.

Deveríamos dar atenção às suas observações e buscar mais profundidade quanto ao fenômeno representado pelo ex-presidente Lula e sua fala à mídia independente.

Dois pontos de suas observações são dignos de destaque. Um é com respeito à impressão de que o grupo de apoio ao ex-presidente Lula já conta com todas as respostas prontas e de que não há necessidade de mobilização ampla e organizada da classe trabalhadora, dando a ideia de que há uma espécie de articulação por cima, como, aliás, sempre se fez neste país, deixando-nos apenas o espaço da tal “escolha difícil”, caminhando pelos trilhos eleitorais como única forma de apoio às plataformas e às pessoas resultantes de decisões prontas e acabadas.

Nesse sentido,  sua lembrança do episódio recente na história do Brasil de que da derrota do projeto das “diretas, já” fomos empurrados pelos “acordos por cima” ao colégio eleitoral. De lá nos deram o conservador Tancredo Neves como única solução para a superação da ditadura nazifascista e aos cadáveres insepultos dos combatentes com o representante da própria ditadura da morte do Brasil, José Sarney, de vice. Com as surpresas da vida, antes da posse do eleito à presidência, morre Tancredo e damos posse ao representante da ditadura e das oligarquias dominantes.  Ao povo restou o luto e as tristeza pela morte de presidente morto e o encaminhamento por Sarney, conduzindo o país pelos descaminhos da crise econômica e política, aos passos vacilantes e covardes da burguesia por ele e seu governo representada, até chegarmos à primeira eleição direta com o resultado desastroso e narcótico com Fernando Collor.

Sua preocupação com a presença não passiva de Geraldo Alckmin na chapa de Lula repõe a angústia com os acordos “por cima”, o que equivale dizer que o povo sempre é, de fato, empurrado para debaixo da mesa para recolher as migalhas que os agentes do mundo dominante lhe jogam.

Situação crítica esta. Por um lado deveria se esperar que os movimentos classistas e sociais, representando as angústias e interesses da classe trabalhadora, se mobilizassem organizadamente e pressionassem pela construção de um plano de governo contemplando pontos absolutamente nevrálgicos e essenciais das necessidades reais populares e, de outro, as forças entorno do ex-presidente, e ele mesmo, conclamassem a mobilização como questão inegociável para o projeto de construção nacional.

Pelas movimentações não se percebe isso de modo convincente em nenhum dos dois atores do processo. Na fala de Lula à mídia independente viu-se um homem profundamente generoso, capaz de se emocionar com os dramas que vive o nosso povo. Mas isso não é suficiente diante da enorme tarefa de superarmos definitivamente os quadros de golpes sujos, que sempre redundaram em derrota profunda e dolorosa ao povo brasileiro. Há um vácuo enorme na disputa no ambiente da luta de classes.

Nesse sentido, seus questionamentos preocupados com a participação de Geraldo Alckmin no governo de Lula lançam luzes quanto ao risco na tentação de sempre querermos por perto e até dentro do governo a permanente bomba explosiva de golpes por parte dos que são tão “cordialmente” aceitos para cavalgar em nossas costas na travessia do rio, como no caso do sapo e do escorpião da lenda.

Penso, caro Prof. Fernando, que exemplos lembrados pelo Jornalista Attuch como o da Bolívia, e eu elencaria também o da Venezuela, deveriam ganhar mais atenção de nossa parte.

Na Bolívia o golpe de Estado promovido claramente pelo imperialismo estadunidense, com a ajuda de mafiosos oportunistas internos, com apoio de vizinhos fascistas e mafiosos,  só foi superado buscando justiça na apuração e condenação dos criminosos golpistas, graças a mobilizações profundas, alimentadas e assumidas pelos amplos setores multirraciais e trabalhadores, desembocando no enfrentamento do fascismo e na vitória, a meu ver, mais enraizada e forte do que foi com Evo Morales.

