daniel samam

“Não sei se é o momento de unir a esquerda” e o povo que se dane (Comentário sobre a entrevista de Freixo à Folha)

A entrevista do deputado estadual e ex-candidato à Prefeitura do Rio em 2012 e 2016, Marcelo Freixo, à Folha de São Paulo de hoje (29), só revelou a ala que é maioria no Rio de Janeiro e que ele representa no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que opta por ser um partido de clara orientação antipetista, que se mobiliza em torno de um moralismo neo-udenista e que recorre a tática eleitoral de ocupação legislativa.

Em nenhum momento da entrevista, Freixo falou sobre a defesa da soberania nacional, da desigualdade social que voltou a crescer no país por conta da superconcentração de renda e do assalto que o capital financeiro promove com total respaldo do consórcio golpista que está de plantão no governo central. De golpe, então, passou longe. Para Freixo, numa conjuntura brutal de retrocessos políticos e sociais, não é hora de buscar unidade do campo democrático-popular e de esquerda, mas de acentuar nossas diferenças, de demarcar, se autoafirmar. E o povo que se dane.

O antilulismo e o antipetismo, como afirmou o camarada José Luis Fevereiro, membro da direção nacional do PSOL, em recente artigo publicado aqui no Blog de Canhota, “são fenômenos sociais conservadores que mobilizam segmentos sociais que sentem perda relativa de status pela ascensão dos debaixo”. Me parece que o PSOL quer superar o PT reeditando o pior do PT dos primeiros anos. O do discurso moralista da Ética. O Freixo deve imaginar que seja possível pegar carona no antilulismo e no antipetismo para alavancar seus projetos e os do PSOL.

No PSOL, parece não haver perspectiva real de poder e, menos ainda, um projeto para o Brasil. Em suma, a entrevista escancara uma liderança e um partido que disputam uma pequena parcela da sociedade através do discurso pautado nos costumes e questões identitárias do que nos grandes temas nacionais.


Daniel Samam é Músico, Educador e Editor do Blog de Canhota. Está Coordenador do Núcleo Celso Furtado (PT-RJ), membro do Instituto Casa Grande (ICG) e membro do Coletivo Nacional de Cultura do Partido dos Trabalhadores (PT).
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