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Jornalista Tatiana Merlino: “O homem que Bolsonaro chama de ‘herói nacional’ torturou e matou meu tio”

Vivemos cercados, como que ameaçados silenciosamente,  por muitos ditos profissionais aparentemente “boa gente”, que primam por suas profissões e pela famosa mas falsa neutralidade.

Uma constelação de “estrelas” que funcionam, na verdade, como anteparos ao sol da verdade. Suas atividades profissionais são pura enganação e traição à verdade e à justiça, como valores fundamentais que as pessoas carecem para a construção de relações sociais e políticas justas.

Uma das áreas mais brutalmente usadas pelos parasitas pequenos burgueses, que se ocupam tão somente com o “leitinho” de seus filhos, funcionando como puxa sacos de patrões manipuladores, mentirosos, chantagistas e charlatões, é a do jornalismo.

Dá nojo assistir pelas TVs homens e mulheres vendidos/as, que sabem dos fatos, dos compromissos sujos dos agentes destruidores do Brasil, dos inimigos da justiça social, da democracia e da paz, mas que se calam oportunisticamente.

Além de se renderem ao capital, que a tudo sufoca, ainda traem vergonhosamente sua condição de classe trabalhadora, agindo, pelo contrário, contra ela.

Esses “profissionais” parecem não ter raízes e origens econômicas e sociais entre os mais sofridos trabalhadores brasileiros, muitos tendo se sacrificado para custearem os cursos de seus filhos e de suas filhas. São arrogantes, de narizes empinados e narcisistas.

Demonstram há todos os instantes não terem classe nem pátria, mas somente patrões e o passageiro status social.

Felizmente há pessoas como a Jornalista Tatiana Merlino.

Brilhante, sem a falsa tentativa de tapar o sol da verdade, Tatiana tem na sua biografia o testemunho de compromisso ideológico. Foi repórter no jornal Brasil de Fato e da revista Caros Amigos. Foi também jornalista da Comissão Nacional da Verdade do Estado de São Paulo. Organizou o Relatório Direitos Humanos no Brasil entre 2010 e 2012.

Só esses dados já diferenciariam Tatiana da grande maioria de vendidos/as aos patrões da mídia safada e canalha, que, além de não os negar, os afirma como plataforma de seu mirante para ver e tocar o mundo.

Mas a Jornalista Tatiana Merlino se afirma como profissional fertilmente compromissada com o povo brasileiro nessa hora de trevas.

No dia em que o meliciano fascista Jair Bolsonaro, sabotador dos direitos humanos, da decência e da pátria, reverencia um criminoso, um torturador e assassino nazista, o sanguinário Carlos Alberto Brilhantes Ustra, nossa irmã brasileira, de coração nas mãos e lágrimas escorrendo, se deixa nadar nas águas éticas, que hão de sempre correr pelos rios do heroísmo dos mártires da liberdade nacional para todos,  grita: “O homem que Bolsonaro chama de ‘herói nacional’ torturou e matou meu tio”!

Leia abaixo o artigo testemunho de uma sobrinha sobre a tortura e morte de um tio publicado pelo Blog do Sakamoto.

Antes acesse, leia e compartilhe: Do Jornalista Leandro Fortes: “Falta, agora, dar uma lição nesses nazistas”;

Um evangélico com medo de seus irmãos evangélicos;

O Filósofo ensina: “Não ceder à raiva. Desesperar jamais. O amor e a solidariedade vencerão”;

Chimarrão Profético: “Lula e a força dos bois”;

Muito prazer: sou Johnny Bravo…mas pode me chamar de BolSONAZI;

Cidadania: “1.Diálogo com as notícias; 2. Diálogo com a poesia , música e a realidade”;

O que e quem causa desgraças como Bolsonaro, desempregos e depressões no Brasil e ainda se diverte?

Excesso de lucidez é uma forma de resistir;

Bolsonaro é podre e perverso a serviço de força que só pode usar um aborto humano como ele;

Mortos se levantam com seus familiares contra os crimes hediondos praticados pelos assassinos venerados por Bolsonaro.

Por Tatiana Merlino* 

Toda vez que o presidente da República chama o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra de “herói” e defende seus atos de violência na ditadura militar é como se os torturados, sequestrados, mortos e desaparecidos no período fossem novamente colocados no pau-de-arara, na cadeira do dragão, fossem xingados, humilhados, espancados. Mas não apenas eles. Toda vez que Jair Bolsonaro faz isso, ofende, ataca, desrespeita a todos nós, que somos familiares de mortos e desaparecidos, e lutamos há décadas por memória, verdade e justiça.

Brilhante Ustra, o homem que Bolsonaro tem como ídolo a ponto de dizer que seu livro repousa na cabeceira de sua cama,  torturou e assassinou meu tio durante a ditadura.

Nesta quinta (8), o presidente convidou para almoço, no Palácio do Planalto, Maria Joseíta Ustra, viúva de Ustra, que morreu em 2015. Questionado sobre o encontro, disse que ela “tem histórias maravilhosas para contar” e novamente chamou Ustra de “herói nacional”. 

Não bastasse a enorme repercussão negativa por conta das declarações recentes sobre o desaparecimento e morte do militante político Fernando Santa Cruz e da forma como se dirigiu a seu filho, o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, dizendo que podia lhe contar o paradeiro do corpo do pai, Bolsonaro segue homenageando uma pessoa que comprovadamente praticou crimes contra a humanidade.

Meu tio, Luiz Eduardo Merlino, jornalista e militante do Partido Operário Comunista (POC), foi assassinado sob tortura, em julho de 1971, aos 23 anos, em uma sessão comandada por Brilhante Ustra. Preso na casa de minha avó, em Santos, Luiz Eduardo foi levado ao DOI-Codi e torturado no pau-de-arara por 24 horas até que uma de suas pernas gangrenou. Então, foi deixado em uma cela forte, sem poder andar e comer. Depois, jogaram ele em um camburão e levaram-no ao hospital militar. 

Outro preso político que estava sendo torturado por Ustra ouviu sua conversa ao telefone. Decidiam se amputavam ou não a perna gangrenada, para que a vida de meu tio fosse salva. Para amputar, teriam que avisar a família. “Deixa morrer”, sentenciou o coronel.

Ustra foi chefe do Destacamento de Operações Internas (DOI-Codi), principal órgão de repressão da ditadura, entre 1970 e 1974. Participou do sequestro e assassinato de pelo menos 47 pessoas, de acordo com relatório da Comissão Nacional da Verdade. Em 2008, tornou-se o primeiro agente da ditadura condenado pela Justiça brasileira pelo crime de tortura, em ação movida pela família Teles.

As homenagens de Bolsonaro ao torturador são frequentes. Durante a votação do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2016, ele dedicou sem voto “à memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”. Em período eleitoral, também declarou que Ustra “prestou um grande serviço ao país, ninguém pode negar”. 

Como o presidente de uma República pode seguir repetidas vezes louvar um criminoso que reconhecidamente matou e torturou? Vamos ter que encarar e responder essa pergunta se não quisermos ser cúmplices de uma escalada autoritária que pode levar ao assassinato da democracia.

(*) É uma jornalista brasileira.

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Um comentário

  1. Uma jornalista enraizada na verdade dos fatos foi atingida pela tortura e morte de seu tio pelo torturador e assassino herói de Jair Bolsonaro. Acesse e compartilhe o link do Cartas Proféticas: http://cartasprofeticas.org/jornalista-tatiana-merlino-o-homem-que-bolsonaro-chama-de-heroi-nacional-torturou-e-matou-meu-tio/

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