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O jornalismo do sangue e dos cadáveres

No Programa Chimarrão Profético desta terça feira, 03/05/22, às 11 horas enfrentaremos o problema do jornalismo do suor de esportistas, do sangue de negros e negras, das mulheres, dos indígenas, dos quilombolas, dos calangos e, principalmente, da classe trabalhadora.

A mídia colonizada e comercial diverte-se com seus jornalistas, alguns/algumas até teatralizando uso capas de chuva, botas de borracha, guarda chuvas. Outros dramatizam emoções ao focarem suas câmeras sobre riscos nos solos onde pessoas foram fuziladas por criminosos, milicianos e fascistas. Outros entonam vozes ao relatarem as vítimas de feminicídios ou de desastres espetaculares.

Mídias progressistas seguem na mesma linha ao se recusarem noticiar os riscos de pessoas de comunidades, geralmente mobilizadas no enfrentamento da devastação de direitos e de meio ambiente.

O modelo predominante dos noticiosos é o que rende mais sensação e, por isso, cliques em sites e canais. Este jornalismo funciona segundo a filosofia da terra arrasada e nunca preventivamente  no apoio às organizações populares.

Em contradição a isso se vê no ambiente revolucionário e socialista. No ano passado e início deste Cuba foi ameaçada poderosamente de invasão e de terrorismo procedente dos Estados Unidos, notadamente de cubanos traidores baseados no Estado da Flórida. Porém, graças ao jornalismo denúncia e conclamador à resistência popular na defesa da revolução os cubanos se levantaram e impediram as novas tentativas de invasões imperialistas e de desagregação política no uso de fake  news.

Na conversa que tive com o Frei e Padre José Fernandes Alves no Programa Fé e Luta (30/04/22) senti no contexto do belo testemunho dele o lugar para a mídia preventiva, profética, que denuncia os crimes, os opressores e assassinos, sempre sedentos do sangue dos pobres, impedindo que pratiquem suas sanhas sanguinárias. Neste contexto o jornalismo não vive de sangue das vítmias e do sensacionalismo produzido pela sociedade dividida em classes, mas serve como instrumento de conscientização e organização política e social, não somente para evitar  terror, mas construir nova sociedade, aquela sem opressores e sem oprimidos.

No dia 27/04/22 conversei com a líder quilombola Maria José de Sousa sobre a invasão policial violenta e ameaçadora de assassinatos, se as pessoas denunciassem a barbárie. Ela me procurou buscando apoio para a resistência dos membros da comunidade São José Icatu Macajuba no Pará. Alertei-a de que sua presença no canal poderia despertar mais ódio nas milícias terroristas. Ela me informou que todas as lideranças se disponham à resistência e que precisavam dessa divulgação.

Pois bem, além de conversar com Maria José, que foi clara e contundente nas denúncias no Programa “Mergulho nas Notícias” comunicou-me que no próximo fim de semana um enorme número de comunidades promoveriam assembleia para fundação de uma associação quilombola, fundamental na organização, resistência e mobilização daqueles povos. Maravilhosa a iniciativa!

Prevendo os riscos de abusos terroristas, com todo o pacote de violências – estupros, roubos de bens, assassinatos e ferimentos – busquei apoio de vários sites e canais do campo progressista, com exceção de um que é puramente burguês e sensacionalista.

Dos 4 dos melhores e maiores sites, apenas um me disse que estudava e checava a noticie me pediu paciência porque eles eram ainda pequenos.

Evidentemente que não pedi divulgação pata mim nem para a igreja da qual sou bispo primaz, mas para os povos quilombolas, todos ameaçados por mineradoras, por jagunços e milicianos. Passei o contato da liderança quilombola para checagem e entrevista-la. Ninguém deu importância ao clamor preventivo. Até mesmo a assessoria do Senador Paulo Rocha, do PT do Pará, deu a menor importância aos que são naturalmente seus eleitores.

Esta omissão absolutamente incoerente significa o vazio do sentido profético da luta porque todos se parecem mais interessados no mercado do que nas populações agredidas e violentadas por ele. Notícias para essa falta de compromisso com a vida só o são aquelas que falam dos mortos como fatos consumados e nunca como denúncia das causas das agressões.

Abraços proféticos e revolucionários,

Dom Orvandil.

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PROGRAMAÇÃO DO CANAL E DO SITE CARTAS PROFÉTICAS

– Chimarrão Profético: todas as terças e quintas feiras, às 11 horas;

– Fé e  Luta: todos os sábados, às 11 horas;

– Mergulho nas Notícias: todas as quartas feiras, às 11 horas;

– Arte e Vida: todas as sextas feiras, às 19 horas;

– Reflexão do Evangelho: todos os sábados às 19 horas;

– Vigília e Resistência: sextas feiras, às 11 horas;

– Impactos das Notícias: notícias analisadas a qualquer momento (ao vivo).

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