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O desembargador que dá coices, a primeira dondoca Bia Doria e o falso arrependimento

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Por Dom Orvandil (domorvandil@gmail.com)

Comentei aqui a notícia sobre o ódio de classe que mediocriza e imbeciliza pessoas como a dona Bia Dória, a primeira madame branquela de São Paulo.

De modo cruel e perverso, para dizermos o mínimo, a madame neoliberal culpa os pobres, principalmente os moradores em situação de rua, pela pobreza, pela fome e pela doença.

Os integrantes da classe dominante, eternos escravocratas, não reconhecem nem reconhecerão jamais que a causa da desagregação humana e da humilhação, que reduz seres humanos a trapos rasgados e jogados,  que estrutura a concentração de poder e de renda nas mãos de uma minoria de sabotadores e agiotas, defendidos pela primeira dondoca de São Paulo.

A humilhação imposta aos pobres é tão gritante ao ponto de ricos e branquelos atribuírem a eles a culpa pela escravidão, pelos troncos e correntes que os prenderam e torturaram.

Assim é o desemprego, que atinge em massa os trabalhadores no alto da crise do capital, sempre é jogada sobre os ombros de quem trabalha, em primeiro lugar. Os trabalhadores são sempre punidos pela decadência dos concentradores de privilégios e de prazeres das dondocas e de seus maridos estúpidos.

Há uma semana outro ator do palco dessa burguesia atrasada e imbecil diverte a mídia e “escandaliza” a obcecada opinião pública. O ator da vez segue o mesmo texto da primeira dondoca de São Paulo e entoa o mesmo estribilho humilhante dos trabalhadores.

O “seo” Eduardo Siqueira, do Tribunal de Justiça de São Paulo, não só desacatou um trabalhador negro, que atua como guarda municipal em Santos,  ao ser multado por novamente  desrespeitar o decreto que obriga o uso  de máscara por causa da pandemia de coronavírus como se esforçou para detoná-lo junto aos empregadores e ao público.

A cena foi gravada e tomou conta  das redes sociais desde sábado, dia 18/07,  e da mídia comercial, como um verdadeiro espetáculo de desrespeito e prática da humilhação  promovida pelo segmento ideológico seguido pelo péssimo funcionário público, altamente remunerado com os impostos pagos pelos trabalhadores, no exercício de um cargo como desembargador.

As imagens testemunham a contradição entre a postura social educada do trabalhador e a reação estúpida e agressiva do delinquente desembargador, acostumado a agredir pessoas, principalmente a trabalhadores negros e a mulheres. Cícero Hilário Roza Neto, o trabalhador guarda municipal abordou o machão de forma como é do hábito dos trabalhadores, interpelando educativamente o transgressor que deveria usar máscara e não o fazia: “O senhor pode, por favor, colocar a máscara”, disse educativamente o trabalhador municipal no cumprimento de seu dever enquanto operador da regra para todas as pessoas.

As palavras do delinquente burguês dirigidas ao honrado trabalhador são a síntese da ideologia e do discurso opressor. Não são meros desacatos de um momentâneo exaltado, como o sacripanta, acuado pela repercussão da humilhação,  tentou justificar:  “não tenho hábito” [de usar]. Como a elite sempre faz, o marginal rico, tentando desqualificar o guarda trabalhador, não aceitou a sua orientação sábia sobre o decreto que obriga o uso do equipamento, fundamental para reduzir o avanço do vírus que já matou quase 80 mil brasileiros. Como todo e qualquer burguês flagrado por humildes trabalhadores, o arrogante assacou a frase que desqualifica os poderes públicos municipais:  “decreto não é lei”, disse em tom de mentira e de ameaça. Tanto que disse e fez: “amassei e joguei a multa na cara dele. Quer que faça com você?”, vomitou. “Você quer que eu jogue na sua cara? Faz aí, que eu amasso e jogo na sua cara”, continua o raivoso Siqueira, com jeito de cachorro louco. As ofensas continuam: “analfabeto” e “otário”. “Agindo ideologicamente como dedo-duro, típico do fascismo e dos torturadores da ditadura, o “seo” “ Eduardo Siqueira telefona para Sérgio Del Bel, secretário municipal de Segurança, que comanda a GCM. Na ligação, o envenenado pelo ódio de classe dominante,  prossegue com as intimidações e tenta passar o telefone ao guarda, que se recusa.

O resto sobre o decreto e as multas todos sabemos e podemos ler mais na Fórum.

