Amiga Cientista Social Cida Toledo, Mendes, RJ

Homenageio-a por suas lutas grandiosas com e pelo povo brasileiro. Certamente a amiga é uma mulher de luta e liberta do senso comum das fêmeas humanas propriedades de outros seres humanos, os masculinos.

Horrorizo-me com a ideologia machista dos homens e mulheres que “pensam” que estas devem ser propriedades controladas estreita e opressivamente dos primeiros.

É chocante o modelo de relacionamentos no interior dos quais as pessoas se sintam donas de parceiros ou “donificadas” pelo outro em nome de uma fidelidade ou lealdade de conotação patriarcal, faltando apenas notas e recibos fiscais, embora muitas vezes os certificados de casamentos religiosos e civis representem o sentido de “donismo”.

É maçante, sufocante e desumano o controle até dos pensamentos do parceiro, da parceira, seja em relacionamentos heterossexuais ou homo afetivos.

Pior ainda quando o donismo, problemas de caráter ou emocionais derivam para a violência, o cúmulo do desrespeito ao outro como ser emancipado e totalmente alterativo, principalmente em se tratando das mulheres.

No contexto golpista da atual conjuntura brasileira as mulheres são ainda mais vulneráveis à violência dos que se acham seus donos, os machistas.

Compartilho com a amiga o texto chocante de Rute Pina do site Brasil de Fato (aqui) sobre as violências sofridas pelas mulheres.

Rute inicia com o caso da jornalista paulistana Larissa Santos (nome fictício para preservar a identidade da vítima) para mencionar a ideologia machista e violenta ativa nos aparelhos de Estado, que deveriam proteger os direitos das mulheres. “Ela sofreu violência doméstica durante um relacionamento de quatro anos e afirma que, nas ocasiões em que procurou a Polícia Militar, em 2012, apenas acumulou boletins de ocorrência. Em dois meses, por exemplo, ela precisou ir à delegacia quatro vezes, mesmo com a medida protetiva contra o ex-parceiro aprovada”, relatou a autora da denúncia.

Larissa mesma conta que “quando eu vi que eu iria morrer e ponto, tive que pedir ajuda. Se eu não tivesse conseguido auxílio dos meus amigos, que forneceram advogados gratuitamente, eu acho que não estaria falando hoje com você, sinceramente”.

Os casos de violência contras as mulheres neste ambiente golpista, com o esvaziamento dos sistemas de promoção dos direitos delas e a consequente proteção das violentadas de todas as formas cresceram de 18 para 29%, nos conta Rute Pina.

Enfim, os poucos avanços conquistados somem como areia entre os dedos (vale a pena ler todo o artigo).

O machismo ativo como ferrugem nos poderes e nas relações é um dos mais nojentos produtos do capitalismo. A partir do sexo masculino machista, desfigura o afeto e a compaixão fazendo do homem tirano monstro. Na mulher, são obstrução e boicote da beleza humana e feminina nos seus direitos à escolha e à liberdade.

Não sobra alternativa, por esta razão e pela situação política opressiva e desumana para todo o povo brasileiro, se não a participação de todas as mulheres na luta por nenhum direito a menos, pela derrubada do golpe com o “fora, Temer”, pelo cancelamento do impeachment, por mais direitos e mais democracia.

 

 

  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Anglicana Centro Oeste e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

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