Os Monstros

Monstros são riscos de destruição do Brasil: Bolsonaro e Moro são exemplos

Prezadíssimo Prof. Dr. Roberto Bueno

Agradeço-lhe por seu artigo esclarecedor postado em jornais e aqui.

O amigo como professor da Universidade Nacional de Brasília é exemplo do quanto a academia deve se abrir para contribuir com seu notório saber para o debate social e político.

Este blog, a Ibrapaz e eu como bispo nos interessamos agudamente por essa interlocução que o amigo nos propõe.

Hoje o filósofo e professor da USP,   Vladimir Safatle, de forma  didática, descreveu bem as três características do fascismo ao mesmo tempo que ajuda a defini-lo.

A primeira é a de que “ele é um culto explícito da ordem baseada na violência de Estado e em práticas autoritárias de governo”. Quer dizer, o grupo fascista captura o Estado do controle da sociedade e o utiliza em forma de ditadura violenta e sanguinária  para perseguir e destruir a base pensante, crítica e coletiva, impondo o pensamento único.

A segunda característica evidencia-se pela “… circulação desimpedida do desprezo social por grupos vulneráveis e fragilizados. O ocupante desses grupos pode variar de acordo com situações históricas específicas. Já foram os judeus, mas podem também ser os homossexuais, os árabes, os índios, entre tantos outros.”

E a terceira característica destacada pelo filósofo Safatle para definir o fascismo é a de que “ele procura constituir coesão social através de um uso paranoico do nacionalismo, da defesa da fronteira, do território e da identidade a eixo fundamental do embate político”.

Nosso filósofo diz que é fácil demonstrar o fascismo de Bolsonaro quando “sua adesão à ditadura militar é notória, a ponto de saudar e prestar homenagens a torturadores. Não deixa de ser sintomático que pessoas capazes de se dizerem profundamente indignadas contra a corrupção reinante afirmem votar em alguém que louva um regime criminoso e corrupto como a ditadura militar brasileira. Por outro lado, sua luta incansável contra a constituição de políticas de direito, reparação e conscientização da violência contra grupos vulneráveis expressa o desprezo que parte da população brasileira sempre cultivou, mas que agora se sente autorizada a expressar”.

Penso que a reflexão do professor da USP combina perfeitamente com seu texto grandioso ao analisar o risco do fascismo ao romper com os valores do pacto constitucional.

Aliás, o senhor diz mais ao afirmar que “o ditador fascista não respeita os acordos sobre valores e princípios políticos transformados em leis válidas para todos”.

 O fascismo não cai do céu num repente ou não nasce da terra enquanto  todos dormem. Ele se gesta nos espaços obscuros de fragilização da democracia, em atos acumuladores de poder para os fantasmas que se empoderam aos poucos.

O prof, Vlademir Satatle identifica muito bem o caso Jair Bolsonaro nos seus delírios de desprezo aos vulneráveis como negros, indígenas, sem terra, judeus, mulçumanos, homossexuais e os comunistas como alvo de seus desejos de destruição.

No seu texto, amigo prof. Roberto, o senhor também alude o fato de que  “o momento crucial da vida do país” exige que enfrentemos as mistificações, mentiras e construções de mitos que podem crescer ao ponto de se agigantarem os monstros que demolham o Estado o agachem a serviço de seus caprichos imorais de quem não dá atenção às necessidades e gritos por direitos, como os defendem nossa Constituição.

Atos de desrespeito a ela já se acumulam no País desde o impeachment sem fundamento e sem provas de culpabilidade da Presidenta Dilma Rousseff. Melhor dizendo, a ruptura com os valores republicanos e democráticos assegurados pela Constituição começou a formar monstros na destruição do governo da lei para se encarnar em governo de homens quando Michel Temer e sua quadrilha iniciaram silenciosamente o movimento do golpe sem argumentos, mas simplesmente com interesses pessoais de se protegerem da justiça,  despreocupados com a desproteção social que causaram.

Sua preocupação com essa formação de monstros chega em Sérgio Moro e sobre isso sua bela frase tudo diz: “Torquemoros não caem bem para um Estado constitucional. Sabemos muito bem como o fascismo começa, mas nunca como termina e a que preço.”

É salutar a sua conclamação para que conservadores de bom senso – os que não são fascistas e resistentes aos valores que inspiram o pacto nacional – liberais e progressistas estejam  “cientes da emergência dos tempos em que a força nua travestida de poder se erige em condutora dos assuntos nacionais. Há demanda política democrática e declaradamente antifascista de que seja constituída uma ampla frente constitucionalista e garantista em defesa do EDD” – Estado de Direito.

Vlademir Satatle alerta que a tendência do fascismo é a de crescer nesse vácuo democrático, aconselhando que o combate à sua violência crescente seja contínuo e sem tréguas.

Porém, concordando com a sua proposta penso que o fascismo e seus monstros são secundários porque minoritários e insignificantes por sua rudez e analfabetismo desagregador.

O momento exige união nacional e democrática entorno de um mega projeto que ajude o Brasil a se redimir definitivamente desses monstros como Jair Bolsonaro, Sérgio Moro e, não tenho dúvidas, de que por este mesmo cainho marchariam seus vizinhos ideológicos como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e outros monstros que se criam às sombras dos esgotos.

Clique aqui para acessar o Canal CRP no You Tube.  Inscreva-se no Canal. E aqui para curtir nossa página no Facebook.  Também acesse essa página para conhecer nossos serviços e para colaborar.

  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
Compartilhar:



Um Comentário

  1. […] Fonte: Monstros são riscos de destruição do Brasil: Bolsonaro e Moro são exemplos – CartaS e Reflexõ… […]

Responder

Seu email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.
Os comentários expressam a opinião de seus autores e por ela são responsáveis e não a do Cartas Proféticas.