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MOPAMG (Movimento Popular Anti Mídia Golpista): texto 3

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Daniel da Costa*

Texto 3: neste texto, continuaremos a responder à pergunta: Por que a mídia golpista brasileira lida apenas com os efeitos dos problemas sociais e políticos e nunca com suas verdadeiras causas? Assim, para uma melhor compreensão deste problema, é muito importante que você tenha lido com atenção a Primeira e Segunda Partes anteriores ao presente texto.

Até aqui temos enfatizado que a intenção da mídia golpista brasileira é tratar seus leitores, ouvintes e telespectadores como animais irracionais. Desrespeitando sua dignidade humana e sua capacidade racional. Afirmamos que a mídia golpista faz isso a fim de obter sempre respostas padronizadas e esperadas por ela. Já que os indivíduos que lhe dão ouvidos ficam expostos apenas aos efeitos dos problemas que são sempre apresentados cobertos pelo verniz e as cores colocadas pela mídia golpista, e nunca à luz de suas verdadeiras causas.

A mídia golpista faz isso para que os indivíduos não cheguem à verdadeira fonte dos problemas brasileiros – que é a própria mídia golpista! Pois é ela quem demoniza a vida política todos os dias e joga, numa mesma vala comum, todos os políticos, menos os que ela protege, (como os ladrões traidores da nação do PSDB … por exemplo). É a mídia golpista que gera uma população despolitizada e alienada que não consegue sair de um círculo vicioso criado por ela; círculo vicioso que tem em vista a destruição, desde a raiz, de todo e qualquer ensejo ou projeto de construção de uma democracia formal não liberal, inclusiva e participativa no Brasil.  

Nós dissemos também que a mídia golpista impede que as pessoas pensem os problemas políticos e sociais em termos de história, em termos de tempo. Em termos do esquema racional humano de causa e feito que implicaria a percepção, pelas pessoas, dos problemas políticos e sociais com base na estrutura de um antes e um depois no tempo histórico. Dissemos também que a mídia golpista brasileira consegue fazer isso porque infantiliza a sociedade, mantendo as pessoas adultas em um nível sempre infantil de consciência. Já que a infância humana, marcada por uma forte concentração da criança no seu próprio ego em estruturação, é a fase que mais nos aproxima da vida animal irracional e irrefletida.

Os animais irracionais, por manterem uma vida irracional e fechada em sua estrutura de instintos, emitem respostas imediatas e sempre padronizadas a partir do condicionamento e controle dos seus instintos por parte do adestrador através do reforço de estímulos sempre repetidos na alma animal, até que baste apenas os estímulos para que se gere o comportamento animal desejado. Este esquema de dominação é o mesmo utilizado pela mídia golpista brasileira (e mundial) sobre seus telespectadores, ouvintes e leitores.

Todavia, como dissemos também, o ser humano vive em sociedade política que é o modo pelo qual nós, humanos, construímos nossa humanidade. Pois a humanidade não é uma coisa acabada. Está em construção na história e por isso é sempre perfectível. Pode se aprimorar ou decair. A sociedade política, a vida em comunidade, é o tipo de vida que a humanidade escolheu como meio pelo qual pudesse estabelecer os caminhos de desenvolvimento de nossas potencialidades humanas. A humanidade, então, não é um conceito abstrato, mas concreto e histórico que se transforma com o tempo, tanto para melhor quanto para pior. Assim a escolha da vida política, da vida em sociedade, ou vida comunitária, como o nosso principal meio de humanização, é incompatível com a visão e intenção da mídia golpista brasileira de demonização da vida política e de redução do individuo à irracionalidade animal. A mídia golpista sabe disso, mas não desiste do seu intento porque conseguiu encontrar, no rebaixamento dos seus ouvintes, leitores e telespectadores, um caminho para aplicar e manter seu adestramento sem que ninguém a coloque em questão sobre suas pretensões de dominação político-ideológica. Ora, isso não tem nada a ver com um projeto de educação para a cidadania e a democracia formal não liberal, inclusiva e participava, que queremos construir e que é o modelo que mais se alinha ao processo civilizatório. Pois o projeto da mídia golpista brasileira se alinha à manutenção da barbárie, da violência como elemento estrutural nas relações humanas em todos os níveis: educacional, econômico, religioso, artístico, esportivo, enfim “social e político”. E deste projeto nefasto que as quadrilhas donas dos meios de comunicação vivem.

