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MOPAMG (Movimento Popular Anti Mídia Golpista): 4º texto-análise

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Por Daniel da Costa*

Neste texto 4, Quarta e Última Parte, finalizaremos nossa resposta à pergunta: Por que a mídia golpista brasileira lida apenas com os efeitos dos problemas sociais e políticos e nunca com as suas verdadeiras causas? Assim, aconselhamos que, para uma melhor compreensão deste problema, é muito importante que você tenha lido com atenção a Primeira,  Segunda e Terceira Partes anteriores a este presente texto, pois elas se ligam, pedagogicamente, na sequência em que aqui os textos são apresentados na forma de uma resposta a esta importante pergunta.

Concluímos no texto anterior que os falsos valores da ideologia liberal, o individualismo e a competição, estão na base e orientam uma estrutura de valores que ordena tanto nossa compreensão como nosso sentimento quanto ao que entendemos que seja nossa vida em sociedade. Isso atinge todos os níveis de nossa vida pessoal e social. Trata-se de uma estrutura de falsos valores que foi sendo construída e estabelecida historicamente no Ocidente desde a vitória da burguesia comercial na Europa no século XVI e que se tornou teoria sobre o mundo (economia, religião, arte, comportamento, política etc.) aceita e assumida como “explicação natural das coisas” desde o século XVIII, com toda elaboração intelectual promovida pelos ideólogos da ideologia liberal ocidental. São os meios de comunicação de massa de hoje que promovem esta interpretação humana, histórica, falível e falida (sem remédio ou concerto possível) com sendo a coisa mais natural que existe; como sendo a compreensão que “devemos aceitar sem questionamento” sobre quem somos como seres humanos e o que é o mundo (natural e cultural) em que vivemos.  

É através dessa estrutura de valores que tanto a maneira típica de ser quanto os reflexos próprios da alma burguesa, o modo de ser do burguês (calculista, individualista, desconfiado, sempre com reflexo de proprietário etc.), conseguiu impor-se ao mundo ocidental, dito civilizado, como sendo o único verdadeiro modelo possível de humanidade. Ou, até mesmo, como o modelo universal de ser humano que deve ser aceito pacífica e indiferentemente; ou mesmo imposto, nem que seja pela guerra e a destruição em todo o planeta terra, se a primeira alternativa não for conseguida com êxito. O reflexo próprio de todo liberal, ao vera seu mundinho de mentiras ser explicitado e balançado, é fazer o fascismo. O liberal típico (homem de bem) corre para o fascismo como o rio corre para o mar. Só os muito ingênuos ainda não percebem isso.

Assim, o sentido da história de todo colonialismo moderno, de todo imperialismo e de todas as guerras até hoje tem sido o de impor definitivamente este modelo de ser humano burguês, datado e histórico, a toda humanidade como sendo o modelo único de civilização, como sendo o único herdeiro da civilização; ou mesmo como “o” modelo natural de ser de todo ser humano, independentemente de diferenças de ordem cultural e mesmo ântropo –etno – lógicas.

Neste atual texto 4, demonstraremos que isso é não somente falso, como falsa é a alma burguesa liberal promotora dessa mentira. Demonstraremos o contraponto exato à mentira burguesa liberal ocidental: o mundo burguês representa, contra a civilização, contra a universalização da emancipação e autonomia humanas, a afirmação da barbárie pelo constante reforço do poder de uma minoria endinheirada sobre uma maioria esmagadora de trabalhadores que, sem saber da alma burguesa que habita nesses mesmo trabalhadores como já um tipo de “segunda natureza”, vivem sob o jugo destes falsos valores liberais: o individualismo e a competição.  

Este modelo burguês de ser humano, que é portanto histórico e datado, criação humana, mas assumido nas sociedades liberais capitalistas como eterno e único, é o que tem sido afirmado e defendido pela mídia golpista brasileira desde que ela tem surgido nesse país.

Foi ligada à defesa desse modelo de sociedade elitista, burguesa e liberal como único e universal, que a mídia golpista conseguiu construir sua história bem-sucedida de dominação no Brasil e no mundo. Ao ponto de que esse modelo é hoje aceito como “natural” e sem crítica, graças a um mito que a própria mídia golpista criou sobre si mesma e perpetuou na sociedade brasileira e no mundo: o mito de sua neutralidade; o mito de que ela, a mídia golpista brasileira (e mundial), é uma empresa de telecomunicações neutra que apenas visa lucro fiduciário como qualquer empresa capitalista.

Através desse mito-mentira, tomando aqui a palavra mito no sentido pejorativo de “mentira” que os estudiosos liberais da história das religiões do século XIX queriam relacionar somente aos mitos clássicos das religiões históricas, todavia e por outro lado, aplicamos o conceito de “mito como significando mentira” somente em relação aos “mitos modernos criados pela ideologia liberal burguesa” no Ocidente. Ora, a mídia golpista brasileira tem conseguido se manter intocável e sem crítica, como sendo uma “deusa” inatacável com poderes superiores aos dos seres humanos que só têm sua condição de pessoas dignas com sua racionalidade finita como meio de exercer sua crítica e aperfeiçoar sua cultura, graças a este mito-mentira liberal em relação a ela mesma. Porquanto, através desse mito-mentira que a mídia construiu sobre si mesma, como apenas sendo uma mera empresa capitalista neutra de telecomunicações, ela tem podido impor sua visão de mundo equivocada, criticar e difamar quem ela bem quiser, sem que nunca ela mesma seja criticada ou contestada por quem quer que seja.

