Xingu

Nota pública da CPT: “Causa indígena na Marquês de Sapucaí”. Aleluia!

O carnaval de 2017 já se constitui no mais politizado no sentido de tratar de questões que tradicionalmente transcendem as folias de ruas ou de clubes.

O grito pelo “fora Temer” praticamente é nota carnavalesca dominante em todo o País. Aleluia!

Estrangeiros que não entendem português do Brasil não compreendem o que querem dizer os gritos e cartazes “fora Temer”, “fora todos”. Assim aconteceu, por exemplo no litoral de São Paulo quando um turista escocês foi “… perguntado pelo repórter Pedro Melo sobre o que o turista estava achando da festa, o jovem identificado como um biólogo de nome Johnny, respondeu: “Todo mundo no bloco gritava ‘Fora Temer!’, ‘fora todos eles’ eu não sei o que significa”. O repórter de Globo desconsertado, orientado pelo ponto num dos ouvidos,  abandonou o turista e fez perguntas a uma criança ao lado dele (veja o vídeo aqui). Aleluia!

A Escola de Samba carioca resolveu enfrentar o problema da matança dos irmãos indígenas também a violação de suas terras, matas e água no seu enredo neste ano.  Com isso, por defender os  indígenas,  a   Imperatriz Leopoldinense atrai a ira do agronegócio e de ridículos como Ronaldo Caiado, que só é senador por Goiás porque porque seus eleitores, que nada conhecem da realidade e pelos ruralistas que se querem donos da terra e escravocratas envolvidos no golpe de Estado em 2016, são puro atraso social e nacional.

Aqui me solidarizo com a visão política da Imperatriz Leopoldinense e com a nota que a CPT publicou em seu apoio, que posto abaixo. Aleluia!

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 Às vésperas do carnaval, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) e o Serviço Pastoral do Migrante (SPM) vêm a público manifestar seu apoio à Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense, diante da celeuma provocada pela reação de diversas entidades ligadas ao agronegócio e empresas de comunicação a ele subservientes, ao tomarem conhecimento da homenagem aos povos indígenas do Xingu, que vai ser tema da escola de samba no carnaval carioca deste ano.

 Os ruralistas estão se sentindo agredidos pela temática da escola, sobretudo com a ala “os fazendeiros e seus agrotóxicos”. Diversas entidades em que se organizam, desfecharam violentas críticas à escola acusando-a de atacar os produtores rurais que se afirmam responsáveis por expressiva porcentagem do PIB nacional. Órgãos da grande imprensa, alinhados ao agronegócio, também estamparam em seus meios sua indignação contra a escola e seu samba enredo. O senador Ronaldo Caiado até chegou a sugerir uma sessão temática no parlamento para discutir o assunto.

 O carnavalesco Cahê Rodrigues, ao responder às críticas, diz que o samba quer simplesmente defender o indígena, dar voz a ele, por isso “tudo que agride a floresta, o meio ambiente e, diretamente o índio, nós precisamos citar. Porque o enredo não é um conto de fadas. É uma história real”. 

Como se pode entender tamanha celeuma em torno a um tema de escola de samba? 

O fenômeno encontra na história suas raízes mais profundas. Desde a invasão portuguesa o território brasileiro tem sido considerado propriedade exclusiva dos invasores. 

Os povos indígenas e, posteriormente, os descendentes de escravos libertos, os quilombolas, e outras comunidades de pobres no campo, que ocupam parcelas do território nacional, têm sido até hoje sistematicamente invisibilizados, como se não existissem. E no decorrer da história foram arrancados de seus territórios por diversos mecanismos de espoliação. 

Os que tentam resistir são tratados como empecilhos ao desenvolvimento e progresso de nosso país, sofrem perseguições e violências e, muitas vezes, perdem a própria vida, como as 61 pessoas que foram assassinadas devido aos conflitos no campo em 2016, segundo dados parciais da CPT, o maior número de assassinatos desde o ano 2003. Deste total, 12 são indígenas. 

Somente com muita luta e determinação é que os indígenas e quilombolas conseguiram introduzir na Constituição Federal de 1988 dispositivos que reconhecem sua existência e os direitos sobre seus territórios, sua cultura e seus modos de viver. 

As entidades que reagiram contra o enredo da escola de samba defendem um agronegócio apresentado como pop pela grande mídia. Mas, um pop que mata! Mata a terra e os demais seres que dela vivem. Inúmeras situações no Brasil denunciam os impactos nocivos das atividades do agronegócio sobre o meio ambiente, a saúde humana e a violação aos direitos básicos das pessoas. 

A escola de samba Imperatriz Leopoldinense já se pode considerar vencedora do carnaval carioca de 2017, por estar resgatando da invisibilidade histórica os povos indígenas do Brasil e denunciando as agressões constantes que sofrem em seus territórios, em seus modos de vida e  cultura. 

As pastorais do campo, que buscam através de suas ações valorizar as comunidades com as quais trabalham, escutando suas histórias, seus apelos, seus sonhos, querem parabenizar a Escola e o carnavalesco Cahê Rodrigues por esta escolha histórica. 

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2 Comentários

  1. […] Fonte: Nota pública da CPT: “Causa indígena na Marquês de Sapucaí”. Aleluia! – CartaS e Reflexõe… […]

  2. Tornar a verdade visível, atrapalha muita gente!
    Belo tema, uma denúncia! Política Pública no carnaval!
    A Imperatriz mostra a indignação!

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