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Médicos cubanos e o ódio de Bolsonaro aos pobres

Marica Tigani*

Em 2013 chegavam ao Brasil os primeiros médicos Cubanos, mediante uma parceria entre Ministério da Saúde brasileiro, governo Cubano e OPAS, Vinham com a missão humanitária de suprir as necessidades de populações ribeirinhas e dos mais recônditos locais do país, onde médico brasileiro jamais ousou  ir, alegando ” falta de estrutura” e salários baixos. Inicialmente foram 11 mil médicos que ganhariam uma média de 3 mil reais e ajuda das prefeituras dos locais onde ficariam para alimentação e alojamento. Como se sabe, a medicina em Cuba é uma medicina comunitária, são médicos de  família que se responsabilizam por um número específico de moradores de cada área onde residem. São médicos com sólida formação humanista e de atendimento básico de saúde  aos agravos mais frequentes da população como diarreias, desnutrição, desidratação infantil e doenças crônicas como hipertensão e diabetes.

Este programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalhar em zonas pobres e longínquas desse país.

Nestes cinco anos de trabalho, perto de 20 mil colaboradores cubanos ofereceram atenção médica a 113 milhões 359 mil pacientes, em mais de 3 mil 600 municípios, conseguindo atender  um universo de até 60 milhões de brasileiros na altura em que constituíam 88 % de todos os médicos participantes no programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.

O trabalho dos médicos cubanos em lugares de pobreza extrema, em favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador  e nos 34 Distritos Especiais Indígenas, sobretudo na Amazônia, foi amplamente reconhecida pelos governos federal, estaduais e municipais desse país e por sua população, que lhe outorgou 95% de aceitação, segundo o estudo encarregado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.

A recepção desses abnegados médicos ao chegarem ao Brasil foi a pior possível,  partindo da comunidade médica local, os quais os  hostilizaram e em alguns locais chegaram a reunirem- se no aeroporto para recepcionar os cubanos com vaias e xingamentos. Alegavam que não era ” justo” a vinda destes profissionais os quais acusavam de não serem médicos, serem charlatães e tecnicamente incapacitados.

Durante 3 anos iniciais, estendidos por mais 2 anos no Programa pela presidenta Dilma, estes honrados colegas fizeram belíssimo trabalho de acolhida, tratamento, educação em medicina preventiva e apoio médico- psicológico para populações completamente carentes de assistência médica, inclusive isolados via rios  e estradas.

Cumpriram belissimamente  a missão a eles destinada pelo contrato Brasil-Cuba, com elogios rasgados à sensibilidade, competência e humanidade destes colegas em suas práticas diárias no Brasil Aliás, enquanto EUA e Israel exportam armas para o mundo, Cuba exporta saúde.

Ontem, para tristeza da população carente deste imenso Brasil, Cuba anunciou a retirada de seus 11 mil médicos, após serem ameaçados pelo indivíduo eleito à Presidência. O governo cubano fez bem: proteger seus profissionais, muitos dos quais já participaram de missões em outros países onde existe escassez de médicos nas zonas mais remotas ou em situações de emergência como foi a epidemia do Ebola na África há alguns anos atrás.

Quem perde com isso são sempre os mesmos: os pobres, os desassistidos, os despossuídos, que voltarão a não ver a cara de um médico tão cedo.

Sei de histórias emocionantes de grande abnegação destes colegas de Cuba, como é o caso de uma médica na região de Jales a qual ia de bicicleta a regiões extremamente pobres, ribeirinhas, para seu trabalho.

Sei também das aberrações que ouvi de brasileiros da direita mais burra do planeta, que é a nossa, alegando que os médicos cubanos vieram ” doutrinar” brasileiros e trazer o comunismo. É sempre esse delírio sistematizado referente às doutrinação marxista  ou comunista .O medo dessa gente é determinado pelo grande engodo que é o caPETAlismo, principalmente em terras tupiniquins onde só 1% da população é de fato rica ou milionária e o restante ou classe média e classe pobre.

Fico estarrecida,ao ler o Twitter do grande Mentecapto eleito determinando regras impostas pelos médicos brasileiros aos cubanos como validação de diploma e salários pagos equiparados aos dos brasileiros, como se isso fosse extremamente importante para médicos socialistas.

Aos colegas cubanos que apoiei quando de suas chegadas ao Brasil a minha total solidariedade, respeito e agradecimento.

Hasta la vista, compãneros!!!!Muchas gracías!

*Médica, Psiquiatra, poeta, escritora, militante social e Colunista do Cartas Proféticas.

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