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O amor é o mais alto grau da inteligência humana

Edergênio Vieira*
                                                                                                   
Quando ele veio à luz, nasceu pobre, feio, sem roupas, sem nada. Veio da miséria, nasceu de uma violação carnal. Floresceu no mesmo dia que Afrodite, essa sim era bela e rica, não rica de ouro, prata ou dinheiro. Rica de virtude. Enquanto banqueteavam comemorando o nascimento de Afrodite, todos os deuses no Olimpo, caminhava pela miséria Penia, a Penúria, ao avistar o banquete, sorrateira passou a comer as sobras, e também a beber o néctar, posto que Dionísio não havia  ainda inventado o vinho. Embriagada saiu a andar pelos Jardins de Zeus, onde encontrou o filho de Prudência, Poros, “O Esperto”, que também havia se embriagado do nécta e adormecera no Jardim, aproveitanto a ocasião Penia se deitou com Poros, dessa relação nasceu Eros, o amor. Nasceu renegado por todos, Eros é feio, anda descalço, vive na miséria, pela sua natureza se apaixonou pelo Belo, e o Belo é Afrodite, por isso vivem juntos, nasceram no mesmo dia. Assim  Eros e Afrodite são a representação do Amor. Tudo isso narrou Platão no Banquete. Esse é o Amor de Platão, ou como conhecemos o Amor Platônico. Mas o que é o Amor Platônico? Desejo. Para o filósofo pai do nosso modelo de pensamento, Eros é Desejo. Porque o Amor Platônico é o desejo pelo o que não se tem. Está na natureza de Eros desejar as coisas, nasceu na miséria. Ainda que seja amante do belo, seja intrépido e caçador, dons herdados do Pai (Poros), carrega a essencia da Mãe (Penia) vive lutando pela sobrevivencia, não tem a certeza de que poderá estar vivo no outro dia. Quem ama demais é sufocante, sufoca o outro ou a outra, pela natureza imanente de Eros. Mas o fudamental é que Eros é Desejo por tudo que não se tem, quando se consegue, quando atinge o objetivo perde o sentido, e precisa de um novo Desejo. Isso é o amor para Platão.

Ariostoteles vê o amor de outra forma. O pai do empirismo ou ciência experimental vai nomear o amor como sendo Philia, Amizade. Em Ética a Nicomâco, Aristóteles vai se referir ao amor como sendo viver momentos de felicidade, no contato com as pessoas mais amigas, mais próximas. Não é o Desejo de Platão, e sim a Felicidade com os amigos, afirma  Aristóteles. Esse é o amor para o Pai do Empirismo. É o Amor que não se esgota, mas que não se prende, não é Desejo é Solidariedade entres homens e mulher, entre amigos, entre pessoas distantes, não se vende esse amor. Ainda que tenham inventado do dia do Amigo, a data não é um feriado comercial, como o é o Dia dos Namorados no Hemisfério Sul. O amor aristótelico é uma forma de viver a vida, uma filosofia, um amar aprender com tudo e com todos. Isso é o amor para Aristóletes.

Para o Judaismo-Cristinismo o amor é Ágape, uma das palavras gregas, para se referir ao Amor. Platão a usava para definir a relação entre pessoas mais próximas, membros de uma família, um mesmo grupo social, ou seita. Jesus Cristo ensinou o amor Ágape não como um amor de servidão, ou mesmo um amor de obrigação. Ágape é o amor incondicional, sem amarras, sem relação de troca, nem Desejo, nem Amizade é dar sem esperar nada em troca, e sentir a dor do outro ser preciso, necessário e possível fosse. É o Amor de um Deus que para salvar a humanidade dá o seu único filho. Ágape não é racionalismo, empirismo e sim Fé. Não precisa de teorias nem de provas cientificas, é Fé. Esse amor Ágape não precisa de provas, ele é o que é. 

No Candomblé o Amor é Tudo. É o Amor que guia as relações nas Casas de Camdomblé. Lá as pessoas se tratam por “pai”, “mãe”, “filhos” e “filhas”. Entretanto, como em tudo nas Religiões de Matriz Africanas,  o Amor também é traiçoeiro, confunde e causa muitos problemas. Por isso é tradição em algumas casas a proibição da união sexual e familiar, entre “filhos”, “filhas”, “pais” e “mães” de uma mesma casa. Deve-se evitar brincadeiras e tratamentos digamos com “segundas intenções”. O Amor Fraternal e Sexual com isto não será estigmatizados nos Terreiros, mas cobrará prudência por parte do zelador. A diversidade sexual não é um problema ao Amor no Candomblé, resguardando uma relação de distancia entre “os filhos” e “as filhas” como relação ao mesmo Pai de Santo, não há impedimento à relação entre “os irmãos e irmãos”, “as irmãs e irmãs”. A impossibilidade de relação entres irmãos e irmãs de uma mesma casa, deve-se também ao passado escravocrata no Brasil. Quando muitos casais viviam nas mesmas senzalas e eram tratados pelo mesmo Sacerdote, as separações forçadas pelos senhores de engelho, ao comercializarem maridos e esposas, mães e filhas, pais e filhos foi interpretado como um descontentamento dos Orixás. Veja como até uma religião milenar, de bases mais antigas que o Cristianismo ou Judaísmo também pode ter interpretações equivocadas das palavras dos deuses. Para Marcio de Jacun, “Pois é… o amor é assim mesmo: inexplicável. Mas acima do ọkàn (coração) está orí (a cabeça). 
 
Os iorubas nos ensinaram que é orí (a cabeça) que indica para onde nossos pés (lẹ́sẹ̀) nos levarão; é ela (a cabeça), que decidirá o que ọwọ̀ (as mãos) irão fazer. 
 
Que orí faça sempre boas escolhas e que nos conduza pelo nosso destino com prosperidade.” 

Assim é o Amor para o Candomblé.Notem que o Amor não é nada isso que as pessoas chamam de Amor, esse Amor romantizado, que se consomem em folhetins televisivos, ou nas músicas sertanejas, ou internacional não nem a sombra do Amor. O Amor burguês não existe, foi inventado. Lutar contra isso é para mim Amor, pois “O amor é o mais alto grau da inteligência humana.”

*É mestrando em Linguagem e Tecnologia pela UEG, colunista do Cartas Proféticas.

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