Numa sociedade de seres humanos emancipados e racionais e com consciência de sua dignidade com “pessoas relacionais” (e não indivíduos isolados); como pessoas cooperativas (e não indivíduos em competição), este estado de coisas não pode mais se manter. Isso se realmente quisermos uma sociedade política baseada no diálogo racional e pacífico como meio de construirmos nossa solução para os problemas que nos afligem como sociedade humana política perfectível. Ora, isso impõe a superação do atual modelo burguês de sociedade liberal elitista do dinheiro, hierarquista que vige sob o modelo patriarcal que, de modo ingênito, é excludente. Implica, então, da parte da sociedade brasileira (e da humanidade) a elaboração e realização de um outro modelo de sociedade democrática formal (não liberal), por causa da extensão das atuais sociedades modernas complexas, baseado nos valores não burgueses da  solidariedade, fraternidade, e verdadeira paz, que só pode ser construída sobre uma real justiça distributiva que, por sua vez, só pode receber as orientações precisas de como ser feita a partir dos dados concretos vindos das camadas das camadas que sofrem a injustiça de fato todos os dias: o povo trabalhador e excluído que, no regime democrático formal não liberal, constitui a “verdadeira maioria” representativa.

Portanto, trata-se da superação e eliminação, destruição de um mito-mentira que a mídia golpista criou sobre si mesma e que se mantém hoje nas mentes e nas almas dos indivíduos como uma verdade sem contestação. Novamente: o mito de que a mídia golpista é uma simples empresa comercial que visa lucro e dispõe, para isso, seus espaços publicitários para venda e que, em troca, oferece informação “neutra” e “entretenimento e diversão inocentes” à população que lhe concede a concessão pública de radiodifusão. Isso é uma mentira!

A mídia golpista brasileira é um partido político ativo e operante. Um partido político que possui um projeto claro anti povo, anti democracia formal não liberal, inclusiva e participativa, anti Brasil e que ocupa atualmente, de maneira hegemônica e autoritária, o espaço de poder majoritário como “o 4º poder de fato” (não de direito), na esfera da dominação simbólica no nosso país que é uma esfera de dominação muito mais poderosa e dominante do que as esferas objetivas institucionais que o ideário fajuto liberal de “república” do século XVIII em diante criou no Ocidente e se consolidou graças ao teórico francês, aristocrata burguês, Montesquieu: legislativo, judiciário e executivo. Esfera na qual a mídia golpista tem podido criar e se manter nas mentes dos brasileiros alienados e com baixa formação educacional cidadã e política, esfera de dominação simbólica, conseguiu criar uma falsa narrativa sobre quem cada brasileiro é e sobre quem o Brasil é, como país e sociedade.  

Exercendo este 4º poder simbólico de fato (não de direito), a mídia golpista brasileira tem a função de produzir a sensação, no público alienado brasileiro, de que não há falhas ou erros nos golpes que ela tem apoiado e apoia, como o mais atual de 2016, motivado (principalmente, mas não unicamente) pelos corruptos e quadrilheiros: Eduardo Cunha, Aécio Neves e Michel Temer, em nome de uma falsa e ridícula luta contra a corrupção para os otários alienados dormirem no barulho dessa canalha.

A mídia golpista tem a tarefa de criar a sensação nos seus indivíduos telespectadores, ouvintes e leitores alienados, que dão ouvidos as suas mentiras diárias, de que há uma opinião pública majoritária que é a única correta e verdadeira. Que esta opinião verdadeira é a que a mídia golpista veicula todos os dias e que se o indivíduo alienado defender essa mesma opinião pública, dita majoritária única e verdadeira criada pela mídia golpista, este mesmo indivíduo alienado estará de posse da verdade, e não precisará mais nem pensar e nem refletir sobre os problemas da vida social; e mesmo de sua vida particular em relação aos demais indivíduos do seu convívio.

Mas, na verdade, o que acontece é que a mídia golpista brasileira amarra, (como se amarra um animal irracional feroz), o indivíduo alienado a sua mentira e ilusão e não o solta mais. Ou só o solta na medida exata em que a mídia golpista estende ou afrouxa a corda que prende o indivíduo alienado à mentira da mídia golpista. Na medida exata em que interessa a ela afrouxar, quando fizer este indivíduo alienado, “rosnento e odioso a tudo e a todos”, atacar, exatamente, os inimigos do seu projeto de poder hegemônico de dominação simbólica, que a mídia golpista brasileira interessa manter sem ser questionada. Atacar a tudo que represente contestação à posição hegemônica e inatacável que mídia golpista tem conseguido manter.      

