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Na Paraíba: capitalismo e fundamentalismo na máxima opressão na humilhação dos trabalhadores

Por Dom Orvandil

Desde este blog e na luta , no exercício da dignidade profética, denunciamos  a barbárie do capitalismo na crise orgânica mais acentuada.

O ser humano e o ambiente ecológico nada valem. O único valor é o do lucro, da concentração de renda e do assalto ao Estado, usado para a satisfação do desvario da burguesia, cada vez mais louca no descontrole massacrante dos trabalhadores,  de cuja escravização dependem a luxúria, o egoísmo e a banalização da vida,  impostos pelos patrões mercantis.  

Não denunciaríamos isso se não fosse verdade. Nem defenderíamos a ruptura definitiva com o regime capitalista se os exemplos de maus tratos, abusos e injustiças contra os/as trabalhadores/as não se acumulassem.  

A crueldade na sua expressão mais vergonhosa, humilhante e desumana contra quem de fato produz e cuida da riqueza roubada,  aumenta a intensidade, contando com a alianças danosas e perversas contra os/as trabalhadores/as.

A demonstração mais clara e chocante vem de Paraíba que, “de acordo com o secretário da Saúde estadual, Geraldo Medeiros, estudos indicam que a Paraíba está atravessando o pico dos casos de doença e que os números elevados de casos devem continuar até o final do mês de maio. Na última semana, a ocupação dos leitos em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) saltou de 16% para 58%. O secretário não descarta um colapso no sistema de saúde.

Há 633 casos confirmados da covid-19 e 53 mortes no estado, segundo dados desta terça-feira (28). Há uma semana, em 20 de abril, eram 263 casos. Campina Grande possui 42 casos confirmados.Trabalhadores do comércio ajoelhados em Campina Grande nesta segunda (27)”, informa a redação BdF – PB.

No entanto, como se o medo, o luto e as mortes por causa da pandemia do COVID 19 não bastassem, empresários, associados aos “cristãos” fundamentalistas – já que o fundamentalismo que permeia  igrejas neopentecostais, pentecostais e renovação carismática atuam na defesa do capitalismo e do neoliberalismo – humilham trabalhares/as do comércio sob o pretexto de orarem e louvarem (ao deus do capital), ajoelhando-os na rua para pressionarem a abertura do comércio para favorecer os lucros dos patrões.

A redação da Revista Brasil de Fato da Paraíba descreve assim a barbárie promovida pela casta que se acha dona da cidade, dos trabalhadores e do estado: “a população da Paraíba foi surpreendida por uma cena chocante na segunda-feira (27). Trabalhadoras e trabalhadores do comércio de Campina Grande ajoelhados, fazendo louvores e orações pedindo a reabertura do setor.

Por trás da ação, um protesto organizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Campina Grande ao Tribunal de Justiça da Paraíba que buscava a reabertura do comércio local. A entidade alega que a suspensão das atividades comerciais, em decorrência da pandemia do novo coronavírus, acarretará a falência de diversos comerciantes na cidade de Campina Grande.

Após o ato vexatório, vários comerciários denunciaram anonimamente ao sindicato os constrangimentos a que foram submetidos para que a atividade fosse realizada.”

Mentirosos, como sempre são os patrões, divulgaram a falsa notícia de que a “humilhação” se deu em comum acordo entre humilhadores e humilhados. No entanto,  “o Sindicato dos Comerciários de Campina Grande se posicionou dizendo que “é falsa a informação que este movimento foi organizado e realizado em comum acordo entre as partes”. Pelo contrário, os trabalhadores “foram coagidos a participar do movimento por parte de alguns empresários chefes de algumas empresas, com a ameaça da possibilidade de afastamento dos seus postos de trabalho”.

Nas redes sociais trabalhadores e trabalhadoras denunciaram a barbárie em do vexame a que a  burguesia os submeteu, espezinhando seus direitos.

Wania Azevedo escreveu em sua conta no twitter: “é muito humilhante”.

Renata Araújo também expressou indignação: “muitos estão nesse constrangimento sem querer, porque foram intimidados que convocaram isso aí, enquanto muitos destes patrões estão em casa no ar condicionado passando álcool gel nas mãos e assistindo Netflix enquanto o pai de família vai pegar o vírus no balcão da loja. Lamentável!”

Por isso aumenta a responsabilidade da classe trabalhadora na participação da mobilização popular para varrer esse sistema e seus parasitas malvados e maléficos contra os e os irmãos e as irmãs brasileiras.

Basta de esperança esperada na paralisia e pelas redes sociais. É preciso ir à luta de verdade!

Leia abaixo a nota esclarecedora do Sindicato dos Comerciários

“O Sindicato dos Comerciários de Campina Grande e Região, vem a público informar, que diferentemente do que foi divulgado pelos empresários organizadores do ato que pediu a reabertura do comércio ocorrida na manhã desta segunda-feira (27), e reproduzido por alguns veículos de comunicação da cidade, a categoria não comunga com o pedido de retorno das atividades nesse momento, assim como o Sindicato, entidade oficial representativa da categoria, que em nenhum momento foi consultado pelos organizadores da atividade, sendo assim, é falsa a informação que este movimento foi organizado e realizado em comum acordo entre as partes.

Além disso, vem a público denunciar, que muitos funcionários participantes do referido ato, através de denúncias anônimas, foram coagidos a participar do movimento por parte de alguns empresários chefes de algumas empresas, com a ameaça da possibilidade de afastamento dos seus postos de trabalho. Como também denuncia a postura de alguns empresários, que dada à presença dos representantes da categoria, de maneira agressiva tentaram inviabilizar a fiscalização e o trabalho destes.

Sendo assim, repudiamos veementemente qualquer tentativa de coação aos trabalhadores e trabalhadoras, assim como qualquer pedido de retorno às atividades que desrespeitam as orientações dos organismos de Saúde e as medidas de prevenção e segurança no combate ao Covid-19 e que ponham em risco a saúde dos comerciários e de toda população campinense.

O Sindicato reitera a defesa do posicionamento que vem sendo tomado, desde o início dessa crise, de diálogo e respeito às orientações dos órgãos de saúde competentes, sejam eles internacionais, nacionais, estaduais e municipais, as recomendações do Ministério Público Estadual, Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho, como também o respeito da suspensão das atividades realizadas via Decreto Estadual e acatado pela Gestão Municipal e o retorno gradual das atividades em momento oportuno de resolução dessa crise. O Sindicato ainda defende a manutenção dos postos de trabalho, a garantia de todos os direitos, a defesa da saúde e da vida dos trabalhadores (as) e seus familiares.”

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2 Comentários

  1. […] Outro agente visível e palpável da insanidade popular é o comércio, cujo exemplo se viu em Campina Grande, Paraíba, com a humilhação dos trabalhadores comerciários. Lá os patrões se associaram aos pastores neopicaretas ao obrigarem as pessoas a se ajoelharem nas ruas (reveja aqui). […]

  2. […] – Na Paraíba: capitalismo e fundamentalismo na máxima opressão na humilhação dos trabalhadore… […]

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