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Mergulho nas Notícias: “Lições de Marília Mendonça: queremos aprender?”

Longe de me basear na mídia colonizada com seu juízo estético burguês nem na internet e nas redes sociais, essas fábricas de monstruosidades, de ódio, de fake news e quebra de imagens sobre o fenômeno  Marília Mendonça e a atração que ela exerce sobre as massas.

Aqui em Goiânia o estado de ânimo das pessoas foi totalmente atropelado, mesmo  movendo milhares à Goiânia Arena e para o cemitério onde os restos mortais da cantora repousam.

Como explicar tanta sedução de Marília sobre as pessoas de todas as faixas etárias e situações econômicas, mas principalmente sobre os trabalhadores e os pobres?

Antes. é preciso que reconheçamos o uso vergonhoso que o mercado e sua mídia fizeram da figura, do desastre e da morte de Marília. Se, por um lado, a mídia incidiu fortemente sobre a mobilização de milhões de pessoas no Brasil e no mundo, todas a chorar e a sentir profunda dor com sua morte, por outro, é inegável o aproveitamento que o mercado fez para atrair audiência para sua mídia e para, por consequência, o consumo dos produtos dos patrocinadores. Isso foi vexaminoso e descarado!

Contudo, é preciso reconhecer que a ascensão de Marília foi rápida e a sedução que exerce sobre as pessoas é fato totalmente inegável. E não somente sobre as mulheres, de quem poetizou e cantou as dores das traições e maus tratos, mas também sobre os homens, independente de sua orientação sexual.

Marília Mendonça não era revolucionária, pelo contrário, apesar de dialogar com todos os gêneros musicais, nossa compositora e cantora ascendeu pelas trilhas mais reacionárias, ambíguas e machistas da arte brasileira, o sertanejo.

Acentue-se que uma das forças de Marília era o trabalho de operária de sua mãe. Ali ela respirou sacrifício, desgaste físico da trabalhadora de uma padaria, que se entregava à produção diária das 8 às 18 horas, sem conseguir todos os recursos no custeio de suas necessidades devido a salário insuficiente e injusto em comparação com todo o seu esforço físico de mulher operária.

Foi na padaria, ao lado da mãe a quem ela acompanhava todos os dias, que a artista começou tocar violão e a cantar para os clientes do comércio de pães e de café.

A força da voz melodiosa e dos dedos ao violão se revelou no ambiente de exploração pelo trabalho feito pela mulher, sua mãe. Disso Marília jamais se esqueceu. Este é um traço que poderia movimentar a simplicidade e o carinho de Marília pelo povo.

Outro poder de atração sobre o povo era a consciência mínima que a poeta e cantora causava sobre as mulheres ao lhes alertar sobre a resistência aos abusos e traições masculinas.

Aí também Marília não indicava rupturas com as causas do machismo nem as identificava, mas o seu testemunho a partir do que denominou de música sofrência chamou as mulheres ao empoderamento, à rejeição à condição de submissão ao sexo masculino.  Ao conclamar à dignidade da igualdade nas relações e à hostilização a relações desleais, enganando a mais de uma mulher, buscando honestidade e amor sincero, constituiu-se em fator de admiração e adoração popular por parte das mulheres e até dos homens.

Evidentemente que o machismo, que tem a mesma força e o mesmo peso do racismo, tão nefasto quanto o fascismo e o nazismo, se enraíza nas visões masculina e feminina reduzindo as mulheres a meros objetos de prazer e à condição de escravidão; e aos homens em falsos poderosos, como se fossem donos das mulheres, de seus corpos, desejos, sonhos e qualificações. As raízes desse mal distorcido e ameaçador de relações veem da escravatura. O machismo é eivado de dominação, abusos, estupros, prazeres unilaterais por parte dos homens e opressivos dos sonhos e dos sentimentos femininos.

O machismo, provindo e alimentado pelas raízes escravagistas e do capitalismo, em seu ímpeto explorador, será extirpado  das relações como modelo de dominação quando acontecerem as mobilizações classistas de homens e mulheres trabalhadores/as. Na dinâmica da luta e na construção da sociedade justa não caberá resquícios desse e de outros males que impliquem em exaltação de seres humanos dominando seres humanos.

Além dessa contribuição ao debate sobre o machismo e à promoção do empoderamento  feminino, as poesias, músicas e falas de Marília Mendonça atacaram o atraso político representado pela eleição de sua excrescência miliciana genocida Jair Bolsonaro. Em vídeo ela se manifestou em 2018 pelo “ele, não”. Disse que “nós não precisávamos desse atraso”.

Foi atacada, difamada e ameaçada de morte pelo movimento da borrasca fascista e do lixo que apoiou o capetão.

Ora, pela ousadia de uma filha de trabalhadora, de uma jovem que não recuou diante dos obstáculos em relação ao ingresso no arraial reacionário, mais comercial e capitalista do que cultural, que é esse ambiente pobre de arte e inteligência como é o caso do sertanejo, Marília ainda o fez de modo a combater os exibicionismos narcísicos masculinos atrasados e a promover os direitos às mulheres a amar e a ser amadas. Esse movimento cultural  a mergulhou profundamente na alma do setor mais pisado e abusado, sugerindo-lhes o assumimento como sujeitos na vida.  

Isso é claro na opção pelo “ele, não”.

Portanto, a morte de Marília Mendonça comoveu tanto porque ela abriu enormes avenidas libertárias na sociedade brasileira, até mesmo quando mobilizou pessoalmente as pessoas para os seus shows. Ali nossa atriz se mostrou próxima e igual aos e às trabalhadores/as mais aviltad@s em nosso país.

Os arquétipos de igualdade e justiça despertados por Marília Mendonça deveriam ser mais fortes nas nossas vidas do que a queda do avião que a matou entre outros 4 trabalhadores.

Esses arquétipos tocados nas pessoas, como o foram as cordas de seu violão pelos dedos de nossa rainha da sofrência, foi o que as emocionou e mobilizou com sua morte.

Somos todos chamados a homenagear Marília Mendonça com o avanço na libertação, no empoderamento feminino e na luta contra o fascismo, assumindo o mesmo lado tomado por ela.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

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