Assim, é com base na aceitação sem crítica e sem contestação, tanto dos falsos valores do mundo burguês quanto do mito da neutralidade da mídia golpista, que um público brasileiro, sempre cada vez mais cativo, tem dado sempre respostas padronizadas e esperadas (como animais adestrados) às mentiras e distorções da realidade da vida política e cultural brasileira que a mídia golpista brasileira, todos os dias, impõe nas casas dos brasileiros como verdade sem questionamento.

Como a mídia golpista consegue fazer isso? Ora, é graças à estrutura dos falsos valores burgueses liberais que herdamos, que a mídia golpista consegue moldar a compreensão dos indivíduos sobre o que é o mundo e a realidade. É que a aceitação passiva e já totalmente inconsciente do mito da mídia, por parte dos indivíduos, tem na sua base a aceitação prévia, e também inconsciente, da estrutura destes falsos valores históricos que a burguesia comerciante ocidental, através dos seus teóricos e ideólogos liberais, conseguiu, ao longo do tempo, naturalizar como valores eternos e universais: o individualismo, a competição etc. A função da mídia golpista, através de suas novelas, filmes, jornais, programas, jornalismos etc. é reforçar e tornar naturais estes falsos valores do mundo burguês, e isso, todos os dias.    

Graças a isso, as respostas dos indivíduos cativos, às mentiras da mídia golpista, são sempre respostas que nunca colocarão em cheque, ou em questão, a real posição das principais responsáveis pelo esquema de corrupção no Brasil: as próprias quadrilhas donas da mídia golpista. Pois a base de toda a corrupção no Brasil, e no mundo, está na demonização diária da vida política mantida pela mídia golpista, que faz com que as pessoas não tenham vontade de participar da vida política e, com isso, abandonem a questão pública, a questão da gestão do bem público, nas mãos de uma minoria traidora e ladra que fará do bem comum seu despojo de roubo a ser dividido entre seus comparsas de crime. Até o ponto, se for o caso, de gerar e liberar atitudes, como temos visto atualmente, ativamente destrutivas. Tais como a da minoria fascista atual instigada pela demonização da vida política que, instigada pela demonização da vida política pela mídia golpista, quer a insanidade do fechamento do Congresso Nacional, do STF, a volta do AI-5 e, ao mesmo tempo, reivindica o voto impresso! Este é o nível de sub animal irracional que as quadrilhas donas da mídia golpista têm criado e agora estão às voltas, com essa manada, que é contra o jornalismo e a comunicação como um “direito humano”. Atingindo, dessa vez, a própria mídia golpista. Aliás, estes sub animais de carga, cachorros loucos, são contra si mesmos ao abdicarem de sua própria dignidade humana, já que são contra a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Uma criação jurídica abstrata criada pela ideologia liberal que consagra os tais direitos individuais! Não direitos das pessoas singulares relacionais e nem das comunidades (sociedades).         

Assim, interessa-nos entender esta realidade mais básica da vida humana, que são os valores, pelos quais a mídia golpista brasileira consegue manter sua dominação intocada e inquestionada. Pois a mídia golpista consegue, pelo seu poder simbólico, dominar de maneira assombrosa a narrativa social. Quer dizer, dominar o enredo da história que os indivíduos contam e retransmitem para seus filhos e netos sobre quem nós brasileiros somos de geração em geração.

Todavia, mais abaixo dessa narrativa, num plano mais básico de sustentação dessa narrativa midiática sobre a realidade existencial e social, encontramos os “valores”. Estes são realmente a realidade mais básica e concreta da existência humana, tanto individual como social e política. Assim, essa própria dominação da narrativa só é possível à mídia golpista brasileira por causa da aceitação prévia, irrefletida e inconsciente, por parte dos indivíduos alienados, da estrutura dos falsos valores do mundo burguês. Uma estrutura que é assumida inconscientemente por estes indivíduos como eterna e válida para sempre.

Desta estrutura, destacaremos aqui os dois falsos valores do mundo burguês liberal que consideramos os dominantes na base da hierarquia de valores do mundo burguês moderno e que, doas quais, se constrói todo o conjunto de outros valores que darão a sustentação da mentira burguesa liberal capitalista: o individualismo e a competição. Pois é através do individualismo e da competição, estabelecidos e assumidos pelos indivíduos como naturais e eternos, que a mídia golpista consegue manter, dentro destes indivíduos que lhe dão crédito, o ódio à vida social e política, mesmo que continuem a viver em sociedade. Mesmo que a todo tempo esta mesma mídia golpista se valha da realidade óbvia da existência incontornável da vida social e política das quais, queiramos ou não, a cada um de nós, seres políticos e sociais, é impossível escapar. Desta situação, a mídia golpista gera uma sociedade fundada no medo e na esquizofrenia!

É esse disparate doentio, essa esquizofrenia mantida diariamente pela mídia golpista que faz os indivíduos alienados combaterem e odiarem o que lhes é, por outro lado, o mais próprio a si mesmos como seres humanos civilizados: ou seja, a vida política, social e cultural do seu país. É isso que tem tornado a vida social e política no Brasil um verdadeiro inferno ao ponto de, hoje, chegarmos ao renovo do nazi-fascismo, do racismo, eugenia descaradas e outras formas de decadência e destrutividade humanas. E com o perigo de prosseguirmos nessa decadência e rebaixamento humano para um estado de guerra civil generalizada, com a barbárie, essa finalmente a conclusão óbvia do ethos burguês, instaurada. (Nazismo, fascismo e regimes ditatoriais são filhos bastardos do capitalismo liberal e burguês. São sua conclusão fatídica.)

