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Lula, um cidadão sob todas as suspeitas: basta do fim da ciência e da ética!

Prezada Profª Roza Luiza Acioly, Rio de Janeiro, RJ

O título aqui é lembrança de um grande filme da década de 70, que me impressionou. Trata-se do “Investigação de Um Cidadão Acima de Qualquer suspeita”.

A narrativa apresenta  Gian Maria Volonté em uma maravilhosa  interpretação “(na pele de um alto comissário de polícia que mata a amante e planta provas no apartamento dela para que as suspeitas se dirijam a ele. O objetivo final do crime experimental era provar para si mesmo que ele era inatingível por ser o tal cidadão acima de qualquer suspeita do título” (leia a crítica).

O filme expôs ao mundo a podridão da justiça italiana e mexeu na confiança mundial em seus judiciários. Sua apresentação no Brasil virou crítica contra a ditadura, que agia às sombras da normalidade legal na prática de prisões, torturas e assassinatos sumários à luz da omissão e até com a participação do judiciário, como já mostrei inúmeras vezes.

No filme, o comissário objetivava exibir sua insuspeitabilidade como assassino da amante, uma mulher de esquerda. O drama se desenrola preservando sempre a “ilibada” vida profissional e ética do comissário, na verdade um safado, cruel e imoral.

Pois é, no dia 14 deste setembro inesquecível de 2016, observaram-se tentativas de mostrar cidadãos puros, ilibados e crentes, acima de qualquer suspeita a apontar todos os dedos contra aquele de quem não provaram crime algum, mas que o acusaram de ser  “o comandante do esquema criminoso descoberto pela Lava Jato”, de exercer o papel de “o grande general” e “peça central” no esquema de corrupção da Petrobras, a quem pomposamente chamaram de senhor Luiz Inácio Lula da Silva.

Não me demorarei aqui a examinar o ridículo no qual o “seo” Deltan Mortinazzo Dallagnol e os seus patéticos colegas procuradores da fiasquenta e miserável eticamente lava jato discursaram ao jogarem a verdade e a justiça nos esgotos de sua mediocridade. Até mesmo o medíocre e direitista blogueiro da Veja, o “seo” Reinaldo Azevedo, reconheceu que “na Procuradoria-Geral da República, o clima no staff de Janot era de desalento. A avaliação quase unânime é a de que Dallagnol se perdeu, encantado com a própria retórica. O que se avalia é que o MPF terá de se dedicar ao esforço defensivo de demonstrar que nada tem contra Lula”. Acrescenta Azevedo que os procuradores “se dedicaram a demonstrar que Lula era o chefe da organização criminosa. Só que essa acusação, esse tipo penal, não apareceu. É um erro primário, fruto do açodamento e do estrelismo”, escreveu o jornalista puxa saco do fascismo.

A repercussão negativa nas mídias nacional e internacional, do fiasco protagonizado pelos procuradores crentes, foi enorme. No mundo os jornais e sites dizem que tentaram injustamente criminalizar o maior Presidente do Brasil, que aplicou o modelo de desenvolvimento nacional de inclusão social reconhecido e louvado em todo o planeta.

Duas afirmações dos espetaculosos procuradores chamam a atenção e merecem análise. Uma é a já bastante batida desde o espetáculo com o péssimo power point, a pronunciada pelo procurador que não encontrou nada, o “seo” Roberson Henrique Pozzobom: de que “não teremos aqui provas cabais de que Lula é efetivo proprietário do apartamento”;  a outra, fantástica e reveladora ao mesmo tempo é a de que eles têm “convicção” de que o ex-presidente  recebeu propinas.

Essas são as duas vértebras totais da coluna da peça show que os péssimos artistas apresentaram na tarde do dia 14 de setembro: ausência de provas e convicção subjetiva, ideológica e desumana.

A falta de provas é o vazio comandado pela convicção crente dos procuradores, principalmente do batista Deltan Mortinazzo Dallagnol.

A falta de provas é a maior e mais descarada afronta à ciência, que a atividade jurídica alega seguir como ação orientadora primorosa da intervenção investigativa nos fatos.

A ciência não é catecismo, “crentismo” nem cretinice. Ela necessariamente é o encaixe e  ponto de partida para todo o conhecimento da realidade.

