Universidades metodistas

O afundamento das suas universidades é amostra da imoralidade da Igreja Metodista

As notícias via sindicatos dos/as professores/as e de entidades  dos/as estudantes a respeito da falência das universidades metodistas de São Bernardo e de Piracicaba são a demonstração da imoralidade deliberada de sua mantenedora, a Igreja Metodista.

Ao vermos professores/as e alunos/as brasileiro/as serem jogados/as como sacos de lixo, sem direito a participar de decisões ou, no mínimo, de conhecer as informações sobre o que os cabeças ocas donos dessa igreja pensam, é cruel e doloroso.

O site ABC Maior informa que “os estudantes também protestaram contra o fechamento dos cursos de licenciatura em biologia, matemática e filosofia da Metodista. Segundo estudantes que participaram do ato, há boatos de que pelo menos outros 80 professores serão demitidos até o início do próximo semestre letivo.

Nas mídias sociais, o Centro Acadêmico ressaltou que a postura da direção da universidade é truculenta e desrespeitosa para com os professores que dedicaram “grande parte de suas vidas à instituição”.

A educação já foi a menina dos olhos de setores inteligentes e progressistas da Igreja Metodista.

A Igreja Metodista chegou ao Brasil pelas mãos do expansionismo democratista e imperialista dos Estados Unidos. Através das igrejas protestantes estadunidenses o imperialismo percebeu desde cedo o potencial rico do território brasileiro e da necessidade de domesticar nosso povo através da “evangelização” e do “ensino”, visando formar uma “classe média” conservadora, embranquecida e disposta a servir aos ditames do Norte.

Aqui os missionários brancos implantaram escolas e visaram a criação de universidades. Aliançaram-se com a maçonaria, que se se opunha ao catolicismo romano e o atacava com base nos princípios comtianos positivistas, altamente conservadores e elitistas.

Contraditoriamente,  alguns de seus pastores e lideranças leigas se envolveram nos movimentos operários e estudantis das décadas de 40, 50 e 60, participando de greves localizadas e até gerais, ganhando expressividade na mídia e respeito em alguns setores de esquerda.

Durante o golpe civil-militar muitos jovens e pastores foram presos, torturados, mortos e desaparecidos pela repressão. De outro lado, alguns outros pastores foram informantes do DOPS, órgão de espionagem e repressão da ditadura e também da CIA. Tanto que a Comissão Nacional da Verdade colheu provas de que eles até identidade do DOPS tinham e outros foram famosos torturadores, como decorrência do ensino conservador  e repressivo que receberam.

Contudo, no final da década de 60, com o aguçamento da ditadura e a sangrenta repressão, a famosa faculdade de teologia de Rudge Ramos, onde é a atual Universidade Metodista de São Paulo – UMESP –  convidou Dom Helder Câmara, odiado pela ditadura, para ser paraninfo dos bacharelandos em teologia. Graças a isso os bispos obedientes à ditadura, quase todos eles maçons – a maçonaria apoiou a ditadura – fecharam autoritariamente a sua principal instituição.

Como a realidade é dinâmica e dialética, muitos pastores se opuseram à ditadura e foram presos, projetando a Igreja Metodista ao lado de bispos católicos romanos famosos e oponentes  do autoritarismo,  odiados pelos generais e ditadores golpistas.

Desse fluxo nasceram as UNIMEP – Universidade Metodista de Piracicaba, com o famoso e generoso Professor  Elias Boaventura como seu respeitado e inteligente reitor e a UMESP em São Bernardo, que se tornou referência nacional e reforço acadêmico elogiado e reconhecido no Brasil e no muno.

E assim foi até que Igreja Metodista contava com um Colégio Episcopal qualificado com bispos do valor de Almir dos Santos, Paulo Ayres, Isac Aço e outros de menor expressão.

Com o avanço da teologia da prosperidade,  uma visão de negócios  com máscara de religiosidade e de enriquecimento a partir de um falso discurso teológico e religioso, mas de colaboração com a bandeira neoliberal  em expansão a partir dos Estados Unidos e da Inglaterra, a Igreja Metodista optou por um pentecostalismo de massas informes, de desenraizamento da fé na realidade e no apego a um Jesus espetacular e fantasmagórico, bem apropriado aos interesses imperialistas e ao perfil conservador que venceu a queda de braços no interior dessa ex igreja protestante, virada em seita neopentecostal conservadora vulgar.

Os atuais bispos dessa igreja são superficiais, sem formação intelectual séria, conservadores, afeitos ao discurso fundamentalista dominante entre igrejas ditas evangélicas, no entanto, sem nenhuma tradição protestante histórica e sem nenhuma seriedade teológica.

A corrente vencedora que domina a atual igreja metodista, provedora das escolas e universidades no Brasil, através de uma tal Rede Metodista, sem personalidade jurídica, mas dominada ideologicamente pela direita, abriu mãos do ensino, principalmente crítico, inteligente e que promova a autonomia popular na construção de uma sociedade justa.

O grupo dominante dessa igreja provedora das escolas e universidades metodistas se interessa somente pela conversão das “almas” para Cristo. De preferência almas com boas contas bancárias, como é de praxe do discurso da falsa teologia da prosperidade, misturada ao grosseiro pietismo individualista, conservador, fundamentalista,  irresponsável social e politicamente.

O denominacionalismo arrogante e farisaíco da facção pentecostalista-pietista-conservador, de oriem externa dessa igreja, que venceu a queda de braços com os progressistas,  ecumênicose lutadores nos movimentos sociais, pressionou num Concílio Geral que a Igreja Metodista se retirasse de todos os órgãos ecumênicos e não participasse de atividades onde estivesse a Igreja Católica Romana ou outra católica.

De modo que ações autoritárias, violentas e desrespeitosas às organizações sindicais e estudantis, comprometidas com os direitos dos/as professores/as,  são da índole ideológica desse grupo dominante e dono dessa igreja, que abre mãos do compromisso firmado pelo seu Credo Social e pelo seu Plano para a Vida e a Missão da Igreja, ambos jogados ao lixo pelos conservadores que apoiam o golpe de Estado da quadrilha que usurpa o poder no Brasil e que respaldam o imperialismo que açambarca nossa soberania nacional.

Não será nenhuma surpresa se aparecerem notícias sobre as vendas das instituições de ensino, desde as escolas fundamentais às universidades, notadamente para empresas multinacionais, que abocanham o ensino em todo o País, de olho nas privatizações das instituições públicas.

Não há falência das universidades metodistas, então, mas imoralidade da igreja mantenedora, que abandou  os princípios democráticos,  sua própria história e a luta dos que tombaram mártires iluminados pela ideia de uma sociedade justa, como reza o abandonado, cuspido e rasgado Credo Social da Igreja Metodista.

Honras ao Bispo  Almir dos Santos,  que odiava a bajulação dos Estados Unidos e amava o povo e a revolução cubanos.

Homenagens ao Bispo Isac Aço, um angolano que deu sua vida ao Brasil e que amava a democracia e os pobres.

Saudações ao grande educador, professor, doutor e ex reitor da UNIMEP, Elias Boaventura, um herói da luta contra a sangrenta ditadura civil-imperialista-militar.

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