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O ministro Ricardo Lewandowski tropeçou ao criticar o impeachment

Caro amigo Washington Carneiro, Vitória, ES

Gosto do ministro Ricardo Lewandowski. Avalio a atuação dele no chamado mensalão, na verdade um rumoroso espetáculo midiático, como muito sensata e séria em relação ao desqualificado e péssimo ator Joaquim Barbosa, aos arroubos pernósticos de Celso de Mello, do fascismo de Gilmar Mendes e das condenações sem provas com base na literatura do direito de Rosa Weber.

À frente do STF me parece que Lewandowski atuou com discrição e elegância.

No caso do golpe, que insanos e canalhas denominaram de impeachment, acompanhei todo o processo no Senado e participei das mobilizações de ruas contra o que lá acabou acontecendo, demitindo a Presidenta Dilma Rousseff, condenando-a a perda do mandato embora sem crime. Prestei atenção no papel do presidente do Supremo Tribunal Federal e cheguei a esperar dele atitudes drásticas de denúncia da sujeira que escoou por debaixo dos tapetes dos 61 senadores canalhas que pisaram na democracia. Num dado momento, como presidente do processo do impeachment, o Brasil ouviu e viu pela TV Senado Lewandowski dizer que tinha sua posição em relação àquele processo e que o País a conheceria. Dei um soco no ar lamentando que ele não dissesse ali, naquele momento, o que pensava.

Sinceramente, esperei muito que o ministro Ricardo Lewandowski se comportasse, não com shows como o fez seu ex-colega Joaquim Barbosa na Ação Penal 470, mas como um juiz patriota comprometido com a democracia, com a justiça e com o Brasil e fizesse história denunciando o espetáculo macabro da noite da covardia e do assassinato da decência política nacional.

Mas não. Lewandowski se calou enquanto os canalhas faziam a festa prostituindo o hino nacional e manchando nossa bandeira na qual se enrolaram, pingando nela as gotas de seu deboche e de sua ojeriza ao povo e aos seus direitos.

Não sei se a consciência do ministro continua pulsando, cobrando dele uma postura mais patriótica, mas Ricardo Lewandowski, ao dar aula na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em São Paulo, no dia 26 de setembro, lamentou que o processo do impeachment fosse “um tropeço na democracia” brasileira.

O dicionário Aurélio define “tropeço” como “coisa em que se tropeça. Estorvo; obstáculo; dificuldade.”

Os 61 senadores que votaram no impeachment da Presidenta Dilma protagonizaram verdadeiro tropeço na democracia porque a consideram  estorvo, obstáculo, dificuldade e uma coisa a ser chutada para o esgoto.

Sabemos quem são os sujeitos aparentes do tropeço. Prevemos o quanto serão desprezados daqui a pouco tempo e o quanto rangerão os dentes no julgamento final da história. Pior, os patetas senadores não passaram de pés idiotas, bobos, egoístas e estúpidos dos que os pagaram desde fora do Brasil e dos interesses oligárquicos reacionários nacionais para cumprirem o papel de Judas e do enforcamento que enfrentarão e já enfrentam.

Afirmar que os agentes do tropeço pisaram na democracia ainda é vago e abstrato.  Lewandowski tenta dizer quando os tropeços na democracia acontecem no Brasil. Ocorrem de 25 e 30 anos um do outro. Certo.

Mas o que é democracia para ele?

Ainda é abstrato ao defini-la como eleição e como direito dos cidadãos. Esta eleição, segundo ele, deveria ser de candidatos apresentados pelos partidos e a serviço de propostas das greis e não movida por programas pessoais. No Brasil os partidos não agem com base programática nem seus indicados e eleitos, amarrando tudo em negociações marginais feitas pelos emergidos das urnas, sem nenhum compromisso político com o povo, afirmou o professor Lewandowski em sua aula na segunda feira.

