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O terror golpista será varrido pelos povos organizados em marcha

Prezado e querido professor doutor Flávio Lara,  Rio de Janeiro

Uma das minhas maiores alegrias dos últimos tempos foi a de conhecê-lo quando ambos participamos do “14º Seminário Internacional de lutas Contra o Neoliberalismo” em setembro no Rio de Janeiro.

Vi no amigo alguém de vasta currículo científico,  feito de vários cursos de graduação, mestrados, doutorados e pós doutorados.

Impressionei-me com a humildade de um douto e sábio despojado de arrogância de que o senhor  se reveste, sempre dado a uma boa conversa de conteúdo,  contributiva e alegria.

Numa conjuntura empestada de ignorância, de superficialidade e de arrogância, tudo em forma de lives, entrevistas,  de discursos que nada dizem, vazios e absurdos, que funcionam como cortinas para esconder a barbárie da estupidez que domina, graças a golpes e fake news, conversar  com o amigo e ouvi-lo é alentador e esperançoso. No senhor vi a Amazônia milenar e sábia.

Vivemos, meu amigo Flávio, grandes conflitos e turbulências em nossa Pátria Latina,  com golpes  em forma da pachorra “guerra híbrida” na Guatemala, no Paraguai, no  Brasil e na Bolívia.

No Chile o povo se levanta,  cansado com a ditadura neoliberal, fascista e terrorista pinochista, admirada e idolatrada pelos milicianos golpistas e corruptos que ajudam a assaltar nosso País, consegue emparedar os assassinos e ladrões daquela pátria.

Agora a Bolívia sofre com novo e mais terrorista golpe sanguinário.

O que acontece no País do indígena Evo Morales causa  em todos nós nojo, revolta, indignação e esperança.

O que nos enoja e revolta se impacta em nossa consciência e emoções pelas semelhanças no que tange às raízes de onde nascem os golpes com características exacerbadas e indisfarsavelmente desumanas.

Gases de pimentas, armadilhas das forças armadas e da polícia miliciana para barrar o povo que luta para retomar o governo, tiros de borracha que já mataram sete pessoas do povo, incêndios das residências do MAS;  fabricação de uma falsa presidenta,  fazendo dirigente do país uma desclassificada relacionada com marginais de lá e internacionais,  uma mulher truculenta e subinteligente;  assalto aos bens da pátria e do povo etc,  em aliança com a máfia gospel fundamentalista e com o episcopado católico romano(como já analisei aqui),  protetor da bestialidade dos grandes proprietários  em rede nos outros países latino americanos e Brasil,  são linhas que nos  ligam à Bolívia, em dois sentidos.

No primeiro vê-se que o capitalismo em sua crise orgânica, neoliberal e insuportável, depõe pessoas do povo que governam,  tentando negociar com a burguesia nacional e internacional  programas mínimos de distribuição de renda, que se materializam em direitos sociais, mesmo com minguados frutos dignificadores, são depostos com agenda e tudo e substituídos por canalhas, bandidos, milicianos, incultos,  moralmente desprezíveis e traidores da pátria. São verdadeiros parasitas criminosos a serviço dos serviços sujos que a burguesia mais atrasada, hipócrita e abjeta não faz diretamente.

Os capitalistas atuais não são outra coisa senão os descendentes dos assassinos, estupradores, torturadores, “engenheiros” dos troncos e correntes com os quais sufocaram a liberdade de nossos irmãos africanos e os humilharam na escravidão desalmada.

Os ídolos dessa crosta econômica e social, que infesta os sindicatos, federações e confederações de todo o tipo,  que os patrões organizam como pelotões secretos de artilharia contra a liberdade e os direitos dos trabalhadores, são os mais cruéis bandidos bandeirantes, por exemplo.

Um dos exemplos inspiradores é a maléfica figura bandeirante de Bartolomeu Bueno da Silva, o indigitado  Anhanguera (diabo velho, como o apelidaram os indígenas Goyazes).

Anhanguera se destacou como ladrão de ouro e prata em Minas, São Paulo e  Centro Oeste (Mato Grosso e Goiás). O nome que a historiografia dos bandidos vencedores deram às atividades assassinas, invasoras e estupradoras do católico diabo velho foi a de “descobridor de ouro e de prata”.

Não é por outra razão que cidades têm esse cruel,  ladrão e bandido estátuas gigantescas como símbolos do empreendedorismo bandeirante, verdadeiros bandos de marginais e invasores.