Depois, tanto repercutiu a barbárie na sociedade e, certamente, no círculo da elite dominante, que o autor da humilhação, certamente aconselhado, encenou arrependimento através de nota pública.

Na nota o funcionário público  pago com nossos impostos reduziu  a grosseria costumeira de classe a mero pedido de desculpas por ter se exaltado: “me exaltei, desmedidamente, com o guarda municipal Cícero Hilário, razão pela qual venho a público lhe pedir desculpas”.

Depois, como adereço de ator burguês em pleno show de hipocrisia, o “seo” Siqueira passou a usar máscara em público e completou o fingimento, em outro trecho da nota espetacular: “o guarda municipal Cícero Hilário só estava cumprindo ordens e, na abordagem, atuou de maneira irrepreensível. Estendo as desculpas a sua família e a todas as pessoas que se sentiram ofendidas”,  outro trecho da nota do desembargador, informa o Estadão

Assim é a burguesia nos seus devaneios no uso do Estado brasileiro para se lucopletar e abusar dos trabalhadores.

Nada há de exaltação extemporânea nesse tipo de agressão. A tal exaltação é ideológica e costumeira no trato dos patrões e senhores escravocratas com os trabalhadores e até servidores públicos.

O “seo” Eduardo Siqueira e a dona Bia Dória são atores do mesmo script: para eles trabalhadores e pobres têm que se lascar, abandonados, pisados e humilhados ao máximo, enquanto eles fazem parte da máfia que roubam a  todos nós.

Tem razão o jornalista Dimitrius Dantas da Revista Época ao definir as raízes burguesas e violentas do agressor de Santos.  “A profusão de sobrenomes do desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira já lhe concede um ar fidalgo. Sua vida confirma a filiação à elite paulista. Os Almeida Prado são uma das famílias mais tradicionais do estado, com uma história que remonta ao Império. A família Rocha de Siqueira está acostumada aos círculos do restrito Judiciário bandeirante: filho de juiz, Eduardo Rocha de Siqueira também tem um irmão bacharel, o promotor Francisco Almeida Prado Rocha de Siqueira. Pecuaristas, criam gado em Birigui, São Paulo, onde também plantam juta e milho. Ele possui diversas propriedades: ÉPOCA contou 41 matrículas de imóveis que citam seu nome apenas no estado de São Paulo. O magistrado também é bem recompensado pelos cofres públicos: em meio à crise sanitária do novo coronavírus, recebeu, líquidos, R$ 44.626,97, acima do teto constitucional de R$ 39.200”, descreveu Dimitrius Dantas.

“Rocha de Siqueira é um personagem na acepção da palavra porque representa fielmente o arquétipo de certa classe dominante brasileira: “ranzinza”, “azeda”, “medíocre” e “cobiçosa”, como dizia o antropólogo Darcy Ribeiro. Ao atacar guardas em Santos no último final de semana por se recusar a usar máscara de proteção, foi exposto publicamente em sua falta de educação e respeito, e remeteu ao que previa Frei Vicente do Salvador, talvez o primeiro historiador do “Brazil”, em 1630: “Nenhum homem nesta terra é repúblico, nem zela, ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular” (Leia mais aqui).

Como se vê, não há esperança de respeito e justiça enquanto nosso país continuar sob as botas dessa elite egoísta, estúpida e ignorante.

Somente o povo mobilizado e organizado poderá transformar esta situação a favor dos trabalhadores por eles mesmos, sem Siqueira e sem a dondoca Bia.

Esses não valem nada!

Leia e acesse mais. Compartilhe, também:

– Chimarrão Profético com Elisa e Geórgia: “A educação sob massacre econômico e pandêmico”.

– Chimarrão Profético com o Prof. Tadeu Morais: “Cultura encharcada de desumanidade e cultura libertadora”.

– Chimarrão Profético com o Jornalista Fernando Rosa: “Jornalismo de dentro da realidade”.

– Chimarrão Profético : “A crise mata, promove fantoches e pede resistência popular”.

– Chimarrão Profético com o Monsenhor Júlio Lancellotti: “Os desterrados na própria Pátria”.

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Um comentário

  1. Os esguichos violentos em forma de pitis nos trabalhadores não são exaltações momentâneas nem aparente falta de educação de um ou de outra ator ou atris da elite dominante e da casa grande, mas modelo de massacre ideológico à classe trabalhadora. É o que examinamos nesta análise. Compartilhe o link desta postagem. Abraços: http://cartasprofeticas.org/o-desembargador-que-da-coices-a-primeira-dondoca-bia-doria-e-o-falso-arrependimento/

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