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O povo se desloca do apoio a Bolsonaro à decepção: é preciso canalizar essa revolta!

Por Dom Orvandil. 

Não conheço quase ninguém que tenha votado no milicianismo protofascista em 2018 que hoje pelo menos não estale os lábios e balance a cabeça em sinal de decepção e de desaprovação ao descalabro previsível  representado por  Bolsonaro.

Até mesmo as pessoas que acreditaram na mentira do combate à corrupção, entoada pelo neoliberalismo e pelos seus paus de arrasto fascistas, rapidamente se dão conta  que caíram no conto do vigário.

Honestamente não é possível crer em convicções por parte de quem não pesquisa, não conhece a realidade, na lê, não acompanhou minimamente a biografia de descalabro pessoal, moral e política da famíglia Bolsonaro e de sua base miliciana.

Grande parte do povo brasileiro votou na chapa corrupta de Bolsonaro-Mourão e nas dos candidatos de direita aos governos dos Estados, às Assembleias Legislativas e ao Congresso Nacional  por causa do confuso do ambiente de guerra imposto pela burguesia do mercado.

Entre as bombas que explodiram no ar e as que estouraram nos ouvidos do povo feito eleitor, as que fizeram os dedos apertarem no funesto número 17 foram as do medo e da insegurança da violência não explicada e explorada como motivação de audiência por programas picaretas de TVs; as do papo mentiroso do combate à corrupção, esta totalmente atribuída a líderes populares, exatamente os que mais trabalharam com o povo, com isso livrando por pouco tempo os lombos dos verdadeiros ladrões e assassinos, que começam a aparecer agora com Bolsonaro etc.

Porém a verdadeira causa geradora do caos que compôs o ambiente eleitoral de 2018 foi escondida, boicotada e pouco entendida até mesmo por boa parte das lideranças ditas de esquerda.

A verdadeira causa é o caos gerado pela decadência do capitalismo.  Este vive poderosa crise orgânica que consiste na insustentabilidade da concentração de riquezas e de renda, usando todo o poder econômico e político para segurar os ricos  no roubo dos direitos dos trabalhadores, que rolam rapidamente para a miséria desesperadora.

Ninguém suporta mais tanta opulência e esbanjamento por um lado, com destruição do meio ambiente e miséria com destruição do mundo, por outro.

Nesse desespero de causa incompreendida, com os espaços e ferramentas democráticas tiradas da sociedade é que o povo votou, mesmo em minoria, porque 89 milhões de eleitores não votaram, elegendo uma ratazana saída do esgoto,  adornada em mentiras e em chantagens dramáticas.

Passados um ano e meses de descalabro, somando com o tempo pós golpe com o vampirão Mi$hell Temer, com a insegurança em todos os sentidos elevada a níveis incontroláveis, com a tal corrupção liberada e oficializada, com ameaças  mentirosas jorrando do Palácio do Planalto, com a falência de todos os programas sociais, com a democracia burguesa atropelada pelas piores e mais descategorizadas pessoas, com desemprego, caristia aumentando, direitos trabalhistas arrancados dos trabalhadores etc e etc , o que parecia ser convicção vira decepção.

Não há convicção inabalável que suporte tanta crise e tanta traição ao povo e à Pátria. É preciso organizar a rebelião que se esboça, até mesmo para evitar a destruição da dignidade humana.

De certo modo foi isso que  a pesquisa da Socióloga Esther Solano captou.

O que a pesquisa não captou é que não  há “maioria de bolsonaistas moderados arrependida”, mas setores pobres da sociedade que se descobriu enganada e usada pelos oportunistas de mau caráter.

Leia  abaixo a súmula do texto de Alexandra Martins sobre a pesquisa da socióloga Esther Solano e compare com nossa análise.  

Maioria de bolsonaristas moderados está arrependida do voto, diz socióloga em pesquisa

​Publicado em 11 março, 2020 9:55 am

Socióloga Esther Solano

De Alexandra Martins no BRPolítico.

A maioria dos eleitores moderados do presidente Jair Bolsonaro das classes C e D está arrependida de seu voto. É o que constata hoje a socióloga Esther Solano em pesquisas qualitativas que realiza com esse perfil de eleitor desde 2016 para a Fundação Tide Setubal, com a cientista política Camila Rocha. A amostra é composta daqueles que não são radicalmente apoiadores do presidente, “que é a grande maioria de seu eleitorado”, diz, e das classes C e D, que é a grande maioria da população.

Um dos três motivos mais marcantes dessa mudança de comportamento é a postura agressiva de Bolsonaro. Se na época de pré-campanha essa característica verborrágica era vista como adequada, em razão das contingências da disputa, sendo inclusive tratada como qualidade de um candidato honesto, sincero e honrado, hoje é vista como um problema. “Já durante o governo, as pessoas reclamam de que ele continua sendo muito violento e agressivo. Para esse público, o presidente deveria ser mais cauteloso e moderado”, afirma Solano.

O segundo seria uma inabilidade para governar expressa, especialmente, em redes sociais. “Eles reclamam muito de que ele estaria todos os dias nas redes sociais, provocando problemas, que ele deveria focar, trabalhar, ser muito mais sensato. Surge muito essa ideia de que o Brasil já passou por muita instabilidade e que ele agora, em vez de dar uma estabilidade maior para o País, está gerando mais instabilidade ainda”, acrescenta.

Por último está a discordância desses bolsonaristas moderados das classes C e D com as reformas trabalhista e previdenciária. “Já pegamos vários depoimentos de pessoas que votaram no Bolsonaro falando: ‘Eu votei nele, mas agora vejo que ele é antipovo, que as reformas são antitrabalhador’”, destaca. A pesquisadora cita como relevante o temor da amostra com o desemprego, a precarização do trabalho, terceirizações e até com a agenda privatista da equipe econômica do governo, principalmente com a sobrevivência do SUS.

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Um comentário

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