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Não vão calar a nossa voz

Mauro Rubem*

Em pleno mês de março, quando ainda ecoam as comemorações em torno do Dia Internacional da Mulher, eis que o barulho dos tiros que executaram a vereadora Marielle Franco (PSOL) no Rio de Janeiro repercute no mundo todo. É grande o sofrimento que tinha nela uma defensora, uma porta-voz: as mulheres, os negros, os favelados, enfim, aqueles que têm seus direitos mais básicos, os humanos, desrespeitados diariamente.

Marielle não era só a voz dos morros do Rio de Janeiro. Era representante da população marginalizada desse País. Denunciava sem medo a violência policial nas comunidades pobres do Rio, intensificada a partir da intervenção federal na segurança pública do Estado.

Desceu do morro trazendo na bagagem muita coragem para lutar pela igualdade de direitos. Esse é o seu legado, que nunca será esquecido.

Agora é preciso cobrar dos órgãos competentes uma investigação imediata e rigorosa da execução de Marielle e do motorista Anderson Pedro Gomes. Não podem restar dúvidas a respeito do contexto, motivação e autoria desses assassinatos.

Enquanto isso, em Goiânia, tivemos uma outra manifestação de coragem. O início, na Universidade Federal de Goiás (UFG) do curso de extensão e ciclo de debates sobre o golpe de Estado que aconteceu no Brasil em 2016 pelas vias parlamentar e midiática. O assassinato de Marielle tem muito a ver com isso. Ela é sim, uma vítima desse golpe

Embora o ministro da Educação do governo golpista de Michel Temer (MDB), José Mendonça Filho, tenha tentado barrar um curso similar promovido pela Universidade de Brasília (UnB), tudo que ele conseguiu foi reacender o debate sobre autonomia universitária na academia. Atualmente, mais de 30 instituições confirmaram o curso em suas grades para este semestre, entre elas a UFG.

Basicamente, o que a UFG e as demais universidades estão fazendo através desses cursos de extensão é buscar entender os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de 2016, com a deposição da presidenta Dilma Rousseff (PT), além de analisar o governo Temer e sua agenda de retrocesso nos direitos e restrição às liberdades, culminando com os desdobramentos da crise em curso e as possibilidades de resistência popular e de restabelecimento do Estado de direito e da democracia política no Brasil.

Parabéns à UFG por esta iniciativa e vamos continuar a resistência. Foi em vão a tentativa de calar Marielle. Sua voz, cada vez mais forte, continuará ecoando. Não só no Rio de Janeiro, mas em todo o Brasil. Não vão nos calar. Não vamos aceitar que continuem matando nos matando.

Marielle, presente!
Anderson, presente!

*Mauro Rubem é presidente da Central Única dos Trabalhadores no Estado de Goiás (CUT Goiás), ex vereador de Goiânia e ex deputado estadual de Goiás por duas legislaturas.

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