aleksandra kolontai

O protagonismo fundamental das mulheres na revolução russa

As Mulheres de Lênin: Documentário vai mostrar o papel das mulheres na Revolução de 17

Da Redação

Atriz Isadora Britto interpreta a primeira namorada do ainda menino Vladimir
Atriz Isadora Britto interpreta a primeira namorada do ainda menino Vladimir

Não foram poucas as mulheres que tiveram participação ativa naquela que foi a mais profunda revolução do século XX. Afinal, a Revolução de Outubro de 1917 dividiria, por décadas, o mundo em dois polos durante a Guerra Fria. Se vistas apenas pelo sobrenome e os papéis que assumiram na maior transformação social ocorrida no mundo até então, fica claro, o gênero não faria qualquer diferença: em meio a Kollontai, Krupskaia, Armand, Konkordiia Samoilova e Slutskaia estão ministras, secretárias do partido, organizadoras, diretoras, conselheiras. Por outro lado, o que chama a atenção no protagonismo assumido pela mulher na primeira Revolução Comunista ocorrida no planeta não foi exatamente sua ascensão ao núcleo duro do poder idealizado e liderado por Vladimir Ilyich Ulyanov, o Lênin. Mas o empoderamento (para usar uma expressão atual) que ocorreu à revelia da análise do gênero. A escolha não se deu com a preocupação “cotista” ou para abrir, de maneira forçosa e revolucionária até, o papel da mulher. Mas pela competência e engajamento revolucionários demonstrados ali. Algo raro ainda nos dias de hoje.

O papel da mulher da Revolução de Outubro de 17, tema nem sempre devidamente explorado pela literatura, é o foco do Documentário “As mulheres de Lenin” produzido por EE Filmes e Conexão Jornalismo, de Francis Ivanovich e Fábio Lau.

Aleksandra Kolontai - primeira vivida por Camila
Aleksandra Kolontai – primeira vivida por Camila
Camila Avancini é a ministra Aleksandra
Camila Avancini é a ministra Aleksandra

 

Diretor experimentado nas mais diversas expressões de dramaturgia, Francis abraçou o projeto há um ano mesmo sabendo que a temática (que revela a primeira ascensão prática de um programa Marxista) dificilmente teria a simpatia de produtores e apoiadores financeiros. E a árdua tarefa de reunir equipe e artistas se mostraria ainda mais difícil não fosse a singularidade do projeto:

– Um trabalho que não é político, mas ao mesmo tempo é. Que fala de uma Revolução Comunista ocorrida há um século, tem seu encanto e desencanto em um só corpo. E por isso sabíamos que não seria uma tarefa das mais simples – disse.

A francesa que arrebatou o coração do líder: Inessa
A francesa que arrebatou o coração do líder: Inessa
Karla Dalvi: Inessa Armand foi a maior paixão
Karla Dalvi: Inessa Armand foi a maior paixão

 

Idealizador do documentário, roteirista e still (fotógrafo responsável pelo making of), Fábio Lau, de Conexão Jornalismo, reforça a tese e comemora a expressiva adesão de profissionais ao documentário:

– Nos reunimos algumas vezes para alinhavar roteiro, direção e conceituação. Foram dias de debates – lembrou.

Lênin: Líder que empodeirou mulheres
Lênin: Líder que empodeirou mulheres
Fábio Lau: jornalista e roteirista
Fábio Lau: jornalista e roteirista

O roteirista explica que as personagens reais emergem na narrativa a partir de monólogos verossímeis:

– Mergulhei no perfil de cada personagem para tentar trazer a tona um pensamento sintonizado com a época. Quase um trabalho “espiritual” – brinca. “Apostamos também na criação de uma personagem que a história praticamente abandonou e que foi contemporânea de um Lênin pré-revolução. Uma breve namorada da adolescência. Tatiana, vivida pela atriz Isadora Britto, conheceu um Lenin romântico, circunspecto, e que viveu uma revolução interior quando o irmão mais velho, e ídolo, foi sequestrado e morto pelas tropas do Czar Nicolau II”.