Não se tem a verdade sem a investigação, que percorre longo e até doloroso caminho entre a hipótese e todas as confirmações inegáveis pelo consenso científico, como ensina o filósofo  Thomas Kuhn nas discussões das estruturas das revoluções científicas e dos paradigmas, até chegar ao instável paraíso das conclusões e teses.  

Pois os promotores arrastaram a atividade jurídica a antes da Idade Média ao desprezarem a ciência numa marcha a ré imoral e vergonhosa.

De certa forma insinuaram que esse negócio de provas é pura diversão de cientistas e de pessoas sérias. No lugar da ética científica o que vale para eles é a retórica, é o vocabulário vazio de homens que se acham lindos física e espiritualmente.

O que vale para os atores procuradores é a convicção, mesmo sem provas e sem ciência.

Retornaram às certezas do obscurantismo medieval.

Da antiguidade,  a convicção herdou a “certeza” de que as mulheres, as crianças, os estrangeiros e os escravos não tinham alma, essência que implicava em ser humano.

Por isso mataram mulheres,  jogaram crianças nos lagos gelados temendo o fim do mundo, aniquilaram com as almas culturais das pessoas que escravizaram e as arrebentaram nos troncos e no trabalho pesado como tração animal.

Em nome de convicções supersticiosas e desumanas queimaram nas fogueiras os cientistas e emperraram a ciência na Idade Média, já que investigações e pesquisas não valiam nada.

Em nome das convicções os dogmas excluíram multidões do direito de ser gente com direitos.

Em nome de convicções o nazismo estraçalhou o povo alemão, judeus, negros, indígenas, protestantes, católicos, homossexuais e comunistas para impor o que chamaram de raça ariana pura.

Em nome de convicções prenderam, torturaram, mataram e pisaram na democracia.

Por causa de convicções o fundamentalismo estreito, cego, excludente do outro e do diferente persegue para impor sua doutrina atrasada e lesa humanidade.

As convicções comandam as bancadas da bíblia, da bala, da bola e dos bancos a arrancar os direitos dos trabalhadores.

As convicções atuaram forte na mente perversa de um homem chamado Eduardo Cunha,  desmerecendo o Brasil e  a democracia.

As convicções foram dirigentes do golpe do Estado, fazendo de 61 senadores verdadeiros canalhas sem racionalidade e inteligência.

Pior, o “seo”  Deltan Mortinazzo Dallagnol é evangélico de uma igreja batista.

Meu Deus, mais um convicto suja e humilha as igrejas evangélicas sérias e os evangélicos estudiosos comprometidos com a ciência e com a verdade.

Os promotores, em nome de suas convicções, barbarizaram a ética em seus pequenos detalhes.

Nenhuma família suportaria que um de seus membros fosse enxovalhado publicamente como fizeram com Luiz Inácio Lula da Silva.

Qualquer família, por mais humilde que seja, silencia para proteger algum de seus membros implicados em alguma suspeita de crime, protegendo sua reputação, bem diferente do que fizeram com Lula os promotores atores, em monstruoso desrespeito, embora convicções castelares de areia e sem provas.

Nem um psicólogo ou psiquiatra permitira que algum de seus pacientes fosse brutalmente difamado como os promotores fizeram com Lula.

Nenhum sacerdote feriria a imagem de uma pessoa de sua paróquia em nome de pecados ou o que quer que seja, como fizeram com Lula.

Nenhum advogado sério, honesto e ético permitiria que processos fossem jogados ao ar de modo injurioso e destrutivo como os promotores…

Os promotores foram criminosos com Lula e com o Brasil. Sua atitude se não for corrigida jogará o País nos corredores de um banho de sangue.

Nós, o povo brasileiro, temos que nos levantar pacificamente para darmos um basta no que fazem com nosso País.

Atitudes como as dos promotores são fatores essenciais da tragédia anunciada com a quebra de empresas nacionais e com milhões de desempregos causados pelo denuncismo, pelas delações irresponsáveis e pela omissão do judiciário, que se recusa a fazer investigação, desmerecendo a ciência.

Isso tem que parar. O País tem que retomar sua democracia e reconquistar o desenvolvimento nacional e soberano.

Basta de agentes públicos difamadores e arrogantes, que se acham cidadãos acima de qualquer suspeita, colocarem o Estado a serviço de uma classe dominante sem juízo e sem senso de justiça!

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
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