rapaz assassinado no extra

Monstro feito de massa muscular, de baixa inteligência e puxa saco do patrão mata jovem negro com problemas mentais

Marcia Tigani*

Eu devia ter uns 13 anos quando um vizinho meu, cujo irmão era psicótico, saiu pela rua atrás dele e lhe deu uma surra. Eu já sabia que o rapaz tinha problemas mentais e, indignada, comecei a gritar que ia chamar a polícia, gritei tanto que o brutamontes largou o irmão (xingando mas largou).

Hoje, um  indivíduo  truculento, vazio, de raciocínio raso  concreto, de cultura possuindo só a cultura do ódio, excluído neste sistema desigual e violento chamado CAPITALISMO, consegue se empregar no EXTRA. Como leão de chácara do empresário. Veste a farda( brasileiro tem fetiche por farda e quando usa uma se transforma: pensa ser super homem). Para defender o patrimônio do patrão e para fazer valer a ” filosofia” de seu ídolo máximo , o B17, o sujeito estrangula um deficiente intelectual  que mal conseguiria reagir devido à desproporção do ataque e à desproporção do tamanho do ” segurança” sobre o corpo magro do rapaz de 19 anos. Diz  ter aplicado um golpe de jiu-jitsu  chamado popularmente como ” mata- leão”. De arte marcial isso não tem nada porque falta ética, sensibilidade e bom senso. E falta inteligência ao ” segurança”: seu QI é desproporcional à massa muscular que deve ter sido alimentada pelas famosas ” bombas” dessas academiazinhas formadoras de exterminadores. No fundo, está tudo errado nesse sistema onde ” segurança” é do patrimônio e não da vida.

O que me chama a atenção nesse extermínio do jovem negro com doença mental, por um ” segurança” do Extra não é só a brutalidade em si. Mas a inércia das pessoas ao redor assistindo a cena grotesca como se assistissem uma luta num Ring. E outros seguranças ao redor checando se o rapaz  se mexia enquanto o monstro aplicava um” mata- leão” no indivíduo. Filmaram toda a cena até o fim. Até o rapaz morrer. E jogaram aqui na net. Ninguém retirou o monstro de cima do rapaz de 19 anos. Porque no fundo, no fundo, a maioria não se importa, porque virou cena corriqueira e as pessoas introjetaram o ” bandido bom é bandido morto” , repetido à exaustão. É a banalização do mal.

Amanhã ninguém mais se lembrará  disto.

*É psiquiatra, poeta, escritora, militante e colunista do Cartas Proféticas.

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