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Manifesto da Igreja Católica Anglicana com vistas ao golpe militar e a reforma da Previdência

“Javé, tu ouves o desejo dos pobres, fortaleces o coração deles e lhes dás ouvidos, fazendo justiça ao órfão e ao oprimido, para que o homem terreno já não infunda terror” (Salmo 10, 17 – 18). 

 

Nós, direção pastoral e administrativa da Igreja Católica Anglicana, fiéis aos nossos cânones que definem nossa missão como preferencial pelos pobres, vimos ao povo e à nossa Nação brasileira, ameaçados da injustiça causada  pela opressão,  que opta pela memória da morte, da perda da liberdade, pelas torturas e assassinatos de crianças, adolescentes, jovens, mulheres e homens, conclamar o nosso povo que fortaleça seu coração e se levante na libertação da orfandade, das pisadas das botas dos novos faraós e dos reproduzidos césares, que desde sempre expelem ódio e artimanhas para  crucificar os justos.

De todos os recantos do Brasil, levantando-se de nossas comunidades de trabalhadores na pesca, nas águas, nas selvas, matas, nas fábricas, nas escolas como professores, funcinários e estudantes, dos quilombolas, dos negros e das negras, as vozes clamam por justiça e liberdade.

Sufocados pelo golpe a favor dos opressores desumanos a serviço do capital rentista, roubado dos trabalhadores, das viúvas, dos órfãos e dos pobres, cuja calamidade os atinge profunda e desumanamente, tudo para privilegiar o egoísmo em forma de concentração de riquezas e o poder da morte, essas vozes gemem ainda em silêncio e pedem unidade nacional a favor da marcha do povo, como no êxodo, para derrubar os faraós malvados.

Nós, arcebispo primaz, bispos, diáconos, padres, leigos e leigas da Igreja Católica Anglicana, em permanente oração e celebração da vida eucarística do corpo e o sangue do Cristo, vítima do império romano e da religião mancomunada com os poderosos, entendemos que quando o presidente Jair Bolsonaro impõe ao Brasil a lembrança do golpe empresarial-militar de 1º de abril de 1964, que gerou tanto mal estar, perda da liberdade, violação dos direitos humanos de todas as formas, opõe o governo ao povo, ao Brasil e à Constituição Federal que ele jurou obedecer e que o povo brasileiro, desde sua classe trabalhadora até os mais atingidos pelo golpe de Estado que levou ao governo escarnecedores da justiça econômica e social, deve se levantar fortalecido por sua fé no Deus libertador, que ouve os clamores dos pobres (Êx 3, 7 – 10).

Entendemos que o governo brasileiro se divorciou do Brasil, se contrapõe ao povo brasileiro e à Nação, aviltando a ordem jurídica, constitucional e política. Por isso, em nossas orações, celebrações e doutrina social, não aceitamos que nosso povo seja aviltado e os trabalhadores feitos miseráveis e órfãos.

Outrossim, reconhecemos que a brutalidade da ideia de comemorar o escárnio opressor de 1964 a 1985,  com a ditadura que prendeu, torturou, sumiu, exilou e matou nossos irmãos, é a mesma da espinha dorsal da propalada reforma da previdência, cuja barbárie também denunciamos.

Não é outro o princípio que norteia a imposição que o mercado e o governo fazem ao descomprometido Congresso Nacional, de costas voltadas ao senso de justiça, que o mesmo do golpe empresarial-militar de 1964, que afundou o Brasil na miséria, na fome, na submissão aos apetites dos Estados Unidos, o faraó moderno.

A ideologia da segurança nacional (Padre Joseph Comblin, A Ideologia da Segurança Nacional, Civilização Brasileira, 1978), que prendeu, torturou, assassinou, matou e exilou, a serviço da dominação, do lucro concentrado em poucas mãos, gerando desemprego, pobreza, miséria e orfandade, é a mesma ideia eixo que impõe a reforma da Previdência, possibilitando a capitalização da aposentadoria e a mais desumana precarização da vida dos idosos e idosas, já injustiçados pela reforma trabalhista.

Desse modo conclamamos os trabalhadores brasileiros de todos os segmentos da produção econômica bem como a todo o povo a que fortaleça seu coração unindo-se amplamente para barrar todas as formas de terror e opressão.

Cremos que a opção preferencial pelos pobres implica em que os próprios pobres optem por si mesmos e por si mesmos se levantem para governar a Nação.

++Dom Orvandil Moreira Barbosa, Arcebispo Primaz e Presidente da Câmara dos Bispos;

Dom Franciney Pantoja, Presidente do Conselho Executivo Administrativo Primacial;

Waldirene Gonçalves da Cruz, Secretária Primacial de Ação Social e da Mulher.

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