A sombra de Anhanguera se espalha por avenidas, centros universitários, faculdades, universidades, institutos e até no nome de igreja evangélica aqui em Goiás.

Efetivamente,  os sanguinários que dominaram nossa república durante a ditadura imperialista-militar, furiosos dos porões de torturas, prisões e assassinatos se vinculam simbolicamente ao que representou o diabo velho.

Mas não somente na linha de frente agem os mais delinquentes que a “elite” dominante usa como testas de ferro, incapazes, subinteligentes, truculentos, grosseiros, mentirosos e toscos, mas nos bastidores, às sobras. Lá estão os piores que sustentam os atores e fantoches que usam como diversionistas nos campos econômico e político.

São esses “sombras” apodrecidos eticamente, concentradores das riquezas roubadas, usando pistoleiros massacradores culturais como o assassino Anhanguera fazia com suas “aventuras” e “descobertas”, até cobrando impostos dos próprios indígenas para lhes permitir navegar pelos  rios que eram deles, que golpeiam furiosamente o Brasil e a Bolívia.

Basta olharmos os elogios milicianos a torturadores, às ditaduras e a atos que mataram a liberdade e a democracia para percebermos o que esses sombras assaltantes têm a oferecer para o país, aqui e na Bolívia.

No segundo sentido, em luta campal, aberta, honesta e coletiva o povo que se levanta na Bolívia e no Brasil.

Este é o caminho indicado no chamamento de nosso Congresso Nacional de Lutas Contra o Neoliberalismo, realizado na mesma data do seminário do qual participamos, o amigo, eu e dezenas de lideranças e intelectuais.

Ao falar da necessidade da luta do povo, sem intermediários e negociadores nos balcões dos poderosos neoliberais, os sombras golpistas,  o chamamento foi taxativo: “… empreender uma marcha “imparável” na direção da soberania, dignidade e verdadeira liberdade de nosso povo. De por fim à opressão e à exploração, às humilhações, ao massacre de nossa juventude e do povo trabalhador. De fato,  essa necessidade e essa marcha não nasce,  pois sempre existiu desde a primeira flecha que o primeiro índio atirou contra um invasor. Desde este dia distante essa marcha teve início, ela é irrefreável e, hoje, todos os revolucionários e revolucionárias, todos os homens e mulheres sérios (as) e comprometidos (as), honestos (as) e que desejam um país justo e livre, que se encontram nos mais diferentes recantos deste país,  damos seguimento a esta luta”.

Na nota do Congresso por ocasião do golpe na Bolívia e a tentativa fascista de invadir a Embaixada da Venezuela a clareza de que é preciso aprofundar a luta já enfrentada pelos indígenas nas primeiras flechadas, antes de serem “batizados”  pelo “sacramento” branco e colonizador, que achincalha, humilha e incultura os lutadores.

Cristalinamente a nota denuncia que “esses golpes têm como objetivo trazer de volta os anos obscuros da história de nossos povos, atacando qualquer tipo  de resistência,  uma vez que precisam impor à força  o prolongamento do ciclo neoliberal quando este já está totalmente esgotado pelas contradições geradas. Mesmo assim, para nossos inimigos é uma necessidade imperativa frente a emergência da crise orgânica do capital”, diz o texto (leia a íntegra no Cartas Proféticas).

Consciente de que a energia do inimigo dos povos e das nações se encontra às sombras da injustiça e do ódio e de que não bastam as eleições corrompidas e seqüestradas por eles, que escolhem negociadores sem povo, chamando-o poucas vezes para votar ou para receber migalhas “apaziguadoras”, a nota de repúdio ao golpe na Bolívia e ao ataque à soberania da Venezuela acrescenta: “à luta impõe-se que o povo conquiste o poder econômico de fato e não apenas os governos. Sem a economia nas mãos dos trabalhadores os governos são vulneráveis aos golpes imperialistas,  em conluio com as oligarquias traidoras da pátria” (leia a íntegra no Cartas Proféticas).

Então, meu amigo Flávio, nossas tarefas na organização do povo, na formação dos mais apaixonados e competentes quadros se intensifica.

Será nessa perspectiva a vitória contra as constantes saídas dos túmulos de assassinos, ladrões e milicianos cruéis, espalhados por todos os aparelhos do Estado, verdadeiras mãos e dedos da oligarquia econômica em frangalhos, mas perversa e sanguinária.

Ousar lutar e ousar vencer são marcas do povo em marcha. Venceremos!

Abraços críticos e fraternos,

Dom Orvandil.

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