natal

Natal contraditório de noites escuras e de aurora esperançosa

Prezada amiga Maria Mirian Baroni, Mongaguá, SP

Obrigado por compartilhar com nosso povo do esforço por manter as lamparinas acesas mesmo que os ventos das tempestades golpistas e do ódio tentem apagá-las.

O meu querido amigo professor Saulo Rodrigo Bastos Velasco, de Caxias do Sul, RS, num belo texto publicado em sua página no Facebook expressou muito bem a contradição das comemorações natalinas e de passagem de ano deste lúgubre 2016.

Antes de citá-lo me permite que te diga um pouco de meu amigo. Saulo é como um filho para mim e suas filhas como netas. Nossa amizade frutífera vem desde que ele era criança em Cruz Alta, RS, onde atuei e me debati frontalmente com a ditadura no seu sadismo contra os pequenos agricultores e trabalhadores rurais.

Admiro-o porque ele nunca, jamais, negou suas raízes como filho de trabalhadores, com seu pai metalúrgico e sua mãe professora de séries iniciais. Pelo contrário, as fontes classistas de Saulo e a visão antiburguesa de seus pais e avós são irrigação para seu crescimento intelectual e engajamento na luta por mudanças econômicas, políticas e sociais.

Esse caudal cultural crítico fazem de Saulo mais do que um grande professor, mas uma liderança expressiva presente e ativa no movimento comunitário, sindical e intelectual da cidade que o adotou como seu cidadão. Suas análises são seguidamente convocadas por emissoras de rádio e de TV da Serra Gaúcha.

Saulo é indiscutivelmente uma liderança orgânica respeitada e estimada pelo povo caxiense.

Saulo é raro porque estudioso, militante e amoroso pai, que não abre mão da formação conscencial crítica de suas filhas.

Pois é, desde sua inquietação de um cidadão que nunca envelhecerá o prof. Saulo escreveu sobre sua ojeriza ao comportamento de certos/as brasileiros/as, inclusive nas festas natalinas e de virada de ano.

Depois de ironicamente agradecer os verdes-amarelos pelo que ajudaram a fazer em favor do golpe que desgraça nosso País, como autêntico conhecedor do conceito de dialética, meu amigo não nega a existência insuportável desses maus cidadãos brasileiros em nossas famílias e em nossas festas.

Saulo manifesta mal estar com a convivência com os que ele define como imbecis, os já conhecidos como coxinhas: “E pior, alguns verde-amarelos estão próximos de nossas casas, nossas famílias, verdadeiros indesejáveis. Todo mundo sabe, aquele “parente” que somos obrigados a aguentar em festas de Natal ou Ano Novo, que acha que conhece política e que se acha um empresário bem sucedido. Aquele mesmo, que todo o cristão e ateu tem, uns são cunhados (as), outros vizinhos, outros ex-colegas, outros conhecidos, mas todo mundo tem,” escreveu meu amigo.

Esses indesejáveis esgoelaram-se desde 2013 dizendo que “somos todos Cunha”, “somos todos Aécio”, somos todos Bolsonaro”, “somos todos Moro”, como gritaram antes gritaram “somos todos Joaquim Barbosa”, irresponsáveis que alienadamente contribuíram para jogar o Brasil no embretamento das destruição de nossa soberania sagrada e de todos os nossos direitos historicamente conquistados com muito suor e sangue derramados.

Os verdes-amarelos, ou coxinhas ou ainda galinhas verdades dos anos 50 e 60, são pedras sujas que serviram de degraus para a escalada das desgraças que sofremos em nosso País.

Muitos são maus e fascistas convictos, outros são inocentes úteis que devem ser resgatados pelos “filhos deste solo” e “desta mãe gentil, Pátria amada, Brasil”.

Em todo o caso essas antas participarão de nossas festas natalinas e de ano novo. Serão como os ventos do azar a assoprar nossas velas da alegria familiar e dos amigos.

Tais personagens me remetem às narrativas evangélicas (Mateus e Lucas) do nascimento de Jesus,  que sinalizam no emaranhado literário a tensão entre os assassinos e os apaixonados pela vida.

Se, por um lado, os anjos (figura mítica símbolo do transcendente, mas imanente nas tensões sociais e políticos da Palestina do século I) cantam as alegrias revolucionárias do nascimento de Jesus e os marginalizados pastores de Belém se organizassem para a iniciativa de conquistar o direito de visitar Jesus, por outro, os mandaletes emburrecidos e bestiais de Herodes não poupavam ódio para perseguir os visitantes e matar as crianças do sexo masculino menores de 2 anos.

O natal é a festa dos libertários, pobres e trabalhadores que a classe dominante invadiu com sua hipocrisia e maldades.

Os agentes de Herodes modernos cumprem o papel de perseguir, destruir a matar os direitos dos destinatários do natal.

O que consola é que os evangelhos como a vida começam e concluem com a vitória da vida e dos que lutam contra as agendas das mortes engendradas pelos poderosos Herodes de todos os tempos.

O bonito é que a luta faz Herodes morrer bichado enquanto os filhos do natal são proclamados como bem-aventurados e pacificadores.

Não há dúvidas de que nosso natal nesse ano receberá muita alegria das pessoas de boa vontade e de consciência limpa, que não têm explicações a dar para os soldados de Herodes, para os verdes-amarelos nem para os golpistas.

Os que sonhamos e lutamos por uma sociedade de permanente estado natalino nos abraçaremos no domingo 25 e na virada da noite de 31 nos congraçaremos certos de que, mesmo que alguns de nós nos abraçaremos pela última vez, 2017 será ano de construção de uma nova aurora com muita luta para que depois celebremos o canto angelical revolucionário: “Glória a Deus nas maiores alturas e paz na terra entre os homens – as pessoas – de boa vontade”.

Os verdes-amarelos e coxinhas não se movem pela boa vontade porque seu deus é Herodes, o que persegue e mata!

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  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
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3 Comentários

  1. Interessante...que o Natal e o novo ano venham com muito amor, o qque não se viu, nesse paralelo, neste 2016!
    Viva a Revolução, venha de qualquer nuance!

  2. Aqui nos pampas há um nero que incendeia e desampara pais e mães de família com desemprego e tristezas, mas o Grande Arquiteto não o perdoará e a seu exército cremastérico eles passarão e a história não perdoa neros, herodes, calígulas, só o povo unido num levante contra o fascismo que se espraia como a praga negra.

  3. Sim,Dom Orvandil, "paz na terra e aos Homens de Boa Vontade"-será o canto que entoaremos no enfrentamento,na resistência ,contra os fascistas e seus vassalos que tentam contra a dignidade humana, contra a vida!
    Precisamos enfrentar,resistir,lutar contra as trevas que insistem em se espalhar no Brasil e no mundo .
    Juntos e juntas na Luta pelo certo e pelo justo,para que a vida reine em abundância entre nós,neste Natal nada fácil .
    Paz e bem!!!!

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