No texto 2 desta série, expusemos que o método de adestramento imposto pela mídia golpista é inspirado no método do psicológico Pavlov, que viveu em meados do século XIX e começo do XX. Pavlov desenvolveu sua pesquisa e aplicou seu método sempre em animais, a saber, em cachorros. E obteve de seus cães os chamados reflexos condicionados. Que são repostas padronizadas aos estímulos que Pavlov criava artificialmente, em laboratório. Mas o método reduzido de Pavlov, que se deteve em compreender como obter respostas padronizadas a partir da estrutura instintiva interna aos animais, não levava em consideração a cultura, que é uma criação humana. Os animais não escrevem livros, não fazem política, nem leis e nem narram poesia. De fato, a cultura é tudo aquilo que o ser humano fabrica e elabora em vista de transformar os elementos brutos da natureza, por meio de suas idéias e teorias, para criar o seu mundo, que é o mundo humano social e político: o mundo cultural.

Desta forma, dissemos que, para aplicar o esquema reduzido de Pavlov na intenção de obter reflexos condicionados de nós seres humanos, seria necessário um método psicológico que levasse em consideração também a cultura humana. Que integrasse a cultura humana no método de Pavlov que visava obter respostas padronizadas a partir da estrutura instintiva dos animais irracionais por meio de reflexos condicionados, e não dos seres humanos, seres culturais em sua condição histórica. E isso considerando que a cultura humana é um fenômeno que não se explica e não se reduz simplesmente a nossa estrutura instintiva, como se fôssemos apenas animais irracionais. Ora, esse método que integrou a realidade da cultura produzida pelos seres humanos no método de condicionamento comportamental animal pavloviano foi elaborado e desenvolvido por um seguidor de Pavlov. O psicólogo estadunidense do comportamento, Burrhus Frederic Skinner, nascido em 1904 e falecido em 1990.

Skineer, adotando o esquema reduzido do comportamentalismo animal que Pavlov mantinha no trato com os cachorros, ampliou este método do comportamentalismo e o aplicou à realidade humana levando em consideração o dado que Pavlov não levava no seu trato com os cachorros: a cultura humana. Mas enquanto Skinner ampliou o raio de aplicação do método comportamental, considerando o ser humano como ser cultural e não apenas dotado de estrutura instintiva, como os animais irracionais, ao mesmo tempo, Skinner radicalizou o método comportamentalista reducionista. Pois a “cultura”, para Skinner, é entendida com “um dado a mais considerado dentro do esquema reducionista de Pavlov”.

Para Skinner, a cultura humana é entendida como o modo pelo qual a humanidade conseguiu superar a falta em si de uma estrutura instintiva, tal como existe nos animais. Todavia, para ele, a cultura humana não se define como outra coisa que “o caminho que os seres humanos encontraram para apoiar seus valores mas que, afinal, sejam quais forem estes valores, no final das contas, se reduzem todos à necessidade de adaptação biológica da espécie humana ao meio”. No caso, adaptação da espécie humana ao mundo que a própria humanidade criou: o mundo cultural. Assim, Skineer, por causa do seu gosto e empenho “liberais” tipicamente estadunidenses em tentar encontrar os meios de “controlar” a liberdade humana para fins de uniformização da sociedade humana, acabou por reduzir o fenômeno da cultura humana a um mero apêndice contíguo ao que este psicólogo liberal naturalista (racionalista da religião da natureza) chama de “natureza”.    

Para vermos a influência que este tipo de psicologia comportamentalista da adaptação tem na vida estadunidense, basta-nos assistir aos filmes de Hollywood. Neles veremos, de maneira clara, na sua produção artística midiática, a aplicação dessa psicologia reducionista inspirada no método de Skinner. Nestes filmes, a tônica fundamental para a solução de todos os problemas, sejam problemas individuais ou sociais daquele país, segundo a visão dos estadunidenses, gira sempre em torno da “ideologia da adaptação, da necessidade de adequação e de instalação social do indivíduo inadaptado”. Tudo fica enquadrado na intenção fundamental da adaptação social. Este apelo ideológico, por meio da produção cultural midiática e cinematográfica estadunidense, visa chegar a uma adaptação sem contestação possível por parte do indivíduo e da sociedade estadunidenses ao esquema sócio cultural e econômico vigente naquele país. Este esquema, porque se trata de uma “desconfiança visceral vinda da ideologia liberal quanto à liberdade real da pessoa humana relacional e dialógica”, busca sempre a imposição do domínio até no nível da consciência de cada indivíduo competitivo liberal. Como vemos, este um ideal sonhado por todos os regimes ditatoriais, fascistas, totalitários e nazistas: um domínio total mantido “dentro de cada indivíduo” padronizado pela sociedade burguesa, capitalista liberal do consumo”.

