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O intelectual Moniz Bandeira prega salvação nacional pelos militares

Como que desesperado em face da quadrilha que tomou o poder de assalto com gana na destruição do Estado social e nacional.

Demonstrando angústia com a entrega de grandes estatais históricas do povo brasileiro -Eletrobrás, Eletronuclear, Petrobrás e pré-sal, bancos estatais.

Abatido com a imorlidade da quadrilha comandada por Michel Temer, desmoralizada e com apoio de apenas 3,4% de desvairados brasileiros.

Consciente de que uma internvenção militar pode acontecer,  sabendo como inciará,   mas não sabermos como terminará, tendo como testemunha a história de golpes militares, o respeitado intelectual Muniz Bandeira, em carta a Valter Pomar justifica que uma intervenção militar se faz necessária nesta grave crise da Pátria brasileira, mas contando com militares honrados, inspirados pela Constituição que foi rasgada pelo golpe que derrubou a Presidenta Dilma Rousseff e embarrou todos os votos que a conduziram ao Planalto.

O Cartas Proféticas sempre defendeu o cancelamento honesto do impeachment, como lealdade ao povo e à Constituição Federal, que foi rasgada pelos golpistas do Congresso, com a omissão e até apoio do judiciário.

Também sabemos que intervenção militar tem péssima memória no que tange ao estrangulemanto da soberania nacional e da democracia.

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Mas postamos aqui a carta de Miniz Bandeira pelo respeito que ele merece e pela angústia retratada em seu texto. 

Publicada no Brasil 247.

Meu querido Valter,

insisto, em nada tenho ilusão. Sei que tudo pode acontecer, se houver uma intervenção militar. Mas o fato é que, se Dilma Rousseff foi deposta por um golpe de Estado, e de fato foi, não mais existe Estado de Direito nem democracia no Brasil. Acabou a Constituição. O governo, que só conta com a simpatia de cerca de 3% da população, realiza reformas para as quais não teve mandato. O Congresso, corrompido e desmoralizado, assumiu poderes constituintes para os quais não foi eleito. Nada do que ocorreu e está a ocorrer é constitucional. Nada tem legitimidade.  E o golpe de Estado foi dado exatamente para a execução de tais reformas: trabalhista, previdenciária, terceirização, redução do Estado, com a venda das empresas públicas, impedir os gastos públicos por 20 anos etc. E as forças econômicas, nacionais e estrangeiras, que estão por trás do presidente de fato Michel Temer e do seu sinistro ministro da Fazenda, o banqueiro Henrique Meirelles, farão tudo para que não haja retrocesso na execução do seu projeto, modelado pelo Consenso de Washington.

Falar em Constituição, agora, é que é uma grande ilusão. As liberdades são relativas, como durante o regime militar, porém nem imprensa alternativa existe mais como naquele tempo. Toda a mídia repete o mesmo e o alvo é o ex-presidente Lula, com judiciária a condená-lo, sem provas, apenas para efeito de repercussão na imprensa e desmoralizá-lo. Quanto mais ele cresce nas pesquisas mais me parece que as poderosas forças econômicas nacionais e estrangeiras, que sustentaram o golpe do impeachment da presidente Dilma Rousseff, tentarão tirá-lo de qualquer forma das eleições. Tenho até dúvidas de que as eleições ocorrerão. Temer e demais cúmplices sabem que, ao descer a rampa do Planalto, sem imunidade, podem ser presos e enviado para a Papuda. A insatisfação no meio militar é enorme, conforme exprimiu o Antônio Olímpio Mourão. E teve toda razão o deputado Aldo Rebelo, do PC do B, quando recomendou o diálogo com os militares. O proto-nazifascista Jair Bolsonaro não é representativo das Forças Armadas. É minoria.

A intervenção militar pode ocorrer. Como se desdobrará é difícil imaginar. O ideal seria que fosse como a do general Henrique Teixeira Lott em 1955. Mas não creio, em face do Congresso que aí está. O importante é impedir que o patrimônio nacional – Eletrobrás, Eletronuclear, Petrobrás e pré-sal, bancos estatais – seja dilapidado, entregue aos gringos: é evitar que o desenvolvimento do Brasil, com a inclusão, não seja interrompido; é impedir a entrega aos gringos de uma parte da Amazônia maior que a Dinamarca. Claro que não defendo regime de exceção, mas regime de exceção é o que já existe no Brasil, com um verniz de legalidade. O que ocorreu no Brasil, com a derrubada da presidente Dilma, foi golpe de Estad

o, como, na Ucrânia, com a destituição do presidente Wiktor Yanukovytch, na madrugada de 21 para 22 de fevereiro de 2014, por uma decisão de um Congresso comprado. A Constituição deixou de existir. Ilusão é pensar que, após realizar as reformas pretendidas pelo capital financeiro e o empresariado nacional, as forças, que se apossaram do poder, vão deixá-lo sem ser por um golpe de força. E, infelizmente, as forças populares já demonstraram a sua impotência. A nada reagiram.

Não desejaria que ocorresse intervenção. Todos sabem como começa, mas não quando termina. Porém, não estou a ver outra perspectiva no Brasil. É necessário impedir o desmonte do Estados nacional. E há-de chegar um momento em que o impasse político, com o agravamento da situação econômica e social, terá de ser pela força.

Com afetuoso abraço, Moniz.

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3 Comentários

  1. Vejo, com perplexidade, a opinião de Moniz Bandeira ! Ele , também, não vê a intervenção militar como solução! Sugere ,na perspectiva de unir forças ,mas não vê, como eu, o que o que poderá vir a ser ,caso a intervenção ocorra!
    Vivi os anos da ditadura militar, enfrentei a repressão durante os anos 70 , quando entrei pra faculdade em BH ,na UFMG! Vamos com cuidado, pois o que há de vir , caso uma intervenção militar ocorra, ainda é muito obscuro aos nossos olhos!

  2. Não há outra saída, essa organização criminosa que assaltou o poder não permitirão eleições em 2018, e até lá o Brasil terá perdido a sua soberania. Se o povo não reage ao golpe que se instalou contra o Brasil e contra o povo brasileiro o qual ocorrido com a contribuição de um judiciário corrupto e omisso, só nos resta os militares como último recurso na defesa do nosso Brasil.

  3. a única saída decente para a crise seria a recondução da Presidenta Dilma para exercer o cargo que lhe é direito... o que não vai acontecer...
    movimentos sociais populares não vão conseguir absolutamente nada... a quadrilha é poderosa e tem respaldo do stf...
    não acho que vamos ter eleições em 2018... os quadrilheiros não vão permitir... correm o risco de irem direto para a prisão... farão um revezamento entre eles...
    vão privatizar e vender Petrobrás... CEF...Banco do Brasil... Centrais Elétricas.. Amazônia... e tudo que puderem...até a água...(já tem comprador definido para o Aquífero Guarani ... a Nestlé)..
    as forças armadas poderiam intervir... afastar a quadrilha do poder antes que tudo esteja perdido... a recondução da Presidente Dilma não é a opção deles...mas poderiam colocar a casa em ordem... afastando os denunciados e réus... convocar as eleições e nos devolver o bem maior que nos foi tirado... a democracia...

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