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Nota da CNBB e a vergonha da marcha para Jesus: “Nenhuma política pode negar a primazia do trabalho”

Nesse 1º de maio, com o país atacado pelos interesses satânicos das máfias internacionais, que pegaram o poder pelo pescoço, estrangulando nossa capacidade legislativa, de governança e de defendermos nossos direitos, com o judiciário exprimido, os evangélicos deram espetáculo de alienação e de falta de respeito aos trabalhadores.

A malfadada “marcha para Jesus” é sinal de que a corrupção o golpe se apoia nas igrejas negócios, também. Não se trata de que os neopentecostais têm mais poder de mobilização, de organização e de aglutinação do que os sindicatos, mas de muito dinheiro e comando golpista desde os Estados Unidos.

As multidões que pularam, alienadas e de costas viradas para a luta do dia histórico, eram compostas, acima de tudo, por trabalhadores de consciências embotadas por uma religiosidade “ópio do povo”. Se Pilatos subisse em um palanque e carro de som com Jesus preso, apresentado por algum pastor dono de igreja, e perguntasse o que deveriam fazer com Ele as boiadas gritariam “crucifica-o, crucifica-o”, novamente, agora em nome de Jesus e dando glórias a Deus.

A ‘marcha para Jesus” foi tão danosa aos trabalhadores e ao povo brasileiro quanto foram as manifestações dos midiotas de 2013 até ao golpe de Estado, que culminou na eleição do fantoche dos Estados Unidos, Jair Bolsonaro, apoiado pelas golpistas igrejas neopentecostais. Tanto que a Globo, a mesma que comandou as marchas dos midiotoches, transmitiu fleches da marcha pelo Brasil todo e encheu seus telejornais com o exibicionismo alienado e drogado pelo neoliberalismo, que faz dessas igrejas excelentes negócios.

Felizmente, de outro lado a Conferência Nacional dos Bispos da Igreja Católica Romana se manifestou a favor dos trabalhadores na denúncia das brutais injustiças que sofrem.

O bispo de Lajes (SC), dom Guilherme Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez a primeira Coletiva de Imprensa, aos jornalistas a Mensagem aos Trabalhadores da CNBB por ocasião do 1º de Maio.

Com felicidade, Dom Guilherme partiu sua entrevista do Salmo 128, 2, que certamente os neopentecostais arrancaram das bíblias deles, que diz: “Do trabalho de tuas mãos comerás, serás feliz, tudo irá bem”, que inspira a nota da CNBB. Para o bispoo, a bíblia chama a atenção para a importância da dignidade do trabalho.

Mostrando que é preciso conhecimento da história do trabalho para que não perdermos o caminho da luta, Dom Guilherme retomou a   origem ao Dia dos Trabalhadores quando em 1886, na cidade de Chicago (EUA), um grupo de trabalhadores fez greve para a redução da carga horária de 17h. Foram estas manifestações, asseverou Dom Guilherme, que asseguraram que hoje os trabalhadores tenham uma carga horária diária de 8h.

Porém, o bispo de Lages denunciou  que muitos trabalhadores hoje, em função da crise e dos baixos salários, cumprem jornadas triplas de trabalho que superam as 8h diárias. O trabalho, segundo a doutrina social da Igreja é compreendido como uma dimensão fundamental da existência e da realização humanas. “O trabalho dignifica o ser humano. Negar o trabalho é negar um direito”.

Quando a primazia do trabalho é colocada em segundo plano pela política econômica e de desenvolvimento, como no caso do Brasil que visam exclusivamente o lucro, quem sofre as consequências é a população, notadamente os pobres.

O desemprego no Brasil que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atinge 13,4 milhões de brasileiros no primeiro trimestre de 2019 é uma preocupação apontada pela nota da CNBB. Sobretudo, o desemprego entre a população mais jovem do país.

Um outro ponto denunciado pelo presidente da Comissão para a Ação Transformadora é o aumento de casos de trabalho análogo ao trabalho escravo no Brasil. “É necessário questionar a política econômica e de desenvolvimento que achata os direitos dos trabalhadores”, denunciou em entrevista ao site CNBB.

O Cartas Proféticas, crítico mas sem sectarismo de qualquer espécie, se solidariza com a nota profética com a nota da CNBB, sinalizando acordar do longo e pecaminoso sono diante do golpe que afunda nosso país no abismo neoliberal.