Esta “ideologia da adaptação”, que segue em linha com a parte ideológica burguesa que consta na teoria da evolução darwiniana (evolução da espécie como “adaptação” do mais forte, e não como inadaptação do “mais livre” – ou seja, da pessoa relacional e dialógica; portanto, nenhuma elaboração científica está isenta de ideologização), segue em linha com a fórmula tradicional reducionista e biologista da tradição empirista que, por sua vez, é resultado da ideologia liberal anglo-saxônica e do racionalismo ocidental: mais uma vez, para notarmos o quanto formulações pretensamente objetivas e científicas se ancoram em valores e visão de mundo específicos. Esta visão de mundo anglo saxônica se encontra difudidad e espalhada por todo mundo, e hoje é fomentada e encontra seu principal lugar de difusão nos EUA. Assim, como vimos, esta tradição reduz a existência humana, o fenômeno cultural mesmo ligado a esta existência, aos reflexos imediatos de manutenção da vida biológica que constam como: alimentação e perpetuação da espécie na base de reflexos de ataque ou fuga. (Conforme o cerne da tese do inglês Thomas Hobbes já no século XVII.)  

Ora, este tipo de psicologia, que a produção cultural majoritária dos EUA aplica tanto aos seus indivíduos como a sua sociedade, é o mesmo tipo que as mídias de países capachos, como o Brasil, assumem e também aplicam em sua visão sobre o significado da vida individual e coletiva dos brasileiros por meio da mídia calhorda e golpista que nestes países existem. Tanto lá nos EUA como aqui no Brasil a intenção da dominação simbólica imposta pela mídia golpista visa fazer os indivíduos se contentarem até o nível de se sentirem felizes por levarem esse tipo de vida diminuída e imbecilizada. Uma vida acomodada, instalada, adequada, adaptada: uma vida de escravo que se contenta em ser um mero objeto de uso.  Tanto lá (EUA) como aqui (Brasil), esse modelo de adaptação burguesa é o que serve para manter o conformismo social, que em profundo tem em vista que o projeto de decadência e morte da humanidade e do meio ambiente seja constante e eficaz. E de tal forma que, sempre que as estruturas de dominação tradicionais sejam ameaçadas, estas sociedades fiquem sempre a um passo na queda para modelos de política ditatorial e fascista. Isso porque, como temos notado, os indivíduos destas sociedades, acostumados ao arbitrário e à aceitação passiva de palavras de ordem da mídia golpista, caem facilmente para posições fascistas e ditatoriais.

Hoje, é bom que se diga, a teoria e o método dessa psicologia reducionista estadunidense se encontram presentes não apenas nas intenções de dominação simbólica da mídia golpista brasileira, mas também nos currículos escolares e universitários brasileiros, dominados pela ideologia liberal e seus falsos valores [individualismo e competição], ainda não revisados criticamente, permanecendo como verdades incontestáveis e eternas sobre a natureza e a vida humana cultural. Como bom senso científico sobre o que é a vida em geral e a vida humana em particular.

Ora, a mídia golpista brasileira tem sabido tirar proveito, na aplicação deste método mortífero, dessa psicologia reducionista sobre a vida das brasileiras e brasileiros, e tem obtido resultados espantosos em termos de dominação simbólica e geração de certa unanimidade na dita opinião pública das massas. A mídia golpista brasileira tem conseguido criar uma narrativa sobre o que é o Brasil e o brasileiro que tem se instalado no mais íntimo de cada indivíduo brasileiro alienado. E com base nessa narrativa tem conseguido “nadar de braçadas” na construção de seu mundo diário de mentoras e hipocrisias. Afastando as brasileiras e brasileiros da verdade sobre quem eles são e o que é o seu país.      

