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O Dia Mundial da  Educação e o Antiintelectualismo

Edergênio Vieira*

Educação é a forma nominalizada do verbo educar. Aproveitando a contribuição de Romanelli (1960), diremos que educação veio do verbo latim educare. Nele, temos o prevérbio e- e o verbo – ducare,­ dúcere. No itálico, donde proveio o latim, dúcere se prende à raiz indo-européia DUK-, grau zero da raiz DEUK-,cuja acepção primitiva era levar, conduzir,  guiar.  Educare, no latim, era um verbo que tinha o sentido de “criar (uma criança), nutrir,  fazer crescer. Etimologicamente, poderíamos afirmar que educação, do verbo educar, significa “trazer à luz a idéia” ou filosoficamente fazer a criança passar da potência ao ato,da virtualidade à realidade. Possivelmente, este vocábulo deu entrada na língua no século XVII1

Pensar a educação fora de sua realidade histórica e etimológica é significativo. Porque evidencia um viés anti-intelectual presente nos discursos e nos atos de uma parcela considerada da população brasileira, influenciada sobretudo pelo discurso conservador da ultra-direita brasileira, representada pela ascensão do governo Bolsonaro ao poder.

Na distopia “The Twilight Zone” uma série de televisão americana antológica, baseada na série de televisão original de 1959 criada por Rod Serling, vivenciamos e podemos observar por meio de uma obra cinematográfica, como mecanismos reacionários operam na ideologia e em outros espaços conceituais, para inculcar a ideia do antiintelectualimo na sociedade. A série original escancara intencionalmente um verdadeiro culto à ignorância.

Esse tributo à ignorância é o mesmo que o Brasil de hoje vive. Lembrar o dia mundial da educação, fora desse viés e o mesmo que acreditar que o então juiz Sergio Moro tenha sido imparcial no julgamento do ex-presidente Lula, ao aceitar ser ministro do governo Bolsonaro. Não há imparcialidade nem nos discursos, nem nas ações.

As políticas educacionais deste governo visam a instituição de uma educação que ofereça o que os organismos internacionais como FMI, Banco Mundial, Fundação Ayrton Senna entre outros definem como currículo mínimo. Ou seja, uma educação que ensine as pessoas à “apenas ler e escrever”. A instituição dessa política anunciada pelo novo ministro da Educação, que visa retirar as ciências humanas da escola e da universidade pública é a prova inequívoca desse culto ao antiintelectualismo. É preciso dizer que não será a intelectualidade, sobretudo do campo progressista que “salvará” o Brasil, não será. Até porque não podemos cair nesse messianismo popularesco que marca a democracia brasileira.

Precisamos primeiro reconhecer que há esse movimento. Reconhecer isso é fundamental para combate-lo, com toda a capacidade que o campo progressista possui. Segundo é preciso sair do gueto, ou dos guetos, onde muitos intelectuais se escondem. O dia mundial da educação torna-se um marco importante nesse cenário, à medida que a educação é o terreno de disputa dos intelectuais, não o único, mas um espaço importante. Por isso é preciso que não nos calarmos diante dos ataques à educação pública, gratuita, democrática, laica, de alta qualidade no país. Sob pena de virarmos uma república de idiotas, e como dizia Nelson Rodrigues “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos…”

  1. In: http://www.seer.ufu.br/index.php/olharesetrilhas/article/viewFile/3475/2558

*É especialista em Linguagens e Educação Escolar, mestrando em Linguagem e Teconologia, colonista do Cartas Proféticas

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