Ora, essa situação é de inteira responsabilidade das quadrilhas midiáticas golpistas brasileiras e o seu PIG (Partido da Imprensa Golpista). Pois trata-se da negação e destruição do caminho de civilização e humanização que a humanidade tem proposto para si ao longo de sua história pela “democracia”, somente pela qual vemos a solução dos nossos problemas, que é sempre pela via da “razão política”; pela via da democracia formal não liberal, inclusiva e participativa.  Todavia, com o desvio da sociedade para que ela não encontra o sentido da vida em comunidade por meio de uma democracia formal não liberal, inclusiva e participativa, o que se reforça, cada vez mais diariamente no mundo burguês liberal capitalista, é o contrário à civilização: é necessariamente a barbárie.     

Assim, explorando apenas os aspectos imediatos dos problemas sociais e políticos, quer dizer, seus efeitos, a mídia golpista encobre as verdadeiras causas da realidade histórica da qual os problemas da vida política e social no Brasil surgiram e se constroem. Com isso, ela impede a busca consciente e responsável das pessoas por encontrarem os caminhos civilizados e democráticos para a solução dos nossos problemas históricos. Ela impede a busca consciente e responsável das pessoas por encontrarem os caminhos da verdadeira paz que só são possíveis através dos caminhos da justiça social, da democracia formal não liberal, inclusiva e participativa, baseada na solidariedade e na fraternidade entre os seres humanos diferentes.

Com esse véu encobrindo nossa história, a mídia golpista impede que as pessoas pensem em termos de um antes e um depois em relação às coisas que aconteceram e acontecem na vida política e social. Impede que as pessoas pensem os problemas em termos de causa e efeito, em termos de temporalidade, em termos de história. Daí a tendência dos indivíduos tomarem posições sempre imediatas e simplistas em suas visões quanto à solução dos problemas complexos sociais e políticos do nosso país. Como, por exemplo, as que vão às ruas pedindo volta da ditadura militar e exigindo, ao mesmo tempo, maior liberdade contra regimes autoritários. Um exemplo claro de insanidade social diabólica!

Ora, isso tudo é de inteira responsabilidade da mídia golpista brasileira que faz com que os indivíduos pensem apenas em termos dos efeitos imediatos dos problemas que ela veicula ao seu modo interesseiro todos os dias nas casas. Efeitos que, por serem sempre variados e múltiplos, impedem as pessoas de chegarem às verdadeiras causas dos problemas, que são causas históricas. Mas a mídia sabe que chegar a esta consciência histórica dos problemas é chegar, ao mesmo tempo, à consciência do papel destrutivo que ela tem exercido na história contra o processo democrático e civilizatório no Brasil. Por isso, a mídia golpista brasileira deve tratar os brasileiros e brasileiras que dão ouvidos às suas mentiras como “sub animais irracionais”, para que eles nunca cheguem à consciência de sua dignidade humana e nem de quem os adestra.
     
Isso deve ser notado para vermos o quanto a estrutura de valores, sobre os quais a mídia golpista brasileira opera sua destrutividade, tem força de persuasão na obtenção de uma condução automática do comportamento dos indivíduos que responderão sempre de uma maneira determinada, padronizada e esperada, como animais adestrados respondem através do condicionamento comportamental, baseado no esquema estímulo-resposta pavloviano de que falamos nos textos anteriores.

Assim, os falsos valores liberais do individualismo e da competição operam, cada um deles a seu modo, na maneira como as pessoas reagem aos problemas que lhes são colocados. Ou seja, sempre de modo manipulado e de interesse ao projeto anti Brasil e anti povo da mídia golpista brasileira. Vejamos.

O individualismo é um falso valor que opera dentro dos indivíduos, nas suas almas; enquanto a competição é o outro falso valor que opera nas relações que os indivíduos isolados mantêm com todos e com tudo que os cerca no mundo exterior: mundo natural e mundo social-político e cultural. Assim estes falsos valores liberais burgueses se completam no plano da vida interior dos indivíduos alienados e no plano da vida exterior destes mesmo indivíduos. Tratando-se, portanto, de uma dominação completa do indivíduo alienado. A realização do sonho de todo tirano na história, a realização da intenção que caracteriza toda dominação demoníaca: desde o interior dos indivíduos até cobrir todo seu espectro de existência exterior. Vamos entender primeiramente como opera o falso valor do individualismo.

Como dissemos nos textos anteriores, a fase denominada infantil é a que mais nos aproxima, a nós humanos, da vida animal não racional. Isso porque a criança relativiza tudo que existe no mundo exterior sempre a partir do seu ego em construção. Inconscientemente, este seu ego incipiente se torna, para a criança, a referência universal em relação a todas as coisas que existem no mundo. Para a criança, tudo lhe pertence e tudo está ao seu alcance, senão ela chora. A criança se sente o centro de todo o universo, o “proprietário” de todas as coisas e o mais injustiçado quando não tem o que deseja.