Afinando um pouco mais sua concepção formal de democracia afirmou que “o Estado democrático de direitos é aquele que amplia direitos, aquele que complementa a democracia representativa mediante a participação popular. Ocorre que entre nós a participação popular é muito limitada. Raramente houve um plebiscito, um referendo”, ensinou ao final de sua aula e gravado aqui pela Revista Caros Amigos.

Certo. Democracia só existe sob a segurança e sustentação do Estado democrático, cuja base se ampara na participação popular e também da educação cidadã do povo, que se prepara para participar criticamente e por pressões, coisas sempre relegadas e esvaziadas, denunciou o mestre aos seus alunos do curso de direito.

Lewandowski ganhou repercussão ao lamentar o tropeço dado pelos que desprezam e minimizam a democracia, reduzindo-a a obstáculo prejudicial aos seus interesses mesquinhos e impatrióticos, que ele certamente percebeu no Senado infestado de cobras que chocam o ovo do fascismo.

É correta a sua crítica de que a democracia virou eleições como caminho de negócios de partidos e dos eleitos. Além disso, setores da esquerda falharam agudamente ao se perderem sem projeto político poderoso de Nação e de mudanças profundas, “tropeçando”, para usar o verbo do ministro, num democratismo eleitoreiro e burguês.

Ouso discordar do grande ministro e de avançar onde ele parou.

Falta dizer que o golpe é dado exatamente porque o povo avançou mais na perspectiva democrática do que em todos os tempos. É evidente que jamais afirmarei aqui que o avanço foi suficiente.

O golpe iniciou com a traição do raquítico político e moral MiShel Temer e seus velhos, engravatados e brancos ladrões, objetivando desviar o Brasil do caminho das relações multipolares, oposto ao da mediocridade capacha dos Estados Unidos na sua ânsia, como um poderoso monstro em chamas,  de engolir tudo ao redor como o nosso petróleo, o pré-sal, que este governo golpista acusa de ter sido endeusado pelo projeto político anterior. O tropeço na democracia objetiva destruir a força produtiva nacional.

Com esse objetivo, cumprido já com as chamadas “primaveras árabes” na África e nas investidas contra a Índia, a República Democrática da Coréia, a China, a Rússia e outros, ricos em sub solo e com seus povos intensamente participativos e afirmativos em seus direitos, mais do que mero tropeço, o golpe foi mortal aos interesses soberanos nacionais brasileiros. 

Os Estados Unidos e seus aliados traidores aqui, que se vendem barato para ajudar o processo golpista como pavimentação do assalto às nossas riquezas e à aniquilação, não querem o BRICS (Aliança de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), nem a educação gratuita e de qualidade para as amplas maiorias sempre marginalizadas e codificadas como pobres, negras, indígenas, trabalhadoras, mulheres, gays, homossexuais, travestis etc.

A soberania do Brasil nas mãos de um Estado comprometido com os interesses nacionais e não para as rapinas e enriquecimento de grupos dominantes dos bancos, das indústrias, do comércio e da agricultura apavora pessoas como as que votaram no impeachment e assusta atordoantemente os Estados Unidos, idolatrado como paraíso dos canalhas e fascistas do Congresso, deste governo infiel e golpista, dos entreguistas do judiciário e dos analfabetos políticos.

O imperialismo e os traidores internos no Brasil não se importam com as formalidades democráticas brasileiras, muito menos com uma democracia real e inclusiva.

Portanto, não é porque existem muitos partidos nem porque o povo é alijado nem por causa do presidencialismo de coalizão que a democracia foi tropeçada pelos que a consideram um refugo a ser removido. Esses são obstáculos menores.

Se fosse assim os Estados Unidos não atropelariam as nações alvejadas pelas guerras criadas por eles com o respaldo da mídia encarregada de mentir e de manipular a opinião pública mundial e ate os povos desterrados de seus Países e suas riquezas roubadas.

O golpe foi dado para arrastar o Brasil para debaixo das garras da águia americana e para fragilizar os Países latinos americanos dos blocos econômicos que decidem por si o que é mais justo para seus povos, sem se submeter às vontades egoístas e decadentes dos Estados Unidos, que sempre dominaram a América Latina como seu quintal.