Como liberal e racionalista que era, “sempre de bom coração e com a melhor das boas intenções”, Skinner entendeu a cultura produzida pelo ser humano como uma continuação de sua condição meramente animal. Entendei por Skinner como tal, era preciso encontrar os meios próprios para se conseguir a adaptação perfeita dos indivíduos a ela. Para esse fim, Skinner não podia ver a cultura como algo à parte da condição animal reduzida. A cultura seria então, para Skinner, a expressão de como o “animal humano” construiu sua maneira de adaptar-se ao meio ambiente. Se os animais, em a evolução da espécie na base da adaptação darwniana, conseguiram isso, em certo aspecto por meio do recurso a sua estrutura interna instintiva, logo, os seres humanos, segundo Skinner, conseguiram isso por meio da criação de sua cultura. Assim, leis, política, ética, religião, vida social, mundo do trabalho etc., para Skinner, devem ser entendidos sob o símbolo burguês liberal como expressões da necessidade do ser humano de se adaptar, se conformar, se instalar ao status quo social burguês dado, como dado eterno e natural, sem contestação possível. Tudo como mera expressão de uma necessidade de adaptação, por parte dos indivíduos.

Assim, para Skinner, um liberal racionalista burguês estadunidense, sua teoria pretende ser uma referência ao ser humano em geral, à humanidade. Mas, na verdade, em seu método, Skinner descreve não a condição universal de toda humanidade em todos os tempos e espaços, mas a vontade e o reflexo tipicamente burgueses do indivíduo estadunidense liberal de classe média que ele, Skinner, representa.

Skinner não desconfia que seu método expressa uma ideologia, e o considera um método objetivo e neutro de aplicação geral. Assim, Skinner, quando faz a descrição do comportamento humano, pretende estar se referindo à humanidade como um todo. E não às sociedades liberais burguesas ocidentais, datadas historicamente a partir do século XV, e nem à sua sociedade estadunidense que hoje representa o antro de maior difusão dessa decadência sobre a face da terra. Sociedades sempre preocupadas em conservar seu status quo e as instituições burguesas que asseguram a permanência delas sem alteração, em detrimento da liberdade das pessoas e da justiça. 

Portanto, como todo liberal típico bonzinho, sempre na melhor das boas intenções, Skinner pensou um método pelo qual os seres humanos pudessem ser felizes ao se adaptarem, se integrarem e se instalarem nas sociedades liberais burguesas que propõe seu sonho de felicidade (de salvação) típico que exige plena adaptação. E já que, para Skinner, a sociedade estadunidense era o resultado do melhor dos mundos possíveis a que a humanidade tem chegado, o problema estaria então em forçar o indivíduo não adaptado, não integrado à sociedade. A felicidade, para Skinner, viria então da capacidade de adaptação, de integração do indivíduo ao seu mundo cultural, social e político, que não passa de mundo mera continuação ao mundo natural do “salve-se quem puder”. E, daí, o Estado mínimo liberal, para Skinner, deveria ser mínimo em tudo: menos na produção e fomento da indústria bélica; indústria de armas de destruição cada vez maiores porque mais potentes, e na manutenção da guerra por todo o resto do mundo. Exatamente isso, mesmo que o senhor liberal, bondoso e caridoso Skinner, nunca tenha concluído de suas pesquisas tão racionais, objetivas e científicas.  

Esse método se divulgou em todo mundo e tem sido amplamente aplicado pelas mídias golpistas de todos os países que acham graça e beleza na decadência estadunidense que se oculta por trás dos filmezinhos açucarados de Hollywood. Assim, toda dominação midiática golpista age como se o mundo liberal e burguês, e seus falsos valores históricos e datados do individualismo e competição, fossem universais, eternos e representassem a última palavra sobre quem é o ser humano, sobre quem é a humanidade em seu último estágio de evolução cultural. Assim, tanto os falsos valores como as sociedades e instituições liberais burguesas são tomadas como eternas, naturais e mesmo divinas. Já que devem ser aceitas sem contestação pelo indivíduo e as massas adaptadas.