Mas, enquanto os animais permanecem fechados em sua estrutura de instintos, a criança é um ser histórico e prossegue se desenvolvendo até atingir a fase adulta e autônoma. Ao chegar nessa fase adulta, a sociedade em que ela vive espera dela autonomia e consciência clara da existência de uma distinção que já deve estar construída e tornada conscientemente adulta; distinção essencial entre seu ser e os demais seres, implicando uma consciência clara de que o seu ego não é o centro do universo. Ou seja, no adulto formado, a sociedade espera uma consciência ética aprofundada em relação a si  mesmo e seu papel em meio às demais pessoas que continua se ampliando como consciência de sua pertença a um meio ambiente comum que exige “cuidado”.

Portanto, em sua chegada à maturidade, a sociedade espera que o indivíduo que se tornara adulto tenha conquistado a “consciência ética”. Consciência esta que é moldada pela sensibilidade e percepção da existência de uma dignidade intrínseca ao outro ser humano que é diferente dele. Um outro que, em termos sempre de uma aproximação ontológica, se torna, por sua vez, seu semelhante. Mas que continua, no aprofundamento ético consciente, se aprofundando na consciência até que este semelhante se torne, na verdade, seu próximo.

Neste nível profundo da consciência ética que chega ao “próximo” (= ho plesion, em grego), todas as barreiras de distinção que o individualismo liberal tenha criado na história ficam superadas: o sentido de isolamento do indivíduo liberal é finalmente destruído. Este aprofundamento da consciência ética é o que está implicado no movimento histórico civilizatório, e ligado à necessidade básica de sociabilidade humana, de vida social e política próprias da condição da vida humana. Em avanço, dizemos: em termos de nosso ensejo por vida política e por meio da vida em comunidade, a partir de nossa autoconsciência como pessoas singulares e inter-relacionais, almejamos chegar ao resultado que o sentido da formação humana pela educação (civilização) quer chegar: o de que toda pessoa relacional e dialógica, ao se tornar adulta, por fim, alcance: o amor ao próximo! Este é o sentido fundamental que (para além da tentativa de cerceamento ideológico liberal que pretende amarrá-la) inspira a “Declaração Universal dos Direitos Humanos” que é assumida por todos os países que se dizem civilizados.
 
Todavia, nas sociedades capitalistas burguesas e de ideologia liberal, pela força da tradição dos falsos valores liberais disseminados e naturalizados, aquilo que a estrutura de instintos cumpre nos animais irracionais, ou seja, sua permanente estagnação, fechados e dominados pelos instintos biológicos elementares de adaptação, preservação e perpetuação da espécie, a estrutura de valores cumprirá na vida humana civilizada através da cultura. Com esta reduzida ao materialismo tosco do empirismo e cientificismo (ideologia da empiria e da ciência) típico da cultura anglo saxã e hoje estadunidense dominante no mundo. 

Assim, através de tudo que os seres humanos produzirem na sociedade, os falsos valores liberais, comandados pelo individualismo e a competição, forçarão a que os indivíduos permaneçam fechados em suas subjetividades. Fechados em sua vida interior para se tornarem incapazes de reconhecer, do ponto de vista ético, o valor e a dignidade humana do “próximo”, que lhe é um ser humano sempre diferente.

Tendo então cumprido esse papel de aceitação passivo na alma do sujeito, o individualismo é o que faz com que todo o reflexo típico da fase infantil se perpetue na vida de um indivíduo mesmo já adulto, e molde sua relação com tudo que lhe é externo: com a natureza e a humanidade. O sujeito liberal individualista crê, como as crianças, que tudo gira em torno do seu ego. Pois ao assumir para si a estrutura de valores liberais burgueses que o fortalece nessa ilusão, o indivíduo liberal acredita que tudo no universo pode ser avaliado a partir do seu único ponto de vista individual, de sua única experiência de vida. Pois não consegue chegar à consciência petica da existência do outro como próximo diferente.   

O reflexo próprio então do individualismo é certa passividade diante dos seres e das coisas, porque é uma consciência fechada e infantil, na qual prevalece a consideração de que só o próprio ego é o centro de referência imóvel de todo universo. Nesse sentido, o individualismo gera sempre um reflexo próprio: a frustração, quando o falso mundo estável fica ameaçado; daí o indivíduo alienado cai na esfera do ódio que se torna sistemático; e enfim, desemboca nas formas ativas de violência: tortura, assassinato, terrorismo, sadismo, vontade de destruição etc. 

O individualismo é o verdadeiro gerador de uma sociedade de vítimas frustradas que a todo tempo descobrem não ser o centro do universo por causa da falta de realização diária do sonho de felicidade burguesa que nunca é cumprido e nunca será para estas vítimas que acreditam na mentira liberal burguesa capitalista. E por ser uma sociedade maniqueísta, tudo, para o indivíduo alienado, deve se resolver automaticamente ou imediatamente de maneira simplificada através de fórmulas prontas. Em relação aos indivíduos alienados pela mídia golpista brasileira (e mundial) na “forma simplificada da luta “verdadeira e real” do bem contra o mal mas que, por causa da alienação, fica reduzida ao moralismo estéril”. Luta real e verdadeira do “verdadeiro contra o falso”; mas que fica reduzida na forma de polarizações simplificadoras do mundo social complexo visando apenas escamotear nuances importantes sobre a complexidade dos problemas históricos, sociais, econômicos, políticos, éticos educacionais etc. cuja compreensão, para cada um de nós, necessita e subentende uma formação, anterior e solidificada, educacional cidadã democrática inclusiva e participativa para a vida ética em sociedade.

