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Karl Marx 200 anos: Discurso de Friedrich Engels no funeral de Karl Marx

Na explosão da crise mundial do capitalismo é preciso retornar ao grande Karl Marx para compreendermos a onda de golpes de retrocessos.

Sabe-se que quem mais estuda Marx para entender as leis do valor e do próprio capitalismo, são os banqueiros. Porém, a intenção deles com isso é a de aprender as leis e a de concentrar as riquezas saqueadas dos/as  trabalhadores/as e da natureza.

Contudo, o esforço honesto para resgatar o conhecimento da realidade é o desafio para estudarmos as leis, a funcionalidade, a crise e as formas para derrubar o capitalismo, que tantas desgraças causa à humanidade e ao planeta.

Citando Marx o pesquisador Aluisio Pampolha Bevilaqua escreve  que “… o conceito é a forma com que a consciência se apropria do concreto, do mundo vivente, “reproduzindo-o como concreto pensado”, “distinto da região”, da “arte” e do senso comum, “se elevando do singular ao geral” e “do abstrato ao concreto” (BEVILAQUA, A crise orgânica do capital o valor, a ciência e a educação, p. 50, citando  Marx in Elementos Funamentales Para la Crítica de la Economia Política (Grundrisse).

Distitamente dos banqueiros, verdadeiros rapineiros das riquezas, o nosso desafio, libertos de preconceitos fundamentalistas, ignorantes e fascistas, é estudarmos Marx para entendermos o capitalismo e captar o conceito correto dessa praga lesiva às necessidades humanas, dos povos, das relações entre as nações  e do planeta e, assim de posse do conhecimento real,  nos unirmos para derrubá-lo e construirmos sociedade sem a nefasta dominação dos capitalistas.

Como lição deveríamos ler e reler o discurso que o maior amigo de Karl Marx, Friedrich Engels, fez por ocasião de seu funeral.

Leia abaixo as palavras emocionantes no funeral de Karl Marx, publicado pelo site Marxists.

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A 14 de Março, um quarto para as três da tarde, o maior pensador vivo deixou de pensar. Deixado só dois minutos apenas, ao chegar, encontrámo-lo tranquilamente adormecido na sua poltrona — mas para sempre.

O que o proletariado combativo europeu e americano, o que a ciência histórica perderam com [a morte de] este homem não se pode de modo nenhum medir. Muito em breve se fará sentir a lacuna que a morte deste [homem] prodigioso deixou.

Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da Natureza orgânica, descobriu Marx a lei do desenvolvimento da história humana: o simples facto, até aqui encoberto sob pululâncias ideológicas, de que os homens, antes do mais, têm primeiro que comer, beber, abrigar-se e vestir-se, antes de se poderem entregar à política, à ciência, à arte, à religião, etc; de que, portanto, a„pro-dução dos meios de vida materiais imediatos (e, com ela, o estádio de desenvolvimento económico de um povo ou de um período de tempo) forma a base, a partir da qual as instituições do Estado, as visões do Direito, a arte e mesmo as representações religiosas dos homens em questão, se desenvolveram e a partir da qual, portanto, das têm também que ser explicadas — e não, como até agora tem acontecido, inversamente.

Mas isto não chega. Marx descobriu também a lei específica do movimento do modo de produção capitalista hodierno e da sociedade burguesa por ele criada. Com a descoberta da mais-valia fez-se aqui de repente luz, enquanto todas as investigações anteriores, tanto de economistas burgueses como de críticos socialistas, se tinham perdido na treva.

Duas descobertas destas deviam ser suficientes para uma vida. Já é feliz aquele a quem é dado fazer apenas uma de tais [descobertas]. Mas, em todos os domínios singulares em que Marx empreendeu uma investigação — e estes domínios foram muitos e de nenhum deles ele se ocupou de um modo meramente superficial —, em todos, mesmo no da matemática, ele fez descobertas autónomas.

Era, assim, o homem de ciência. Mas isto não era sequer metade do homem. A ciência era para Marx uma força historicamente motora, uma força revolucionária. Por mais pura alegria que ele pudesse ter com uma nova descoberta, em qualquer ciência teórica, cuja aplicação prática talvez ainda não se pudesse encarar — sentia uma alegria totalmente diferente quando se tratava de uma descoberta que de pronto intervinha revolucionariamente na indústria, no desenvolvimento histórico em geral. Seguia, assim, em pormenor o desenvolvimento das descobertas no domínio da electricidade e, por último, ainda as de Mare Deprez.(1*)

Pois, Marx era, antes do mais, revolucionário. Cooperar, desta ou daquela maneira, no derrubamento da sociedade capitalista e das instituições de Estado por ela criadas, cooperar na libertação do proletariado moderno, a quem ele, pela primeira vez, tinha dado a consciência da sua própria situação e das suas necessidades, a consciência das condições da sua emancipação — esta era a sua real vocação de vida. A luta era o seu elemento. E lutou com uma paixão, uma tenacidade, um êxito, como poucos. A primeira Rheinische Zeitung[N47] em 1842, o Vorwärts![N126] de Paris em 1844, a Brüsseler Deutsche Zeitung[N53] em 1847, a Neue Rheinische Zeitung em 1848-1849(2*), o New-York Tribune[N62] em 1852-1861 — além disto, um conjunto de brochuras de combate, o trabalho em associações em Paris, Bruxelas e Londres, até que finalmente a grande Associação Internacional dos Trabalhadores surgiu como coroamento de tudo — verdadeiramente, isto era um resultado de que o seu autor podia estar orgulhoso, mesmo que não tivesse realizado mais nada.

E, por isso, Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado do seu tempo. Governos, tanto absolutos como republicanos, expulsaram-no; burgueses, tanto conservadores como democratas extremos, inventaram ao desafio difamações acerca dele. Ele punha tudo isso de lado, como teias de aranha, sem lhes prestar atenção, e só respondia se houvesse extrema necessidade. E morreu honrado, amado, chorado, por milhões de companheiros operários revolucionários, que vivem desde as minas da Sibéria, ao longo de toda a Europa e América, até à Califórnia; e posso atrever-me a dizê-lo: muitos adversários ainda poderia ter, mas não tinha um só inimigo pessoal.

O seu nome continuará a viver pelos séculos, e a sua obra também!

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