Natália Sedova: mulher de Trotski e Frida Khalo
Natália Sedova: mulher de Trotski e Frida Khalo
Camila e o embate silencioso com Frida Khalo
Camila e o embate silencioso com Frida Khalo

 

Roteirista e diretor negam que o documentário de ficção tenha caráter político:

– Confesso que me sentia inseguro frente ao enorme desafio de realizar este trabalho. Tinha a preocupação de não torna-lo panfletário – disse Francis.

– Trata-se de um documento cinematográfico que aborda princípios políticos com os quais muitos nos identificamos: a busca pela igualdade social, de gênero e a busca utópica pela justa distribuição de renda. Anseios do caráter humano, não político ou meramente filosófico. O principal foi ressaltar e realçar o papel da mulher da Revolução de Outubro de 17.

Lenin: o adolescente que perdeu o irmão herói
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Isadora Britto vive a primeira namorada
Isadora Britto vive a primeira namorada

 

Uma pergunta obrigatória: o nome do documentário, “As mulheres de Lênin”, não reduz um pouco o papel feminino colocando a todas na órbita do “grande líder”?

– É impossível negar ou reduzir o papel de quem foi o principal expoente da Revolução de 17. Quando falamos das “Mulheres de Lenin” salientamos as que foram base, apoio, direção, cérebro e também decisão naquele momento histórico. Foi uma geração singular, corajosa, transgressora. E, uma curiosidade, não formada apenas por russos, mas por estrangeiros. É o caso da bela personagem e também poderosa francesa Inessa Armand, talvez a maior paixão na vida de Lenin.

Nadejda Krúpskaia: esteve presa com Lenin na Sibéria
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Natália Viviani viveu a primeira mulher Nadejda
Natália Viviani viveu a primeira mulher Nadejda

 

O lançamento do documentário está previsto para a segunda quinzena de novembro. E o diretor Francis Ivanovich participa de cada estágio da montagem e edição:

– Dizem que o cinema é a arte do diretor. Pode ser, mas sem as atrizes e os atores, o diretor torna-se um ser isolado em si mesmo e nos seus devaneios imagéticos. As atrizes deste filme foram fundamentais na entrega, talento, dedicação, entusiasmo, coragem e cooperação. Um trabalho que sofreu desde o início o preconceito e a rejeição por diversos segmentos que tentamos apoio para locações, etc. Mas creio que o resultado final vai surpreender muita gente. Mesmo nós temos nos surpreendido a cada dia – ressaltou.

Rosália: chamada de Fúria do Terror Vermelho
Rosália: chamada de Fúria do Terror Vermelho
Rita Grego é Rosália: uma das principais mentes da Revolução
Rita Grego é Rosália: uma das principais mentes da Revolução

 

A locação principal foi um casarão onde funciona a sede do Arteiros da Glória. Ali, numa das mais boêmias ruas do Rio, a Rua da Lapa, o tricolor Henrique de Souza, o dono do bar/locadora, cedeu o sobrado centenário para a gravação. A estrutura, com suas escadas e cômodos de época, ajudaram na ambientação.

Produtores e atrizes de teatro e TV

 

Bruno Zukoff: produção
Bruno Zukoff: produção

Atrizes experientes, com uma trajetória consistente, são a marca de “As mulheres de Lenin”. Rita Grego, Karla Dalvi e Natália Viviani, com histórias ligadas ao teatro. E ainda atrizes com o papel multifacetado. Isadora Britto, que além de atriz (viveu a adolescente Tatiana) trabalhou na maquiagem e caracterização e Camila Avancini, atriz de teatro e TV, que fez duas personagens (Aleksandra Kolontai e Natália Sedova). Ao viver Natália, Camila dá também vida a Frida Khalo, que foi amante de Trotsky, outro líder da Revolução, durante o exílio no México. Bruno Zukoff, cantor, ator e diretor, trabalhou também na produção.

Equipe:

Francis Ivanovich, fotografia, montagem e direção.
Fabio Lau – Idealização, Roteiro e Produção e Still
Isadora Britto: Atriz, caracterização e assistência de direção
Natalia Viviani – Atriz
Camila Avancini – Atriz
Karla Dalvi – Atriz
Rita Grego – Atriz
Bruno Zukoff – Assistência de direção

Apoio e agradecimentos

Arteiros da Glória
Henrique de Souza

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