Portanto, é o método de Skinner que tem dominado a base psicologista desta ideologia burguesa e liberal da adaptação. E não é por acaso que é essa mesma ideologia da adaptação que vigora nas mensagens da mídia golpista brasileira todos os dias. Com o agravante de que, aqui, a mídia golpista pode contar sempre com o reforço do elitismo e de reflexos escravagistas, que ainda estão presentes na nossa cultura. Com o ainda também presente hierarquismo social brasileiro, sempre baseado na autoridade autoritária das oligarquias e dos que detém algum símbolo de status e poder social sobre os que devem obedecer sem contestação: coronelismo do século XIX.

Assim, de modo geral, para o indivíduo alienado brasileiro, a polícia esta sempre aí para prender os criminosos e proteger o cidadão de bem, por isso deve-se respeitar a polícia, que está sempre certa no que faz. O judiciário está aí para julgar de acordo com a lei, por isso deve-se respeitar os juízes, desembargadores e promotores, pois sempre estão certos no que fazem. O exército está aí única e exclusivamente para proteger o país e sua soberania, por isso deve-se respeitá-lo. E a mídia está aí sempre para dar informação neutra e diversão gratuita inocente, sem nenhum outro interesse que o lucro normal como empresa que vende seus espaços de anúncio publicitário.

Para os que não desconfiam que tudo isso é uma mentira vazia, num mundo tão harmonizo como esse, tão regulado e em tão bom funcionamento, só indivíduos arruaceiros e perigosos vêem problemas. Assim, para os conservadores, o problema destes sujeitos baderneiros é sempre a falta de adaptação. Daí a criminalização diária dos movimentos sociais de contestação, dos sindicatos, dos partidos progressistas etc. pela mídia golpista brasileira. Daí a criminalização e demonização diária de todo ato de greve que conteste o status quo imposto pelas oligarquias brasileiras tradicionais. Imposto pela minoria endinheirada brasileira que se acha proprietária do país e do bem comum. Proprietária da riqueza nacional e do orçamento público que, na verdade, pertence a todo povo brasileiro sem distinção e são os instrumentos de justiça distributiva.

Assim, a mídia golpista brasileira, para aplicar o método de adaptação e instalação liberal burguesa desenvolvido por Skinner dentro do seu esquema de dominação simbólica, antes de tudo, deve dominar e determinar qual vai ser a narrativa social e política que os indivíduos brasileiros devem repetir uns para os outros todos os dias. Pois é pela narrativa social e política que nós contamos, para nossos filhos e netos, quem nós, brasileiras e brasileiros, somos. É pela narrativa social e política que nós transmitimos, aos nossos descendentes, as idéias e sentimentos que temos sobre quem é o nosso país e quem é o nosso povo. É pela narrativa social que nós nos construímos nossa identidade como nação, como povo. Ora, com o exercício de domínio desta narrativa, a mídia golpista brasileira consegue determinar como os indivíduos brasileiros devem contar sua história, e qual história devem contar para os nossos descendentes. Não é difícil de perceber que essa história contada pelos indivíduos reféns da mídia golpista será sempre uma história baseada na versão imposta pelas quadrilhas midiáticas donas dos meios de comunicação. E nunca uma versão real construída pelo próprio povo brasileiro e baseada na vida real e no que de fato é e acontece no Brasil.

Para estabelecermos uma imagem de qual é o papel exercido pela narrativa que um povo assume e conta para seus descendentes, imaginemos a superfície de um mar com águas tranqüilas. Ao olharmos estas águas só na superfície, temos a sensação de calmaria e paz. Todavia, não percebemos a vida pulsante e ativa nas regiões mais profundas das águas, pois estas não nos aparecem. Pois bem, ao dominar a narrativa social e política, a mídia golpista cria nos indivíduos a sensação de que, apesar dos problemas (sempre ligados à vida política, que é demonizada diariamente pela mídia golpista, e aos políticos, todos também criminalizados pela mídia golpista, menos os políticos seus parceiros de crime), tudo está sob controle. Pois com o sentimento de posse da narrativa sobre o surgimento e o desenvolvimento dos problemas do Brasil através dos meios de comunicação golpistas, o indivíduo despolitizado e alienado se sente em paz, mesmo com o mundo todo desabando sobre ele. Pelo domínio da narrativa, a mídia golpista consegue uma proeza digna de um deus ou demiurgo: ela consegue dizer o que existe e o que não existe aos alienados. Assim, o que existe, segundo a narrativa da mídia golpista, é a superfície, com tudo sob controle. O que faz com que a vida que se movimenta abaixo da superfície do mar social, que nunca é mostrada pela mídia golpista, simplesmente não exista para estes indivíduos.      

