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Leitura Profética: “A violência é filha do fascismo e adotiva da crise neoliberal”

Aqui no Site e no Canal Cartas Proféticas debatemos desde algumas edições a violência desencadeada pelo fascismo. A sociedade brasileira assombra-se com atos violentos, armados com balas,  facas, paus, pedras, artes marciais, calúnias, injúrias, difamações, preconceitos, discriminações, racismos, lgbtquia+fobia, machismos, feminicídios, assédios sexuais, infanticídios, genocídios etc.

Os fatos oferecem a interpretação de que a violência com tanto poder de destruição e inibição tem um comando central, desde onde partem ações pela internet e agendamento de pessoas a serem atacadas. Este centro é internacional e nacional, passando pelo Palácio do Planalto e pelos vários parlamentos, como exemplifica o ataque desqualificado e grosseiro a dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, pelo paulista Frederico D´Ávia. Por outro lado, há atos que mataram ou ferirem gravemente pessoas, inclusive indígenas, espalhadas pelo país, nos fazem crer que, depois que o ministro do STF, Alexandre de Morais, impôs freios aos descontroles de sua excrescência miliciana genocida Jair Bolsonaro após as ameaças de golpe militar de Estado e de não obedecer decisões emanadas daquele magistrado, dando a entender que houve intencional descentralização da barbárie, como também pensa o Psicanalista e Filósofo Luis Carlos Petry.

O fenômeno da violência ligado a fascistas e milicianos expressa a ideia de que a barbárie sangrenta se estabeleceu no Brasil. Pior, o fascismo, como sempre, é ferramenta tolerada e usada pela própria burguesia encastelada nos lucros do mercado e na defesa de seus interesses neoliberais.

Aqui nos interessa não somente conhecer as causas e estruturas do fenômeno fascista violento que atinge o Brasil, mas de como resistirmos no banimento da causa desta barbárie, o neoliberalismo.

Sem dúvidas, a única via de resolução desse problema desumanizador é a da resistência coletiva, organizada em conteúdo bem fundamentado e com estratégia clara. Nosso convidado do Chimarrão Profético desta terça feira, 19/10/21, o Prof. Luis Carlos Petry, em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos indicou o caminho no qual ele pensa: ‘O ideário do nazismo e do fascismo só pode ser combatido “por uma sociedade esclarecida, afetiva e que, intelectualmente, se organize dentro de princípios de solidariedade, direitos e redistribuição das riquezas”.

O LEITURA PROFÉTICA  AO VIVO, nesta QUARTA FEIRA, 20/10/21, ÀS 11 HORAS, com a Professora Mirian Preto, lerá o texto abaixo como isca e motivação à necessária reflexão no enfrentamento do mal maior e alimentador do fascismo e seus executores.

Nosso texto lido e debatido no Leitura Profética  foi produzido por Camila Betoni (mestrado em Sociologia Política (UFSC, 2014;  graduação em Ciências Sociais (UFSC, 2011), publicado originalmente em https://www.infoescola.com/historia/fascismo/ .

Marcando de forma trágica o século XX, o fascismo é um tema que desafia os intelectuais que buscam entender sua natureza e história. De forma geral, pode-se dizer que o fascismo é uma conduta política extremamente autoritária, marcada pelo nacionalismo, pela militarização dos conflitos e por uma preocupação obsessiva com a ideia de decadência de uma comunidade ou nação. Hostil às formas modernas de democracia, o fascismo recorre a violência, criando um inimigo – interno e/ou externo – que deve ser exterminado para garantir a segurança e supremacia de um grupo considerado superior. Apesar de manifestar algumas variações – a depender da época e do lugar onde aparece – o fascismo apresenta algumas características típicas que se repetem.

O pensamento fascista costuma emergir e ganhar força em contextos de crise – econômica, social ou política –, quando se apresenta como solução radical. Mobilizando os sentimentos legítimos de sofrimento ou injustiça, o fascismo impulsiona e enfatiza a ideia de que o grupo que defende é a grande vítima de uma situação a ser revertida. Como toda vítima tem um algoz, o fascismo aponta um inimigo que deve ser exterminado. No caso do nazismo – forma histórica mais conhecida do fascismo – a vítima eram os alemães brancos e a lista de inimigos era longa, incluindo comunistas, negros, homossexuais, ciganos e judeus. Apelando mais aos fatores emocionais que a argumentação racional, o fascismo encarna uma missão de regeneração nacional que se expressa na figura de um líder extremamente carismático responsável por salvar a nação.

No campo político institucional, o fascismo se caracteriza por um Estado forte, exercendo controle de todas as áreas sociais, e pela presença de um único partido. As decisões são tomadas de forma autoritária e hierárquica, do líder supremo até os seus subordinados. O aparato repressivo costuma contar uma polícia truculenta e bem estruturada, responsável por conter opiniões e grupos divergentes. Na esfera civil, a violência também é motivada através da organização de milícias compostas, sobretudo, pela juventude que adere ao fascismo. Exaltando a juventude e a virilidade, a estética é extremamente importante nos regimes fascistas. Propagandas, rituais e símbolos atuam mais do que os argumentos na missão de reforçar as ideias fascistas e convocar a população à participação ativa.

No espectro político, o fascismo normalmente é localizado como parte da extrema-direita. Entretanto, não é só ao socialismo que ele se opõem. Sua rejeição ao liberalismo é imensa, principalmente no que diz respeito a centralidade do indivíduo. Para o fascismo, os interesses das massas e da nação sempre se sobrepõem aos interesses individuais. Tal ética define que o indivíduo deve ser valorizado quando está a serviço da defesa patriótica. O etnocentrismo – ideia da superioridade de um grupo sobre o outro – é um traço fundamental do fascismo. A regra é a discriminação e a perseguição de todos que não forem considerados como parte da comunidade. Membros de outras raças, etnias e nacionalidades – ou mesmo aqueles que só discordem do fascismo – devem ser combatidos como uma ameaça a integridade da nação. Do ponto de vista da política externa, o fascismo tende a ser extremamente imperialista.

O nazismo alemão é normalmente o episódio mais lembrado quando se fala em fascismo. Os regimes de Mussolini na Itália e de Franco na Espanha também foram marcantes. O Brasil teve sua própria teoria nacionalista de inspiração fascista, que recebeu o nome de Integralismo. No entanto, para defender a democracia é essencial compreender a experiência histórica do fascismo para além de seus casos mais óbvios. Longe de ser um pensamento política completamente superada, os princípios e sentimentos que sustentam o fascismo são recorrentemente despertados em tempos de crise.”

Bibliografia:
PAXTON, Robert. Anatomia do fascismo. São Paulo: Paz e Terra, 2007.

PROGRAMAÇÃO DO CANAL E DO SITE CARTAS PROFÉTICAS

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– Leitura Profética: todas as quartas feiras, às 11 horas;

– Fé e  Luta: todos os sábados, às 11 horas;

– Mergulho nas Notícias: todas as segundas feiras, às 19 horas;

– Arte e Vida: todas as sextas feiras, às 19 horas;

– Reflexão do Evangelho: todos os sábados entre 18 e 19 horas, ao vivo com base no evangelho dominical.

– Vigília e Resistência na Pandemia;

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