Já o outro falso valor, que continuará o jogo com o individualismo passivo, é o valor que proverá o modo do indivíduo “agir” no mundo, o modo ativo: este falso valor é o da competição.

Assim, o individualismo, que caracteriza a postura passiva do indivíduo infantilizado diante do mundo, se complementa com o outro falso valor liberal da competição, que dará o tom da atividade de todo indivíduo alienado frente ao mudo e ao próximo. Portanto, em vez do caminho de uma consciência ética aprofundada, o que teremos será, pelo reflexo da competição liberal que o indivíduo alienado abraça, a manutenção diária da disputa e do reflexo constante da vontade de vingança.

A competição será o falso valor que caracterizará a posição ativa deste indivíduo infantilizado e solitário diante do mundo. Portanto, a sociedade dos ideólogos liberais iluministas (os racionalistas do século XVIII até hoje), a dita sociedade fraterna, livre, igual diante da lei, autônoma, racional blá, blá, blá … gerou, hoje, na verdade, uma antítese a tudo isso: uma sociedade de adultos totalmente infantilizada e afogada no sentimento de vingança e ódio ao diferente, ao próximo, por causa de sua insuperável baixa autoestima infantil.

Nossas sociedades burguesas liberais capitalistas atuais, após quinhentos anos de individualismo e competição, são a prova cabal de que estes falsos valores liberais e burgueses não têm vida interna e nem índole para gerar e prover uma sociedade que eleve a humanidade, que a melhore. O individualismo e a competição liberais são os símbolos eficientes do rebaixamento e da decadência humanas.
  
Assim, é na verdade com o individualismo que uma sociedade vitimista tem sido construída, uma sociedade de vítimas que querem se vingar, por se acharem sempre preteridas na repartição das coisas, mesmo quando já têm tudo de que precisam. Uma sociedade de indivíduos reivindicadores apenas de seus interesses particulares. E que se sentem sempre como os únicos centros de referência e os principais a sofrerem as más consequências da vida política e social: sempre as vítimas. Vida política e social diariamente demonizada pela mídia golpista. Daí que o próximo passo para trás de uma sociedade individualista das vítimas será também, e necessariamente, o de uma sociedade da “vingança”. Primeiro contra a vida política que depois se expandirá até se tornar uma vingança generalizada contra todo compatriota que pense diferente, que seja diferente. Vingança dos que se sentem vítimas, como crianças que choram por lhes terem sido tirados os objetos de seu prazer, objetos relacionados sempre ao seu ego infantil. E vingança que se expressará por meio de soluções sempre imediatistas e violentas aos problemas sociais e políticos complexos que demandam “justiça para os excluídos”. Isso pela falta de consciência ética que elevaria o sujeito ao amor ao próximo que sofre.   

Assim, esse vitimismo pequeno burguês das sociedades liberais seria sem objeto definido, se a mídia golpista não lhe desse um todos os dias. Este objeto definido de ódio do individualista competitivo pequeno burguês é a vida política, o que ela representa e a ela se relaciona. Assim, nessa sociedade liberal das vítimas vingativas, os indivíduos pequeno burgueses infantilizados se queixarão por terem de pagar impostos, sempre vistos como expediente para sustentar vagabundos, que são sempre os outros, os semelhantes os próximos. E como a coisa pública não existe para o individualista, mas apenas o universo que gira em torno do seu umbigo, os impostos são sempre sentidos por ele como “seu” dinheiro furtado pelo Estado que é sempre ladrão. Quando na verdade, é uma pequeníssima parte de um bem que é público, comum e que deve servir a toda sociedade da qual este indivíduo alienado faz parte, depende essencialmente e da qual também usufruirá.

Os individualistas veem-se como vítimas por se considerarem mais trabalhadores que os outros. Mais honestos do que os outros. Por serem os únicos que têm dado duro na vida e foram injustiçados na apreciação dos méritos. E é assim que, sendo as sociedades liberais sociedades fragmentadas, fraturadas, dilaceradas, sem a possibilidade de geração do sentido de vida comum, do sentido de uma comunidade de destino baseada no respeito à dignidade humana e na solidariedade, sua queda fatal – já que é sociedade maniqueísta, sem nuance, com os problemas complexos, sociais e políticos, simplificados em fórmulas prontas que não exigem “racionalidade” – será sempre no contrário a isso: a sua autodestruição através do ódio à vida política, à vida pública, mantido pelo individualismo competitivo.