Leia a nota na íntegra abaixo.

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Veja também e compartilhe:

Profecia Noturna: “A marcha para Jesus visou crucificar os trabalhadores!”

Nada a comemorar pelos trabalhadores brasileiros;

Chimarrão Profético: “A pauta central deste primeiro de maio é a Greve Geral. Ponto!” Manifesto de 1º de maio de 2019;

Psicóloga Mônica: “Bolsonaro, ser mulher já é difícil o suficiente”;

O Dia do Trabalhador e a Luta Pela Emancipação Social;

Profecia Noturna: “O maluco na presidência recomenda a matança dos que lutam por reforma agrária!”

Mensagem por ocasião do 1º de maio: Dia do Trabalhador e da Trabalhadora

“Do trabalho de tuas mãos comerás, serás feliz, tudo irá bem” (Sl 128,2)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, através de sua Presidência, iluminada pela Palavra de Deus e a Doutrina Social da Igreja, se une aos trabalhadores e às trabalhadoras, da cidade e do campo, por ocasião do dia 1º de maio, manifestando-lhes estima, solidariedade e gratidão.

LEIA MAIS O que são as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja? O que é a Assembleia Geral da CNBB? O trabalho digno, para além de cumprir a necessária tarefa de prover as necessidades materiais, “constitui uma dimensão fundamental da existência do ser humano sobre a terra” (Laborem Exercens, 4) e de sua participação na obra do Criador. Urge assegurar o direito ao trabalho e reafirmar a dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras, de modo a garantir seu justo sustento e de suas famílias, combatendo o desemprego, o trabalho escravo, a precarização das relações de trabalho e a perda de direitos trabalhistas, dentre outros problemas que têm causado tanto sofrimento ao povo brasileiro. Para tanto, é indispensável a atuação dos Poderes Públicos, bem como a participação da sociedade civil: empresários, sindicatos, igrejas, trabalhadores e trabalhadoras. Neste esforço, como ensina o Papa Francisco, “é preciso reconhecer um grande mérito àqueles empresários que, apesar de tudo, não deixaram de se comprometer, de investir e arriscar para garantir o emprego” (Papa Francisco, 22 de setembro de 2013). Ao mesmo tempo, devemos reconhecer o valor dos sindicatos, expressão do perfil profético da sociedade (Papa Francisco, 28 de junho de 2017).

Reafirmamos o princípio orientador da Doutrina Social da Igreja sobre a primazia do trabalho e do bem comum sobre o lucro e o capital. Nos nossos dias, difunde-se o paradigma da utilidade econômica como princípio das relações sociais e, por isso, de trabalho, almejando a maior quantidade possível de lucro, imediatamente e a todo o custo, em detrimento da dignidade e dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Manifestamos, de modo especial, a nossa preocupação com o grave problema do desemprego. A flexibilização de direitos dos trabalhadores, institucionalizada pela lei 13.467 de 2017, como solução para superar a crise, mostrou-se ineficiente. Além de suscitar questionamentos éticos, o desemprego aumentou e já são mais de treze milhões de desempregados. O Estado não pode abrir mão do seu papel de mediador das relações trabalhistas, numa sociedade democrática.

A participação dos trabalhadores e dos sindicatos, na discussão da Previdência social, é fundamental para a preservação da dignidade dos trabalhadores e de sua justa e digna aposentadoria, especialmente dos que se encontram mais fragilizados na sociedade. Reconhecer a necessidade de avaliar o sistema não permite desistir da lógica da solidariedade e da proteção social através da capitalização, como propõe a PEC 06/2019. Também não é ético desconstitucionalizar regras da Previdência, inseridas na Constituição de 1988.

Nosso olhar volta-se também para os jovens. Segundo o Papa Francisco, o desemprego juvenil é a “primeira e mais grave” forma de exclusão e de marginalização dos jovens (Christus Vivit, 270). A impossibilidade de trabalho gera a perda do sentido da vida e, consequentemente, leva à pobreza e à marginalização.

Incentivamos os trabalhadores e trabalhadoras e as suas organizações a colaborarem ativamente na construção de uma economia justa e de uma sociedade democrática.

Trabalhadores e trabalhadoras, sobre cada um de vocês e de suas famílias, suplicamos as bênçãos de Deus, pela intercessão de São José Operário e Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S.R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo U. Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Brasília-DF, 1º de maio de 2019

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