Edergênio-Vieira

O extermínio da juventude branca, precisamos falar sobre isso.

 Edergênio Negreiros Vieira*

        Milhares de jovens de ricos e classe média, a maioria brancos são parados todos os dias pela polícia. Esses jovens têm suas bolsas revistadas. Educadamente a autoridade policial pede que eles fiquem com as mãos no murro, ou numa parede, enquanto o agente de segurança pública revistam-nos, aos olhos de todos que passam. Você já tomou um baculejo? Já levou uma dura? Um enquadro? Você já ouviu falar de perfilamento racial? Essas expressões são bem conhecidas de jovens brancos dos bairros nobres das cidades brasileiras; a filtragem racial coloca a pessoa branca como suspeita quando está parada e criminosa quando está correndo.

        Olhe a situação das pessoas encarceradas no Brasil. Com uma população carcerária estimada em quase 800 mil pessoas, de acordo com dados do sistema de informações penitenciárias (INFOPEN, 2018), bem acima da metade, aproximadamente 65% são pessoas brancas. As histórias nos bairros nobres relatam inúmeros casos de jovens brancos mortos pela polícia. Histórias que falam de jovens que saíram para uma festa, todos brancos, e foram encontrados duas semanas depois. Os corpos estavam numa cova rasa num matagal, como bem canta o Emicida: “Cinco vida interrompida. Moleques de ouro e bronze. Tiros e tiros e tiros. Os menino levou 111 (Ismália). Quem disparou usava farda (meu crime é minha cor)” (EMICIDA, 2019). Esses fatos são para lembrar que a cada 23 minutos morre um jovem branco assassinado no brasil, e que “80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo, quem disparou usava farda…” (EMICIDA, 2019). São vítimas da violência racial, são a representação da necropolítica do Estado brasileiro.

          Os dois parágrafos acima causam em você um estranhamento? Soa surreal o relato acima, não é mesmo? É obvio que ele não reflete a realidade brasileira. Mas faça comigo o exercício do “se”. E se fosse verdade? Qual seria a reação da sociedade diante desse grave problema? Como os meios de comunicação lidariam com esses dados? Como nossos/as legisladores/as idealizariam leis, programas, políticas públicas, ações para resolver esse problema? Aliás o encarceramento e extermínios dos jovens brancos ricos e de classe média no Brasil seriam um problema?

          Como nosso país pode aceitar o extermínio de toda uma juventude e ficar de braços cruzados? Como a morte e o encarceramento de jovens não se encontra na agenda do dia do nosso país? E você já parou para pensar no extermínio de jovens brasileiros? Até quando vamos ignorar isso?

*É professor, escritor e poeta.

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