Assim, as sociedades liberais capitalistas individualistas são necessariamente sociedades doentes, esquizofrênicas. E daí que a psicologia mais em moda nessas sociedades seja a psicologia empirista comportamental cujo modelo padrão, como vimos no texto 3 anterior, é oferecido pelo psicólogo estadunidense Skinner. Uma psicologia que visa sempre a adaptação, a adequação, a instalação burguesa dos indivíduos. Mas sempre nos moldes e inspirada no método de Pavlov, que descrevemos no texto 2 desta série: em vista da obtenção de repostas padronizadas a partir de reflexos condicionados por parte dos indivíduos alienados.      

Assim, nas sociedades liberais como a nossa, esse sentimento de vingança generalizada para com o outro, ou próximo diferente, se orienta para o mundo social e se amplia, tornando-se indiferença destrutiva (que é um tipo de vingança velada para com a natureza, o meio ambiente). Mas que cresce e se amplia cada vez mais envenenando toda a sociedade. Ao ponto de concretizar-se frente a um objeto obscuro e abstrato graças à demonização diária da vida política e social pela mídia golpista. Até se tornar um desejo de vingança que se amplia e se torna um sentimento de vingança em relação aos outros seres humanos e mesmo a todo o universo. Ao chegar a esse nível de decadência, a sociedade doente entrou na esfera do fascismo: ódio a tudo e todos. Eis o mundo propriamente demoníaco instaurado! 

Com isso, as sociedades liberais individualistas e competitivas, ao invés de proverem os meios para o aprofundamento da consciência ética pelo caminho de formação da criança para uma vida adulta cidadã, democrática formal não liberal, inclusiva e participativa, fazem o contrário: recalcam, em adultos infantilizados, um sentimento de ódio e vingança a todo outro diferente, a todo semelhante, a todo próximo que se expande como ódio generalizado até mesmo ao meio ambiente vital. Ódio a todo outro que deverá ser combatido e mesmo destruído, e não respeitado na vida em sociedade. Um outro sempre abstrato que nunca chegará a se tornar nem meu semelhante e muito menos meu próximo. Pois a vida política e social demonizada não dá condições para a geração do sentido de uma comunidade de destino com compatriotas alcançados eticamente como nossos próximos diferentes.

Assim, com a permanência da hierarquia de valores da ideologia liberal fundada no individualismo e na competição, afirmada na vida em família, nos currículos escolares, nas pregações religiosas (todas elas) e reforçada e confirmada diariamente pela mídia golpista na vida em sociedade, nunca chegaremos à civilização ética que sonhamos e que se conclui na nossa consciência como respeito à dignidade do próximo diferente, aos demais seres e ao meio ambiente comum.       

Todavia, esse disparate, essa doença, essa esquizofrenia liberal não é fortuita, não vem do nada. Está em plena sintonia com uma crença liberal que podemos considerar como um dogma de sua religião laica. A de que o investimento no egoísmo dos indivíduos solitários, o investimento num estilo de vida em que cada um busque apenas os seus próprios interesses, em detrimento dos dos outros, é o que gerará, num futuro que ninguém sabe quando, a equidade e justiça social tão esperada por todos!

Ou seja, na religião laica da ideologia liberal, o liberal “acredita piamente” que o investimento no egoísmo gerará a justiça social e a solidariedade e fraternidade entre os seres humanos um dia! Acredita que o investimento na violência e na guerra gerará a paz! Acredita piamente que o investimento no ódio gerará o amor!

Vemos que se trata aqui, quando falamos da ideologia liberal, de uma verdadeira “religião laica mórbida e doentia que aposta na morte como caminho para se chegar à vida”!  

Ainda não nos demos conta da capacidade de destruição dessa religião liberal laica mórbida, dualista e decadente, que prega seus dogmas todos os dias nas casas de todos os brasileiros e brasileiras como verdade sagrada por seus profetas autorizados: as famílias quadrilhas donas dos meios de comunicação de massa. Estes, os que podem proferir seus oráculos sagrados sem que sejam questionados, (os falsos jornalistas, economistas chinfrins, e pseudos técnicos) enfim, os “falsos profetas e sacerdotes da pseudo verdade na gnose liberal e hierarquista”, são os únicos que sabem como “as coisas realmente são”!

Para a mente liberal elitista e, portanto, gnóstica, o povo é apenas massa sem forma que deve ser moldada com base em estatísticas matemáticas como mero objeto de manipulação. E isso para ser transformado em coisa útil dentro do círculo vicioso produção-consumo da falsa economia fora dos eixos capitalista. Nesta, os indivíduos que compõem a massa deformada devem ser transformados em consumidores. Em coisas consumidoras de outras coisas. Com tudo dentro do círculo vicioso de um esquema de produção-consumo liberal capitalista desvinculado das necessidades reais e concretas da vida humana em sociedade.

Massa de indivíduos sem face e sem nome, anônimos, enquadrados em nichos do chamado “mercado de consumo de coisas especificas”. Massa de indivíduos sem face dominados em suas “preferências e escolhas individuais” por estatísticas matemáticas sempre orientadas pelos símbolos de status e poder fornecidos nas sociedades liberais burguesas pela mídia golpista aos que podem comprar e consumir estes símbolos. Massa de indivíduos sem face que, transformados em indivíduos-consumidores, por sua vez, podem ser negociados também como coisas no mercado das coisas dentro das agências de publicidade da mídia golpista, negociados entre ela e seus clientes.

