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O Flamengo não representa o Brasil. Não dá para torcer por ele!

Por Dom Orvandil.

Comovente o gesto da economista Laura Carvalho na homenagem que fez à ilustre torcedora Marielle Franco, assassinada pelos milicianos do Rio de Janeiro, principalmente pelos moradores do Vivendas Barra Pesada, relevantemente o da casa 58, que fez em Doha, no Catar, onde o flamengo enfrentou o Liverpool, ao expor faixa com foto de nossa patriota e mártir defensora dos pobres.

Digna de destaque também  foi a faixa com o nome da vítima de torturas e de assassinato pela ditadura imperialista-militar, o remador do Flamengo Stuart Angel, homenageado pela torcida antes da saída daquele time para o Peru para o jogo da Libertadores.

Mas eticamente não dá para torcer pelo Flamengo. Não é possível contá-lo como representante do Brasil nesses enfrentamentos internacionais.

Essas manifestações mencionadas acima se apagam no mar de covardia, afogadas na alienação e na conivência criminosa desse time e de toda a sua torcida com tudo o que de pior acontece ao povo brasileiro,  incluindo muitos dos milhares de seus torcedores.

O caso dos 10 guris pobres, cheios de sonhos e de esperança,  torrados nas fornalhas do Corvo,  não mereceu nenhum gesto de mobilização, de pressão e de solidariedade dos milhares de torcedores , dos jogadores, equipe treinadora e direção de um clube que vive à custa de interesses comerciais e de marketing midiático.

Alguns de seus jogadores não deveriam nem passar por espelhos sob riscos de se afogarem nos lagos de suas próprias vaidades e superficialidades  frívolas, sem nenhum compromisso humano para além de seus vaidosos suares e narizes.

Assim como nada fazem em memória das vítimas da ganância empresarial e comercial de seu clube, feito antro de torradores de sonhos e de vidas, nada fazem pelo povo brasileiro, acossado, assustado e em fase de extermino pelo fascismo instalado no governo federal e também no Rio de Janeiro.

Numa conjuntura de abandono do povo esse time de massas é capaz de juntar multidões de peregrinos, em estado quase de insanidade como o são todos os fanáticos, a viajarem milhares de km de carro, de ônibus e depois de avião, muitos se endividando até às raízes dos cabelos, mas de ações inúteis na contribuição da grande mobilização popular para derrubar os poderosos que infernizam nosso país, inclusos aí milhões de seus torcedores desempregados.

Não dá para torcer para esse time da Globo.

Ao contrário desse estado de letargia desaforada, com sabor de traição cruel, o Liverpool é essencialmente diferente.

Num gesto de rejeição à injustiça praticada por  um hotel no Catar seu treinador e jogadores mostram que a consciência diante das injustiças também tem relação com o futebol, mesmo que o Flamengo seja tão vergonhosamente alienado e não o veja.

“O hotel oferecido pela Fifa para o Liverpool, Marsa Malaz Kempinski, foi rejeitado pelo clube inglês por denúncias de violação de leis trabalhistas. Em outubro, um diretor do clube afirmou que o sucesso do time “se baseia em socialismo”, informa a Revista Forum.

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“O jornal britânico revelou que os migrantes que trabalhavam no Marsa ganhavam menos que o salário mínimo local e que leis trabalhistas eram violadas. A situação mais crítica era a de segurança, que trabalhariam em turnos de 12 horas em temperaturas de 45 ° C recebendo menos de 8 libras por dia”, continua a Forum.

O técnico alemão do Liverpool, Jürgen Klopp, que certamente não usa o crânio somente para encher de cabelos desordenados,  foi o grande responsável pela denúncia da desumanidade do hotel, rejeitado por ser massacrador dos trabalhadores.  “Eu sou de esquerda, naturalmente. É melhor ser de esquerda do que de centro. Eu acredito no Estado de bem-estar social. Não tenho plano de saúde privado. Jamais votaria num partido que promete baixar os impostos. Assim como eu vivo bem, quero que os outros também vivam bem. Se existe alguma coisa que jamais faria na minha vida, é votar na direita”, afirma em trecho do livro Klopp bring the noise, do jornalista Raphael Honigstein, menciona a redação da Forum.

A postura alienada do Flamengo só contribui para que desgraças como a política econômica aplicada pelo miliciano Jair Bolsonaro e o capanga do mercado, o tchutchuca Paulo Guedes, atropelem e esmaguem os direitos dos trabalhadores, sem que Jorge Jesus nem ninguém do Flamengo se preocupem com as agruras do povo brasileiro.

Dessa forma o Flamengo não passa de um penduricalho a serviço dos poderosos, do mercado, da Globo e mais um curral de gado como as igrejolas neopentecostais, como os militares empijamados e as gangues de milicianos. E nada mais.

O Flamengo não nos representa nem merece o nosso respeito.

Sem dúvidas, é infinitamente mais esperançosa para o mundo e para a classe trabalhadora a vitória do Liverpool, que venceu não somente um time marginal política e culturalmente, mas que será voz em defesa dos grandes interesses da maioria do planeta terra.

Caso se tornasse campeão o Flamengo seria mais de interesse do mercado de chuteiras, camisetas, de jogadores que, como escravos de luxo,  são trocados por muito dinheiro entre os cartolas e senhores feudais do futebol mundial,  do que dos milhões de pobres, seus torcedores, feitos carnes moídas da engrenagem satânica do mercado.

Não vale a pena torcer para inimigos covardes, que se omitem diante do massacre contra nós.

Que os jogadores do Chile, que se unem ao seu povo na mobilização para derrubar a ideologia de mercado que desgraça trabalhadores e idosos de lá e os da Argentina, que participaram da aliança para eleger o novo governo e enviar o traidor  Maurício Macri se banhar na soda e a fritar num tonel de vinagre, inspirem flamenguistas e todos os torcedores, jogadores, treinadores e direções de todos os times brasileiros aos bons propósitos patrióticos de entender que futebol só vale alguma coisa se servir também para ajudar a organizar o povo.

É isso que o Flamengo e o futebol brasileiro precisam aprender.

Basta de almofadinhas, prostitutos e bonecos de enfeites da mídia, como os Ronaldos, Pelé, Zico, Neymar e tantos outros, que só têm músculos movidos a vaidade e à traição à pátria. E nada mais.

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2 Comentários

  1. Bem aventurada seja a vitória do Liverpool, cujo treinador é defensor da classe trabalhadora, se proclama socialista e protesta contra a exploração dos direitos dos trabalhadores de um hotel. Já o Flamengo da Globo serve apenas como ópio alienante da consciência popular. Vergonhoso! Acesse e compartilhe o link do Cartas Proféticas: http://cartasprofeticas.org/o-flamengo-nao-representa-o-brasil-nao-da-para-torcer-por-ele/

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