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O escândalo praticado pelos evangélicos fundamentalistas brasileiros

Daniel da Costa*

Segundo o Novo Testamento, há dois tipos possíveis de escândalo em relação à compreensão que se tem do evangelho.
O primeiro escândalo é autêntico. É o  “escândalo da Cruz”. O escândalo que os apóstolos esperam. O escândalo da cruz, que é escândalo para os judeus e loucura para os não judeus (I Epístola aos Coríntios, 1.23).

Um escândalo apropriado. Pois onde já se viu, o Deus todo poderoso, sempre pronto à justificar uma guerra, se encarnar na forma humana precária, de um simples carpinteiro? E numa cidadezinha da periferia? Pregando o amor incondicional ao próximo, inclusive e principalmente aos inimigos, e chamando para a comunhão à mesa prostitutas, ladrões, leprosos, larápios? Dizendo que se se quisesse realmente fazer  a diferença no mundo (o da falsa Pax Romana e hoje o Pax Liberal burguesa) cuja “ordem social” hipócrita, mantida a ferro e fogo contra os pobres e excluídos da terra (e Jesus sentiu isso no próprio corpo), se deveria orar pelo inimigo? Andar duas léguas, ao general sádico que te ordenasse levar sua bagagem por uma légua?

Este é o autêntico escândalo pelo qual os cristãos deveriam ser conhecidos.

Mas há um outro escândalo que, segundo o fundador do cristianismo (Mateus 18.6): “Porém, qualquer um que induzir ao erro a alguma dessas pessoas simples que crêem em mim, melhor  lhe seria pendurar uma grande pedra de moinho ao pescoço e se lançar nas profundezas do mar.”

Este último escândalo, infelizmente, parece ser o recorrentemente praticado pelos evangélicos fundamentalistas brasileiros.

A vontade de dominação é imensa desse pessoal. (Afinal, há que se conquistar mercado, não é?)

Tudo desse pessoal é universal, como universais são as abstrações liberais; falsos valores abstratos ditos universais, mas que nunca realizam a justiça concretamente.

Vejamos: Igreja universal, igreja mundial do poder Deus, catedral global etc.

É um escândalo, é uma vergonha … Uma decadência humana sem limites.

Estes fundamentalistas, falsos cristãos, se valem, como oportunistas inescrupulosos que são, de uma situação de possível pandemia para auferir lucro, aproveitando-se da ignorância das pessoas desesperadas.

Da mesma forma que o mundo liberal capitalista cria dificuldade para vender a facilidade de suas fórmulas vazias, esse pessoal surge para vender facilidade ao povo refém como se Deus fosse um despachante do céu particular sempre pronto a dar um jeitinho. Afinal, como dizem os mercadores de carne humana, os narcotraficantes, os milicianos etc.: pagando bem, que mal tem?

É um tipo de religião perversa, plenamente adaptada ao esquema liberal capitalista burguês de vida no seu cerne mais destrutivo e decadente.

Um escândalo e vergonha para qualquer cristão com um mínimo de consciência e lucidez sobre quem é Jesus e o sentido da mensagem evangélica.

* Bacharel, licenciado, mestre e doutor em filosofia pela USP; bacharel em teologia pela Faculdade Teológica Batista de SP; pedagogo licenciado pela FALC; autor de artigos de filosofia em veículos especializados e livros coletânea; autor do livro *O cristianismo ateu de Pierre Thevenaz* (no prelo); tradutor de mais de trinta livros nas áreas de filosofia, ciências da religião, ciências humanas e teologia; músico profissional (guitarrista) e jornalista. Colunista do Cartas Proféticas.

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