Como vemos, é então o falso valor da competição que complementa e dá o tom do tipo de sentimento que caracterizará toda atividade no mundo por parte do indivíduo solitário, com reflexo de proprietário, vingativo e fraturado gerado nas sociedades liberais capitalistas. E este sentimento será sempre o de vingança.

É por isso que uma sociedade que pretende gerar o sentido de uma comunidade de destino, que pretende criar o sentido de uma vida social e política que respeite a dignidade humana do próximo diferente e a natureza, tem de se livrar da ideologia liberal. E o primeiro passo político para esse livramento é essa libertação axiológica, libertação dos falsos valores do individualismo e da competição etc. por meios de sua substituição, nos currículos escolares, pela compreensão de quem é o ser humano herdada da ideologia liberal burguesa ocidental e o que significa realmente vida civilizada.

Substituir a noção do indivíduo liberal solitário, egoístico e vingativo, pelo conceito de “pessoa relacional”. E substituir o tipo de relação com as demais pessoas e o mundo, caracterizada pela competição e a vingança, pelo valor da “cooperação e colaboração”. Isso se realmente quisermos uma sociedade justa e de paz real e perpétua (não kantiana). Uma sociedade democraticamente formal, não liberal, inclusiva e participativa, com um Estado de direito sob instituições justas controladas pelo “poder moderador do povo”, e não mais sob a égide do formalismo liberal perigoso de Montesquieu. Poder do povo formado por pessoas comuns da vida social (que sabem o que é falta de justiça) e que possam emitir um tipo de “contraditório ao poder estabelecido” sempre renovado em vista do aperfeiçoamento do exercício do poder político em vista da justiça. Um contraditório que limite o poder das esferas não mais no plano de uma intra-disputa circular destas mesmas esferas de poder, criada por Montesquieu. Mas que faça com que o poder delegado pelo povo, e que se expressa nas esferas de poder institucionais, seja controlado, de maneira reflexiva, a partir do volume e “intencionalidade sempre pessoais” que vêm do próprio ímpeto de poder delegado que se voltará contra o agente ao qual foi delegado tal poder: isso se chamará “real justiça”. (Em uma sociedade de pessoas e de um Estado responsável, não há mais espaço para a quimera liberal chamada “agente neutro ou espaço de poder neutro”; tudo se dinamizará sob a égide da responsabilidade pessoal.)
E daí, finalmente, teremos a fórmula de Jesus Cristo sendo aplicada: “aquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão”. (Lucas 12.48b); “Vocês, porém, não serão chamados mestres, porque um só é vosso mestre, e vocês todos são irmãos” (Mateus 23.8); “ … não vos torneis, muitos de vós, mestres, pois sobre os que desejam tal coisa haverá maior rigor” (Tiago 3.1).
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* Bacharel, licenciado, mestre e doutor em filosofia pela USP; bacharel em teologia pela Faculdade Teológica Batista de SP; pedagogo licenciado pela FALC; autor de artigos de filosofia em veículos especializados e livros coletânea; autor do livro *O cristianismo ateu de Pierre Thevenaz* (no prelo); tradutor de mais de trinta livros nas áreas de filosofia, ciências da religião, ciências humanas e teologia; músico profissional (guitarrista) e jornalista. Colunista do Cartas Proféticas.

Leia mais e compartilhe, também:

– A “direita veio para ficar”, nada é para sempre e a bronca do Padre Juarez de Castro.

– Bate papo com Dom Orvandil, Arcebispo Primaz da Igreja Católica Anglicana.

– MOPAMG (Movimento Popular Anti Mídia Golpista): texto 3.

– Em defesa das políticas de cotas na UEG.

– Vivemos a amargura do juízo de um fim de mundo com desconfortáveis dores de parto do novo!

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Um comentário

  1. Este é o 4° e último texto que completa a série de respostas à pergunta: "Por que a mídia golpista brasileira lida apenas com os efeitos dos problemas sociais e políticos e nunca com suas verdadeiras causas?" Neste texto de conclusão, o prof. Dr. Daniel da Costa elucida quais são os (falsos) valores de base (o individualismo e a competição) que condicionam e fazem com que a alienação promovida pelas quadrilhas golpistas donas dos meios de comunicação no Brasil, a começar pela quadrilha Marinho, continuem exercendo seu poder de dominação sobre as mentes dos brasileiros sem que sejam questionadas. No final do texto, o autor esboça algumas linhas sobre um possível modelo de "controle do poder pelo próprio poder", pelo qual busca superar o modelo tripartite clássico, e ultrapassado, legado por Montesquieu: legislativo, judiciário e executivo. Este modelo liberal de contenção do abuso de poder, baseado na separação das esferas, é viciado pelo corporativismo, hierarquismo burguês, exclusão de real participação democrática e pela falácia da "neutralidade liberal" do agente público humano (investido de poder pela sociedade civil) em sua ação sobre a sociedade civil: principalmente os agentes do poder judiciário. Acesse, leia e compartilhe, por gentileza: http://cartasprofeticas.org/mopamg-movimento-popular-anti-midia-golpista-4o-texto-analise/

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