Pelo domínio da narrativa, que visa sempre a instalação e adequação do indivíduo ao status quo social mantido pelas oligarquias e defendido pela mídia golpista, então, cria-se a sensação de que o mundo que existe, a sociedade que existe, é a melhor possível. E que a melhor solução para o indivíduo e as massas é se adaptarem, se acomodarem, se adequarem ao status quo. Encontrarem, cada qual, seu lugarzinho ao sol nas sociedades burguesas liberais e ficar ali bem quietinho.

É pela narrativa comandada e dominada pela mídia golpista, e assumida pelos indivíduos alienados, que se mantém, nestes mesmos indivíduos, a sensação de que, apesar de tudo na vida política estar sempre ruim, segundo a demonização diária da mídia golpista, existe uma paz da qual eles, os indivíduos alienados, se simplesmente se adaptarem, se instalarem, se acomodarem, usufruirão. A mídia golpista brasileira cria a dificuldade (demoniza a vida política e social e os políticos diariamente) para vender sua facilidade (dar aos indivíduos alienados a sensação de que, pela posse da narrativa criada e dominada pela mídia golpista, eles encontram estabilidade psicológica, individual; enquanto a estabilidade social fica a ser conquistada pelo uso do poder da força e de repressão do Estado, que nesse quesito não pode ser diminuído em nada, muito pelo contrário e apesar de todos os males e sacríficos.) Isso porque, as quadrilhas midiáticas sempre contam [e já se acostumaram] com o fato de que os males e desgraças que acontecem em um tal esquema decadente e destrutivo mantido por elas sempre sobrevirão sobre a classe trabalhadora, sobre o povo pobre, e nunca sobre as famílias desta canalha proprietária dos meios de comunicação no Brasil.      

Vemos então como toda essa dominação da narrativa social e política, pelas quadrilhas donas da mídia golpista brasileira, se encaixa perfeitamente com o método da psicologia comportamental desenvolvido por Skinner. Já que este método visa exatamente a mesma coisa: a adaptação, a instalação sem questionamento, por parte do indivíduo, no status quo social e político, cultural.

Sempre, obviamente, com a melhor das boas intenções liberais e burguesas, o que Skinner espera é que o individuo seja “feliz”, ao adaptar-se à sociedade liberal: o melhor dos mundos possíveis. E isso até mesmo ao nível em que esta sociedade dita liberal, para se manter, precise negar a liberdade e estabelecer, a qualquer momento, um regime ditatorial em nome da segurança. Quando a insegurança, que esta mesma ideologia liberal cria diariamente, torna a vida social insuportavelmente insegura.

Assim, sempre no esquema de criar dificuldade para vender facilidade, em nome da segurança, da retomada de uma paz de superfície, uma paz ilusória e sempre falsa, porque baseada na injustiça, as sociedades liberais capitalistas não terão nenhum pudor em se utilizar da guerra e do genocídio, se sentirem que seu domínio da narrativa se encontre ameaçado. Ora, é função de toda mídia golpista, por meios sutis de dominação simbólica, determinar a narrativa social de que “tudo está sob controle”, de que “as coisas são e serão sempre assim”, apesar de todo mal que a própria mídia golpista projeta sobre a sociedade todos os dias. Se esse nível de dominação totalitária sutil falhar, restarão os meios violentos de repressão. É quando a polícia e o judiciário entram em cena para porem as coisas em ordem. Já que aos olhos dos indivíduos alienados pela mídia golpista, o judiciário e a polícia estão aí sempre certos no que fazem ou deixam de fazer: este é o mito da neutralidade da polícia e do judiciário que deve ser destruído em uma sociedade democrática formal não liberal, participativa e inclusiva.

Ora, é o modelo liberal burguês datado e ultrapassado que a mídia golpista brasileira assume e defende todos os dias como ideal a ser mantido e perseguido pelos brasileiros e brasileiras oprimidas. O domínio, por parte da mídia golpista brasileira, desta narrativa, faz com que o povo brasileiro não consiga construir sua própria narrativa sobre si mesmo de maneira autônoma e racional. Uma narrativa que seria, sem dúvida, bem diferente do modelo hegemônico e dominante liberal burguês estadunidense veiculado e defendido pela mídia golpista brasileira todos os dias sem interrupção.

