Dom Antônio Fernando Saburido

Mais um arcebispo católico romano desmascara o golpista MiShel Temer com sua política hipócrita de direitos humanos

Em  nota numa linguagem dura e adequada criticamente,  Dom Antônio Fernando Saburido desmascara a hipocrisia do desgoverno golpista do quadrilheiro MiSchel Temer  que assinou decreto com o nome de Dom Helder Câmara como patrono brasileiro dos direitos humanos.

Numa clara manobra oportunista de se aproximar da Igreja Católica Romana e do Nordeste, o golpista tenta se aproveitar do nome da mais expressiva figura aliada dos pobres e da justiça social, Dom Helder Câmara, para usá-lo formalmente sem nada mudar a favor dos direitos, que os golpistas e canalhas destroem.

Porém, atento em nota o arcebispo hoje ocupante do cargo eclesiástico que já foi de Dom Helder Camara afirma que: “Nos surpreendemos pela ambiguidade desse decreto”, que foi sancionado por Temer no último dia 26 de dezembro, após aprovação do Congresso Nacional.

Depois de denunciar as contradições de um governo golpista e assaltante do patrimônio público,  massacrante dos direitos dos trabalhadores, aumentando a pobreza e a miséria, o atual arcebispo de Olinda e Recife conclama o povo brasileiro a seguir “a luta pacífica pela justiça e pela paz. Assim, como fez Dom Helder Câmara, trabalharemos pelos Direitos Humanos a partir da defesa dos direitos dos pobres, dos trabalhadores, das minorias excluídas e de todo ser vivo.”

Leia abaixo a nota de esclarecimento do arcebispo Dom Antônio Fernando Saburido

Colabore com o Cartas Proféticas e aumente sua renda ajudando organizar seminários em sua cidade. Veja como.

Colabore com o Blog

Leia também carta de Dom Orvandil: “Desprezo os votos de “feliz natal” e “feliz ano novo”


Queridos irmãos e irmãs de nossa arquidiocese,

“Felizes sereis quando os homens vos odiarem, expulsarem, insultarem e amaldiçoarem o vosso nome por causa do Filho do Homem. (…) pois era assim que os seus antepassados tratavam os profetas. (…) Ai de vós quando todos falarem bem de vós, pois era assim que seus antepassados tratavam os falsos profetas” (Lc 6, 22- 23 e 26).

Queridos irmãos e irmãs de nossa arquidiocese,

Todos nós fomos surpreendidos pela Lei n. 13581, de 26 de dezembro de 2017, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República Michel Temer. Declara Dom Helder Camara patrono brasileiro dos direitos humanos.

Todos os brasileiros conscientes e que amam a justiça e o direito concordam que Dom Helder é nosso patrono em toda a luta pacífica pela justiça, pela paz e pelos direitos humanos, tanto individuais, como coletivos das minorias fragilizadas pela sociedade dominante. No entanto, nos surpreendemos pela ambiguidade desse decreto, sentimento já expresso por amigos de Dom Helder, inclusive, Marcelo Barros que escreveu uma profética carta dirigida ao Dom da Paz. O texto dessa lei é sucinto e não explicita motivações, nem consequências. No entanto, nenhum ato dessa natureza é neutro ou sem repercussões.

Em seu tempo, o profeta Jeremias adverte os governantes do seu povo: “Sem responsabilidade, querem curar as feridas do meu povo dizendo apenas Paz, Paz, quando paz verdadeira não existe. Deveriam envergonhar-se, pois o que fizeram foi horrível, mas não se acanham, mesmo eles não sabem o que é ter vergonha” (Jer 8, 11- 12).

É nossa responsabilidade de cidadãos e de cristãos dar peso às palavras e exigir dos poderes públicos coerência em seus posicionamentos. Se a Política que deveria ser um exercício nobre do serviço ao bem comum está tão desacreditada é porque os políticos não primam pela coerência entre o seu falar e o seu agir.

O que significa essa medida vir de um governo que justamente esvaziou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e comprometeu todo o trabalho que vinha sendo feito na luta contra todo tipo de discriminações? Será que nomear Dom Helder patrono brasileiro dos Direitos Humanos fará o governo voltar atrás da decisão de reduzir substancialmente os gastos públicos em saúde e educação, deixando os milhões de pobres abandonados à própria sorte? Como pensar em Direitos Humanos e relaxar as regras do controle ao trabalho escravo, assim como sujeitar os trabalhadores a regras que lhes são contrárias e que retiram direitos adquiridos na Constituição de 1988? E o que dizer da reforma da Previdência Social pela qual esse mesmo governo pressiona de formas ilícitas para vê-la aprovada?

Como arcebispo de Olinda e Recife, ministério que foi ocupado por Dom Helder Camara, sinto-me, em consciência, obrigado a declarar publicamente que esse decreto presidencial, para ser sincero e coerente, precisa ser acompanhado por outro modo de governar o país e de cuidar do que é público, principalmente do bem maior que é o povo, sobretudo os mais fragilizados.

Em nome de Deus, fonte de Amor e de Vida, conclamo os cristãos e todo o povo brasileiro a prosseguirmos a luta pacífica pela justiça e pela paz. Assim, como fez Dom Helder Camara, trabalharemos pelos Direitos Humanos a partir da defesa dos direitos dos pobres, dos trabalhadores, das minorias excluídas e de todo ser vivo.

O Espírito de Jesus que nasceu como pobre nos acompanhe e nos fortaleça nesse caminho,

Dom Antônio Fernando Saburido

Arcebispo de Olinda e Recife

Edição: Vivian Fernandes.

Compartilhar:



Responder

Seu email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.
Os comentários expressam a opinião de seus autores e por ela são responsáveis e não a do Cartas Proféticas.