tiradentes

O assassinato de Tiradentes e o drama dos traidores, hoje

Amigo Adm. Rafael Jonathan de Melo, Goiânia, GO

Saúdo-te com saudade e gratidão por seres meu aluno há anos, aqui em Goiânia.

Lembro-me perfeitamente de ti em sala de aula, de tua alegria e atenção às disciplinas da área de humanas, que administrei na faculdade onde cursaste administração empresarial.

Não sei como estás, em que trabalhas atualmente e o que fazes das aulas que compartilhei contigo.

Lamentavelmente muitos dos meus alunos e das minhas alunas resvalaram e caíram na lama do senso comum, eivado e manipulado pelos traidores, limitado-se a sonhos pequenos burgueses de consumo e outros se bandearam para o campo real de cumplicidade golpista, o mesmo  trilhado desde os  assassinos de Tiradentes.

Hoje, 21 de abril de 2017, lembramos melancólicos do dia em que o herói Tiradentes foi assassinado com base em testemunhos mentirosos e caluniosos, com poderosa manipulação intimidatória da população das Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Já escrevi aqui sobre o contexto de lá em comparação com a fabricação de mentiras hoje no Brasil.

O respeitado líder Joaquim José da Silva Xavier foi traído e delato por Silvério dos Reis em troca de dinheiro negociado com a coroa de Portugal para pagar suas dívidas (também escrevi sobre isso no mesmo artigo no neste meu blog).

A luta do grupo de Tiradentes, muito articulado com o povo revoltado com a exploração e tirania do império de Portugal, inspirou-se nas ideias de liberdade, igualdade e fraternidade iluministas, que alavancaram a revolução francesa em 1789.

Os conceitos revolucionários, que animaram os inconfidentes, clareavam pontos que baseavam a luta em fundamentos seguros, sem extraviar os revolucionários.

Um é o de que a revolução só acontece a partir da razão. Esta se alimentou de estudos sérios e profundos que sintetizaram sonhos de mudança da realidade opressiva e rebelde em cujo terreno pisavam os revoltosos.

A revolução, como aconteceu a partir do iluminismo francês, é ação laica e não teocrática.

Ao fundamentar-se em estudos e em autores sérios clássicos, o processo histórico ensina que não há mudanças apenas com rebeldia sem fundamentos nem com “informações” passadas pelo disque me disse da mídia.

A busca do conhecimento para a revolução conta com a antecipação coletiva e grupal do que os revolucionários “desejam” para a nova sociedade e o Estado que buscam implantar. Por essa razão os camaradas inconfidentes eram um grupo coeso, unido, fraterno e igualitário. Tudo entre eles era compartilhado, principalmente textos, informações, táticas e estratégias.

A racionalidade revolucionária dos inconfidentes mineiros, como dos franceses republicanos, alvejava com clareza a quem identificara como inimigos: a matriz opressora colonial portuguesa, os aplicadores cumpliciados que exploravam os produtores com impostos que empobreciam e saqueavam o poder econômico e político no Brasil colonizado.

Portanto, as mudanças de profundidade nunca acontecem com lideranças desunidas nem a partir de adivinhações e mitos românticos. Muito menos com a definição imprecisa e equivocada de quem são verdadeiramente os inimigos da justiça social e do povo.

Contudo, a racionalidade revolucionária tem que cuidar imensamente com a segurança em face de traidores oportunistas, assim aprendemos com a traição sofrida por Tiradentes, que lhe custou a vida, a deportação, prisão e destruição das imagens de seus companheiros.

Hoje no Brasil de democracia e governo golpeados, sabemos, com dramática tristeza, das consequências da traição dos inúteis, dos inimigos da Pátria e do povo, apesar de nossa imensa esperança na virada em breve.

Como aconteceu a Tiradentes, condenado à forca por uma conjugação de forças que se uniram desde religiosos, apoiadores do império de Portugal, do judiciário daquele momento e da incipiente mídia servil e caluniadora, vivemos hoje dias muito tristes com sabor de luto e de cinzas na garganta.  

Alunos em sala de aula se encontram desiludidos e sem referência teórica, porque não se sentem animados a estudar para além das bobagens e limitações de seus professores, também, em muitos casos, ignorantes e traidores.  Esse clima se espalha por toda a sociedade, com desilusões e incertezas, além do ódio e da rebeldia sem bandeira que se levantam de periferias do poder.

A morte do nosso herói revolucionário Tiradentes é grávida de lições para nossos dias, entre as quais já enumerei rapidamente acima, sem, jamais, esgotar o debate. Minha intenção aqui é a de instigar o estudo para entendermos a realidade, que nunca mudará a partir de adivinhações e de chutes em paus de barracas.

Se os inconfidentes mineiros não tinham Constituição e leis magnas nas quais se basearem para a luta, inspirando-se nos postulados iluministas franceses, nós temos uma Constituição Cidadã, construída sobre o sangue do povo que derrubou a ditadura sanguinária iniciada no dia 1º de abril de 1964.

Há que estudarmos e lutarmos, sempre cuidadosos com os inimigos da pior espécie como o “seo” Michel Temer, os juízes estúpidos, funcionários do mal,  de procuradores e promotores da “república da Cloaca de Curitiba”, movidos a convicções fundamentalistas e fascistas.  Esses inimigos do Brasil, ao estilo de Silvério dos Reis, se vendem barato sem consciência política e social dos danos que causam ao povo.

Se é verdade que o dia 21 de abril parece empestar o ar brasileiro com as carnes de Tiradentes, que teve seu corpo esquartejado e espalhado pelas ruas de Ouro Preto e pelas avenidas da história e também pela imoralidade dos traidores dele e do Brasil de hoje, também é verdade que a luta heroica dos inconfidentes nos animam e inspiram a resistirmos ao golpe de Estado, a avançarmos na sua derrubada e na conquista do Estado democrático e justo.

Que dia 28 de abril, “Dia da Greve Geral”, seja representativo da nossa vitória em homenagem a Tiradentes, aos mártires da liberdade e da justiça social.

Amém!  

Clique aqui para acessar e se inscrever no Canal CRP no You Tube.  E aqui para curtir nossa página no Facebook.  Também acesse essa página para conhecer nossos serviços e para colaborar.

  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da  Diocese Anglicana Centro Oeste e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
Compartilhar:



Um Comentário

  1. […] Fonte: O assassinato de Tiradentes e o drama dos traidores, hoje – CartaS e ReflexõeS ProféticaS […]

Responder

Seu email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.
Os comentários expressam a opinião de seus autores e por ela são responsáveis e não a do Cartas Proféticas.