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O testemunho de um operário mostra o poder da prática

Pacífico foi sindicalista no ABC na mesma época de Lula / Foto: Nacho Lemos/TeleSur

Num contexto de trevas com pessoas tão apáticas, com justificativas de que o povo é manipulado e midiotizado eis um operário de consciência histórica elevada.

Participante da luta quando jovem na defesa dos trabalhadores, o metalúrgio Vilmar Pacífico aciona sua reserva moral de lutas na defesa do Brasil atingido pelo golpe político,  que joga novamente milhões na miséria e na fome e sufoca a justiça sob o tacão do fascismo.

A participação de Pacífico numa greve de fome arriscada mostra que quando nossa classe operária toma a história de sua condição nas mãos os trabalhadores entram na luta mesmo.

As jusficativas de perigos e riscos de violência, e até de morte,  pelo ato que os grevistas realizam,  não convencem quem ousa lutar. A mesquinharia com a vida não integra a agenda existencial dos heróis da justiça social.

O metalúrgico de antes e o agricultor de agora é exemplo que deve emocionar e mover a todos nós.

Leia a edição da matéria abaixo feita pelo jornalista Diego Sartorato do Brasil de Fato

 

Vilmar Pacífico, militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná, é um dos seis integrantes da “Greve de Fome por Justiça no STF”, que há quatro dias se manifesta pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje com 60 anos, foi operário no ABC paulista no auge das mobilizações operárias lideradas por Luiz Inácio Lula da Silva.

Por meio de um sobrinho, Pacífico conheceu o MST há cerca de dois anos. Nascido em São Miguel do Iguaçu, interior do Paraná, voltou ao seu estado de origem para viver no acampamento Fidel Castro, localizado em Centenário do Sul.

“Ele falou, tio, você não quer mexer com planta? Ele tava plantando. Fui lá, dei uma olhada e acabei gostando. Falei: acho que vou dar uma tentada”, conta.

Antes de se unir ao MST, Vilmar foi operário da indústria automotiva até se aposentar, há cerca de dez anos. Em São Bernardo do Campo, se tornou sindicalista.

“Fui a São Paulo em 79. Peguei todas essas greves. Peguei a greve da Ford de 42 dias. Foi onde vivi até me aposentar. Em 2009 eu larguei a Ford. Convivi muito tempo com o sindicato, o pessoal tudinho da CUT. Fui membro de comissão de fábrica”, rememora.

O ex-metalúrgico afirma que a greve de fome é uma denúncia à situação do país, marcada pela volta da fome e da miséria, e é fruto do entendimento que parte da superação desse cenário – “para sair do caos” – passa pela possibilidade da eleição de Lula. A prisão do pré-candidato do PT, para ele, segue o mesmo padrão de perseguição sofrida pelo então líder sindical e se trata de “uma jogada para tirar ele das eleições”.

“Em 79 ou 80, lá na Vila Euclides, na porta da Ford, o Lula foi chutado e esmagado pela Polícia. Levou várias borrachadas. A causa dele sempre foi defender o povo brasileiro. O que ele tá fazendo, e está pagando por isso, é o prosseguimento daquilo. A gente sempre pensava que o Lula poderia ser nosso presidente. Eu me admirava muito e me admiro até hoje”, defende.

Nesta sexta-feira (3), a greve de fome completa quatro dias de duração. Seis militantes de movimentos populares do campo e da cidade aderiram à iniciativa.

Um comentário

  1. […] mesma forma que Vilmar Pacífico, Zonalia Neres dos Santos Ferreira  entra na luta numa nova forma, agora na greve de […]

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