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NEPT: “É MUITO CAVEIRÃO PRA POUCA ESCOLA!”

Aqui no Site e no Canal Proféticas trabalhamos na linha profética. Recusamos o apocaliptismo de setores do profetismo, desesperançados e desesperados com o terror das ameaças de destruição que rolam das ações cruéis dos opressores.

O profetismo é imobilizador e nutridor do medo, da alienação e do achatamento da consciência de classe, a mesma que se aninha na alma d@s trabalhadores como ímpeto revolucionário.

Enquanto o apocalipticismo vangloria os destroços e estilhaços de um mundo em fase terminal, os profetas anunciam enfaticamente o fim de um determinado mundo, o de modelo opressor que achincalha as pessoas que mais merecem justiça e o acarinhamento dos direitos à vida digna acima dos lucros e da ganância voraz dos detratores de quem trabalha e do mundo onde exercem a prática produtiva e transformadora da vida.

Na senda da denúncia das causas das injustiças e dos envolvimentos com a densidade criminosa de destruição humana e ecológica não sonegamos o grito que o povo geme contra a nuvem dos gafanhotos que matam de fome, de miséria, doentes e genocidados.

Mas, profeticamente, acolhemos quem se organiza em círculos de luta e de estudos para o confronto, gerando esperança, coragem e fortalecimento na comunhão que une.

Pois tive a alegria de encontrar no Núcleo Evangélico do PT – NEPT – de Niterói no Rio de Janeiro,  a unificação das duas vertentes do profetismo não apolíptico: a denúncia dolorida e das dores do povo e o anúncio por ações na mobilização de evangélicos e protestantes fiéis ao Jesus de Nazaré, aquele contraditório a tudo que representavam as tiranias de Herodes, de Pilatos e a traição covarde e mesquinha dos fariseus e sacerdotes do templo, verdadeira associação miliciana, fake news e assassina do que anunciava e fazia o Profeta Galileu.

O NEPT se  define em sua página no Facebook: “Somos filiados e simpatizantes do PT (Partido dos Trabalhadores), evangélicos e protestantes, de diversas denominações.

Nossos principais compromissos são com a restauração e fortalecimento da nossa democracia, e com o estado de direito, que garante a liberdade de consciência.

Fazemos parte da FEVID-Niterói (Frente Evangélica pela Vida – Niterói). No primeiro domingo de primavera de cada ano estaremos promovendo o evento chamado “Marcha com Jesus (um tema específico). A primeira, que iria acontecer este ano, foi transferida para o próximo (2022), por causa da pandemia. Será a nossa “Marcha Com Jesus Pela Vida Acima do Lucro”.

Como se depreende, há cristãos e cristãs que não se deixam cooptar pelo fundamentalismo, que é eivado de fanatismo, do cabestrismo (tudo o que os pastores dizem é lei) nem gado do fascismo nem bucha de canhão do neoliberalismo.

Uma excelente demonstração da reflexão do NEPT, que saúdo com alegria, é o texto postado abaixo de autoria de Isac Machado de Moura, Cabo Frio/NePTNiterói/RJ, cujas palavras e ideias são a prova da angústia, raiva profética e preocupação com o que aconteceu aos moradores do Complexo do Salgueiro, atacados e mortos covardemente pela polícia chacineira do Rio de Janeiro. .

Acesse a página do NEPT no Facebook.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

