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Luis Fernando Veríssimo tem razão: todos os combatentes corremos riscos de prisão e de assassinato!

Cartas Proféticas - Por Dom Orvandil.

Tive a honra de conhecer o pai e a mãe do escritor  Fernando Veríssimo.

Muitas vezes do ônibus que passava pela casa do casal Érico e Mafalda Veríssimo os vi passeando pelo bairro Petrópolis em Porto Alegre ou conversando, sentados num banco da pracinha do local.

Desde os meus assentos os vi confabulando olhando um nos olhos do outro, parecendo-me muito meigos e respeitosos.

Também tive a honra de visitar algumas vezes a casa dos Veríssimo em Cruz Alta, RS, desde há anos um museu municipal com muitos pertences do escritor como máquina de escrever,  desenhos que fez dos personagens de seus livros etc,  cidade serrana onde a ditadura quase me prendeu, não o fazendo por temor da repercussão, já que eu era muito amigo de Dom Jacó, bispo diocesano católico romano, que me salvou algumas vezes de ser preso e de até ser assassinado.

Penso que li boa parte dos livros de Érico Veríssimo,  senão todos. Suas obras causaram profunda impressão no meu despertamento cultural e político na adolescência.

Avalio que a obra de Érico Veríssimo jamais se desmoronará nem mesmo com academicismo de sedentos ‘pesquisadores’ esnobes,  no afã de aparecer e se projetar em cima de grandes nomes da literatura.

Assim é o caso de Luis Fernando Veríssimo, herdeiro e sucessor da inteligência literária e cultural do grande pai, este autêntico divulgador da cultura sulina.

Fernando tem raciocino crítico refinado,  agudo e inteligentemente irônico na interpretação graciosa da barbárie dos ataques do atraso civilizacional ao nosso país e ao nosso povo.

Soube pelo site Brasil 247 que Fernando Veríssimo, em artigo em sua coluna  publicada no jornal O Estado de S.Paulo, alertou  de “forma irônica para os retrocessos que o governo Jair Bolsonaro impõe sobre a cultura”, escreveu a auditoria do 247

“Qualquer manifestação artística com o nome de ‘vanguarda’, ‘social’ e etc., já era proibida no território nacional e agora, para simplificar, decidiram proibir qualquer manifestação artística no território nacional, salvo a de bispos cantores”, afirma. 

“Muitos companheiros da resistência estão desaparecidos, como o pessoal do teatro de vanguarda obrigado a desocupar o teatro onde encenavam uma peça de conteúdo social, o que é proibido, e levados em camburões do temido Departamento de Combate à Criatividade com destino ignorado, todos nus”, acrescenta. 

De acordo com o escritor, “a queima de livros que pregam o evolucionismo, o sexo recreativo, a redondeza da Terra, o ridículo de acreditar em astrologia, o socialismo ou tudo isso ao mesmo tempo, continua e já há uma corrente que julga inútil queimar livros se suas ideias continuam a existir e serem propagadas por mentes doentias, e sugere que se queime escritores, ou na ordem alfabética ou pela sua evidente combustibilidade”. “Somos obrigados a mudar o código quase que diariamente para evitar a detenção”, concluiu Fernando na coluna.

Além da preciosa ironia do escritor é bom nos reogarnizarmos para a luta, não só na defesa da cultura, mas do Brasil e do nosso povo, todos atacados sem dó nem compreensão.

Os atentados sofridos por lideranças indígenas, trabalhistas, femininas, gays, negras, quilombolas, faveladas, religiosas como são os casos do Padre Amaro, preso e acusado sem provas, do Padre Júlio Lancelotti e tantos outros.

Comentários em nossos canais e blogs, telefones não identificados arrolando nomes de pessoas de nossas relações, o que fazem, onde trabalham, nível de ralação conosco, atropelamentos com carros e motos procedendo aparentemente do nada, como me aconteceu várias vezes,  3 das quais nos últimos dias nas idas e vindas de hospitais,  me faz desconfiar de todas as pessoas, inclusive de médicos/as e de enfermeiros/as. Em dois lugares onde consultei fui agressivamente afrontado por médicos por causa da cor da camiseta que usava,  assim como fui mal atendido por um delegado de polícia num aeroporto longínquo, dando-me a entender que era seguido desde antes de com ele falar.

O alerta de Luis Fernando Veríssimo   faz sentido com a ascensão do fascismo, do milicianismo mais malvado e criminoso de todos os tempos,  levando um charlatão e impostor ao governo do Brasil, cercado por iguais nos ministérios.

Quem matou Eduardo Campos, o reitor Concelier, o ministro Teori Zawaski, Marielli e Anderson e todos os que são atacados diariamente nos seus direitos mais elementares, certamente tem as costas alargadas por criminosos de alto poderio econômico, seus verdadeiros patrões e chefes, e licença para eliminar o que resta da democracia burguesa, fechando tudo e expurgando a inteligência.

Porém, é bom também que alertemos que tais avisos como os de Fernando Veríssimo não devem funcionar em nosso sistema psico neurológico como fator de intimidação e acovardamento.

Ninguém deve ser irresponsável ao ponto de se expor infantilmente na aceitação das provocações dos charlatões e impostores sem compromisso com o país e com as pessoas.

Mas ninguém deve se acovardar ao ponto de fugir e abandonar a  luta na defesa de nossa pátria humilhada.

Nossa dignidade e consciência gritam por ações táticas pensadas, organizadas e articuladas coletivamente na luta para derrotarmos a barbárie que passeia fora dos esgotos por algum tempo.

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Um comentário

  1. Análise do alerta de Fernando Verissimo sobre os riscos que corremos de perda da liberdade e da vida sob o desgoverno de charlatões e impostores. Acesse e compartilhe o link do Cartas Proféticas: http://cartasprofeticas.org/luis-fernando-verissimo-tem-razao-todos-os-combatentes-corremos-riscos-de-prisao-e-de-assassinato/

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