Essas foram as razões do golpe, sendo mais do que um tropeço na democracia, como o denunciou Ricardo Lewandowski.

Pena que nosso ministro se negou a denunciar a barbárie no interior da instituição onde a democracia foi chacinada com a participação dele, do judiciário, de setores da procuradoria geral da república e da polícia federal.

Lewandowski calou diante do gigantesco tropeço que começou a destroçar nosso País. Sua fala aos seus alunos, distantes da realidade, não toca no cerne do problema que ajudou a criar.

Cabe ao povo, à sociedade e aos movimentos sociais construírem poderosa unidade capaz de mobilizar todo o País, não só recuperar a limitada democracia reclamada por nosso ministro, mas avançar e aprofundar muito mais, forçando a realização das reformas que nossa realidade reclama com dores de parto e de pedras nos rins.

Ainda aguardo que o grande, simpático, culto e sério Ministro Ricardo Lewandowski denuncie, com todas as letras e provas que tem, o estrondoso e safado golpe que começa a nos empurrar para o abismo, ao lugar que os piratas internacionais escolheram para nos humilhar à condição de pobres e miseráveis, sem direitos e sem vida.

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    • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.

    • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

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Um Comentário

  1. "O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO É AQUELE QUE AMPLIA DIREITOS E COMPLEMENTA A DEMOCRACIA REPRESENTATIVA MEDIANTE A PARTICIPAÇÃO POPULAR" ...
    NÓS O POVO, PARTICIPAMOS QUANDO ELEGEMOS DILMA ROUSSEFF COMO NOSSA PRESIDENTE COM 54.501.118 VOTOS DEMOCRÁTICOS. Eis que cinicamente os NOSSOS votos, a mais legítima EXPRESSÃO DA PARTICIPAÇÃO POPULAR NOS FORAM ROUBADOS MEDIANTE UM GOLPE SUJO RECONHECIDO E NOMINADO PELOS MAIORES JORNAIS ESTRANGEIROS. O mundo inteiro sabe que foi GOLPE. - O sr, se calou e deixou que UM BANDO DE CORRUPTOS se insurgisse sobre uma MULHER HONESTA E DECENTE. - O Sr. permitiu que UMA MULHER, mãe de família, avó, protegida pelo ESTATUTO DO IDOSO, PRESIDENTE DE UMA NAÇÃO, fosse aviltada publicamente naquele CIRCO DOS HORRORES que aconteceu no dia 17 de ABRIL na Câmara dos Deputados (e aqui 303 deputados estão envolvidos em corrupção e/ou crimes graves). - O sr. permitiu que este GOLPE FRAUDULENTO SEGUISSE RUMO AO SENADO FEDERAL (e aqui 49 Senadores incluindo o Presidente da casa estão envolvidos em Corrupção e/ou crimes graves). - O sr. ajudou a fatiar a CONSTITUIÇÃO FEDERAL. - O Sr. decepcionou o MUNDO INTEIRO e ao comentar o TROPEÇO NA DEMOCRACIA se incluiu no GOLPE, uma vez que NÃO O DETEVE. Temos vergonha de uma justiça INJUSTA que se cala na hora em que mais precisamos dela. Está na hora de assumir a conivência. o TROPEÇO NA DEMOCRACIA incide sobre UMA NAÇÃO E SEU POVO, de forma bárbara e cruel. Tiraram de nós o direito ao desenvolvimento, o direito à INDEPENDÊNCIA POLÍTICA E FINANCEIRA, um preço ALTO a ser pago por muitas e muitas décadas, por várias e várias gerações. Obrigada, Ministro Lewandowski, nós adoramos a falta de direitos, a falta de reconhecimento social, o chicote de embira de banana e também daquele tronco já bem lustrado pelos corpos que deslizam no rastro do sangue, quando perdem as forças ao final das chibatadas.

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