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Lençóis brancos cobrem corpos pretos retirados do mangue, da lama. Uma trama. Estado miliciado. Policial arregado na viatura que entra na comunidade para buscar seu arrego. A discordância. O confronto. A punição. A reação. O BOPE. A morte chega de caveirão. Morte na proporção de oito por um, dez por um, vinte e oito por um. No Rio, a morte é por atacado. “A operação foi bem sucedida”, brada, orgulhoso, o porta-voz da PM de um estado torto. E a sociedade contra o aborto comemora abortos no atacado, de meninos pretos. Que direitos o estado assassino proporcionou a cada menino daquela comunidade? Que serviço público foi oferecido antes do estado chegar com a morte? Com muita sorte, uma escola, distante. Com muita sorte. A política pública mais eficiente do governo do Rio de Janeiro é política de morte. Num país sem pena de morte nos tribunais, mas com pena de morte em cada operação. No tribunal do caveirão o julgamento dura um breve momento. A sentença já sai. E já é executada sumariamente, mesmo que o criminoso de fato ou o criminoso inocente com o crime da cor da pele já esteja rendido, desarmado. No tribunal sobre rodas da polícia do Rio, tem pena de morte sim, com direito a pelotão de fuzilamento uniformizado. Ontem foi oito por um. O um não devia ser executado. Os oito também não. Num estado de direito, prisão. Na política pública do caveirão, corpos atirados na lama, no mangue. Política de bang-bang. Salgueiro. Mães que entram na lama fedida para retirarem o corpo sem vida do seu menino. Destino. Mães que não negam que o filho era criminoso, e que gritam de novo e de novo que deveriam ser levados para a prisão. Os juízes do caveirão não ouvem. Só falam. Só gritam. Só atiram. Só depositam corpos na lama. O resgate fica por conta da comunidade. Bacana. Por conta de mães que entram na lama e retiram cadáveres de meninos pretos que tiveram direitos negados, que foram aliciados pelo crime organizado. E no meu estado, leitora/leitor, o crime é organizado mesmo. E toca o terror. Tão organizado, tão organizado, que gerencia polícias, Alerj, executivo, justiça; que fecha escola, hospital; que se alia a igrejas evangélicas, bélicas e cria o Complexo de Israel. É preciso tirar o chapéu para o crime estadual do Rio de Janeiro. É um estado inteiro refém. O prefeito da cidade da chacina ganhou de outro candidato que prometia transformar São Gonçalo numa Maricá. A população preferiu o que defendia o matar como política pública, que estava no grupo que executou a juíza. A gente avisa, mas não é ouvido. No Rio de Janeiro o crime organizado é aguerrido e a polícia é arregada. E ficamos todos tentando sobreviver um dia a mais. Mães pretas não têm paz nesse estado. Ensinam seus meninos pretos a não correrem jamais, mesmo que percam a condução; a andarem com documentos sempre à mão; a andarem com nota fiscal do celular; a nunca entrarem na Americanas, no Carrefour, no Extra, no Wal Mart ou no mercadinho da esquina com mochila. Ainda assim estão sempre na fila do tribunal fardado com seus autos de resistência, com suas armas que disparam contra portador de pele alvo, aleatoriamente. Daqui pra frente, por que o estado não faz tudo direito? Respeito já é o suficiente. Nem sempre tem resistência, nem sempre o policial está sob ameaça de arma de fogo. Nem sempre é reação. O tribunal do caveirão está acima de qualquer outro. Sigilo de 50 anos sobre cada operação. Na Barra, mais de cem fuzis num único apartamento. Em nenhum momento se disparou um tiro contra o dono: branco, rico, amigo da família presidencial. No Rio, o bem perdeu para o mal. E o mal é branco, rico e cristão. E agora? É muito caveirão para pouca escola.

Isac Machado de Moura, Cabo Frio/NePTNiterói/RJ.

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Um comentário

  1. Evangélicos e protestantes não aceitam ser bois de piranha do fundamentalismo e do fascismo e lutam pela “vida acima dos lucros”. Acesse no Site Cartas Proféticas e compartilhe ao máximo com seus contatos apenas o link desta e de outras postagens! Obrigado: http://cartasprofeticas.org/nept-e-muito-caveirao-pra-pouca-escola/


    Esta também, por gentileza, sobre a insegurança alimentar que adoece e mata milhões de pessoas no Brasil. Acesse, leia e compartilhe o link desta postagem do Site Cartas Proféticas> http://cartasprofeticas.org/a-inseguranca-alimentar-significa-doencas-e-mortes-humanas/

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