Na Bolívia o novo governo se confunde como resultado da mobilização organizada e robusta por um partido não limitado a eleições.

Na Venezuela, bloqueada e sacaneada pelo imperialismo e seus capachos aqui na região, se mantêm forte porque o governo iniciado com Hugo Chávez é parte de dois lados entre o povo mobilizado pelas lideranças eleitas e por estas que, nos governos, nunca deixaram de participar da dinâmica mobilizadora do povo.

A outra questão, a final, que destaco em sua preciosa fala, Prof. Fernando Horta, é a da tentativa de golpe por parte de Jair Bolsonaro.

Sem discordar, penso que a máfia encabeçada pelo genocida na presidência é borrasca integrante de uma água suja despejada pelo esgoto do capitalismo neoliberal dependente e decadente.

Trata-se de horda que sobreviveu nos esgotos que cruzam o parlamento, o judiciário, as polícias, as forças armadas, a mídia e setores empresariais. Parte destes segmentos se alimentou do sangue das vítimas da ditadura cruel, que praticou as torturas mais inomináveis e sujas contra patriotas inocentes ou combatentes que lutaram pela construção de sociedade sem tiranos e sem vítimas.

Como parte dessas quadrilhas a visão obtusa de Jair Bolsonaro, preguiçoso e inútil, sempre o levou à vida de golpista, vivendo às escuras para suas práticas fétidas. As rachadinhas são apenas um dos exemplos do universo golpista e sanguessuga do delinquente momentaneamente na presidência.

Ora, se a linha de ação de Bolsonaro é golpista é absolutamente esperável que tente mais dos tantos golpes que dá diariamente contra o povo brasileiro.

Então a noivinha de Aristides alimenta o sonho de golpe militar na imitação dos comparsas dele de 1º de abril de 1964.  Aqueles marginais insignificantes que seguiram Morão Pinto no assalto à Brasília, são os ídolos que embalam o delírio oportunista do preguiçoso sub inteligente e sem povo. Mas tal fantasia é a culminância de todos os golpes contra o povo brasileiro: eleição sob controle do comparsa Sérgio Moro, com o vencedor preso sem culpas; o povo desmobilizado e enfraquecido no seu ímpeto revolucionário, a farsa da facada, general ameaçando o STF, cadáveres produzidos pela luta de classes e de crimes não apurados e os mandantes soltos sem serem investigados, calúnias e injúrias com um mundo de artifícios híbridos.

Jair Bolsonaro é o suprassumo do lixo econômico e político carregado desde a escravatura e recarregado pelo capitalismo neoliberal, agora nos seus estertores.

Nesta condição, o lixo no planalto é ameaça maior sim, é verdade. Além do mau odor,  isto carcome subterraneamente todas as bases da república, desde onde os tais cidadãos periclitantes não reagem porque sua ideologia é a mesma que lhes chega ao cérebro pela condição de “classe” “média”, essa coisa gelatinosa semelhante a baile de ratos em salão, se ritmo bem regido e sem arte lógica  na prática social.

O que me preocupa, Prof. Fernando Horta, é a demasiada crença no fator eleitoral como processo democrático, incluindo aí nesse leito trabalhadores e inimigos de classe, como se liberdade de participação redundasse em ampla mesa para roubados e para ladrões.

Desse processo “úrnico” o povo como o sujeito tão elogiado pelo ex-presidente Lula parece ser apenas, na verdade, o que é chamado para dizer “sim, senhor”.

Sinto falta da construção árdua e amplamente popular de um programa mínimo, com pauta clara e forte, enfrentando o neoliberalismo e o fascismo, na transição e na chegada do outro lado com governo solidificado na nação popular,  classista e independente, que tenha condições de liderar avanços na retomada do país roubado e golpeado, seja pelos macros ou pelos pequenos e diários golpes que nos genocidam e nos oprimem.

Obrigado por me tocar com suas palavras, seriedade crítica e exemplo, caro Prof. Fernando Horta.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

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