É disso que vem, no nosso país, um problema de tensão social que propositalmente as oligarquias tradicionais não querem que seja resolvido. Pois o caminho para se estabelecer uma narrativa mais plenamente brasileira é o da criação de novas instituições justas, democráticas formais não liberais, inclusivas e participativas. Todavia, o projeto e intenção de instituições como estas são diariamente demonizadas pela mídia golpista. Ao mesmo tempo em que esta mesma mídia golpista reafirma diariamente a defesa, a conservação e o respeito a instituições esclerosadas e oligárquicas comandas pelo princípio autoritário do: elitismo de dinheiro; hierarquismo patriarcalista, machista misógino; exclusão classista, preconceituosa e racista. A saber, o judiciário e a polícia, responsáveis pela manutenção da dita “ordem liberal capitalista”. Que é, na verdade: uma “desordem estabelecida”.

Por outro lado, dentre as instituições mais demonizadas pela mídia golpista, e que se referem precisamente ao apoio à construção de uma narrativa brasileira própria, estão os ministérios da educação e da cultura, sempre os mais atacados e menos valorizados. E agora sabemos o motivo.

Mas como dissemos, em baixo da superfície da falsa paz e calmaria pregadas pela narrativa da mídia golpista, (pois o mundo burguês liberal é construído sobre a injustiça), se encontra o mundo real e agitado dos valores. Assim, a função das instituições de justiça e repressão policial liberais burguesas é garantir que novos valores, mais vitais, criadores e libertadores, não emirjam, não venham à tona. É a esse serviço de contenção, por parte do judiciário e da polícia, que a mídia golpista chama de “por as coisas em ordem”. Toda vez que sua falsa paz de superfície for ameaçada.

Portanto, há um universo de novos valores que, desde às profundezas do mar cultural e social, das profundezas da vida política e comunitária, querem emergir, vir à superfície. Mas há o esforço da mídia golpista em mantê-los abafados, sob pressão. São valores que vêm de baixo, das bases, da vida concreta e real do povo. Valores mais adequados ao nosso sonho de uma nação democrática formal não liberal (por causa da grande extensão geográfica e populacional do Brasil e de outras nações), inclusiva e participativa. Valores mais vivos, mais verdadeiros e mais justos. Mas ao fazerem pressão para substituírem a velharia do mundo liberal capitalista e seus falsos valores esclerosados de morte e engessamento da vida, estes valores biófilos e ascendentes encontram resistência.

No próximo texto, vamos ver quais são estes valores esclerosados do mundo liberal burguês que insistem em permanecer contra os valores biófilos e ascendentes que pedem entrada no novo mundo que, na nossa atual linha do horizonte, pede passagem. E vamos ver melhor seu papel mais básico, mais oculto, abaixo da superfície da narrativa mentirosa e falsa da mídia golpista. Já que estes falsos valores são aceitos, assumidos e vividos pelos indivíduos como se fossem, eles também, eternos e naturais; e não históricos (datados com prazo de validade) e assumidos por uma determinada sociedade em um determinado tempo e lugar.    

No próximo e último texto desta série, que encerrará nossa resposta à pergunta: Por que a mídia golpista brasileira lida apenas com os efeitos dos problemas sociais e políticos e nunca com suas verdadeiras causas? – vamos ver a que custo estes velhos e falsos valores do mundo liberal capitalista, em especial o individualismo e a competição, conseguem ainda se manter, com o apoio da mídia golpista. Mesmo com a pulsante emergência de novos valores mais vitais que nos pedem hoje passagem e acolhimento.

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*Bacharel, licenciado, mestre e doutor em filosofia pela USP; bacharel em teologia pela Faculdade Teológica Batista de SP; pedagogo licenciado pela FALC; autor de artigos de filosofia em veículos especializados e livros coletânea; autor do livro *O cristianismo ateu de Pierre Thevenaz* (no prelo); tradutor de mais de trinta livros nas áreas de filosofia, ciências da religião, ciências humanas e teologia; músico profissional (guitarrista) e jornalista. Colunista do Cartas Proféticas.

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