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O Tim Black Family

Edergênio Vieira*

A estruturação do racismo brasileiro é algo que foi transplantado ou mesmo depositado no gene da sociedade brasileira. O paradigma societário de Pindorama é de base patriarcal-feudal-escravagista. Após a invasão das terras no Novo Continente a sua consequente colonização se deu por conta de um brutal processo de escravidão negra no país. A empresa Brasil Comércio Ltda triturou corpos negros nas indústrias do açúcar, do café e da mineração. Foram mãos negras que construíram cada pedaço da estrutura desse país. O sangue dos negros está no cimento social destas terras brasilis.

Aos governos regionais e centrais cabiam a seguridade jurídica (a mesma seguridade jurídica que o governo de extrema-direita de Jair Bolsonaro oferece aos empresários brasileiros nas novissímas relações trabalhistas do Estado brasileiro).  Os governos coloniais (Portugal, Espanha (União Ibérica) , Holanda, França e Suiça) e a descendência da família real portuguesa, Casa de Bragança-Saxe-Coburgo-Gota e a descendência da família real brasileira, Casa de Bragança, em comunhão com as casas de Habsburgo e de Bourbon, todos devem uma indenização pecuniária ao povo preto brasileiro. Também é credor dos povos que descendem dos escravos pretos brasileiros o Estado Republicano Brasileiro e o Estado Democrático de Direito pós 1988.

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O genocídio à brasileira patrocinado e regado a àgua benta do Cristianismo (Santa Sé, especialmente) continua sendo o maior crime contra a humanidade já existente. O processo de escravidão é registrado ao longo da história, apesar das nossas escolas não detalharem como foi a escravidão no mundo e em especial a escravidão preta no Brasil, escravizar um povo, após a conquista de um território é algo constante nas histórias das guerras entre nações e povos. No entanto,  o seu uso com fins de comércio de humanos é algo que o feudalismo fez com requintes de crueldade.  A fazenda da escravidão era a mais rentável de todas as empresas da “indústria” brasileira . Aos fazendeiros (empresários) da “indústria” da escravidão negra no Brasil era concedido o topo da pirâmide social. Os empresários da “indústria” da escravidão negra eram protegidos pelo “Estado brasileiro”, sustentado nas bases direito Greco-Romano. Os empresários da escravidão negra no Brasil elegiam aqueles que faziam as leis, tinham influência sob aqueles que executavam-nas e controlavam os “magistrados” que julgavam os desentendimentos que não se resolviam no argumento jurídico da bala. Era um verdadeiro partido político, tais como as agremiações partidárias de hoje. Elem eram os verdadeiros “donos” do Brasil. A derrocada dessa multinacional brasileira sucumbiu primeiramente ao poder bélico e político de Napoleão, depois todo o processo metamorfoseu-se, afinal a Inglaterra apresentava ao mundo um novo paradigma de desenvolvimento: o capitalismo.

O Brasil deve muito dinheiro aos povos pretos brasileiros. A maior dívida brasileira não é externa, com nações imperialistas, sim elas também nos devem, como eu apontei no segundo parágrafo dessa Carta Profética. Mas nossa dívida maior é interna, com os pretos brasileiros. Obviamente que se colocarmos a dívida social, histórica, cultural, política e filosófica, Pindorama deverá ser privatizada totalmente umas 4 ou 5 gerações para tentar pagar metade da dívida interna com os pretos brasileiros. O Brasil precisa reeencontrar o passado dele. Precisamos de um acerto de contas, perante um tribunal internacional independente, sem juiz ladrão. Que o magistrado se comunique com a defesa e a promotoria de justiça somente nos autos do processo. Precisamos de um organismo jurídico que considere inegociável a ética do devido processo legal, respeita o código da magistratura e a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Essa desgraça social e financeira que acomete os pretos brasileiros não é natural. Foi historicamente construída e moralmente regulada há anos. A expulsão de milhões de pretos, cidadãos brasileiros como todos os outros, do direito a existência é o segundo maior crime contra a humanidade já praticada por um governo, sejam em regimes autoritários e democráticos como o nosso. A elite branca descendente daqueles que escravizaram meus antepassados nos deve isso. Os representantes dessa elite branca, muitos tataranetos, bisnetos e netos de proprietários de escravos pretos, que hoje sobrevivem as custas do dinheiro público dos impostos pagos por mãos negras, devem votar leis populares que reparem a dívida interna pecuniária com o povo preto.

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Essa dívida não tem matizes ideológicas, nem cores partidárias. Tanto a esquerda brasileira, que preferiu compor com os imigrantes brancos italianos, portugueses, japoneses, alemães em detrimento de uma aliança com os negros africanos e brasileiros, especialmente após a guerra do Paraguai, quanto a direita racista, machista, misógina, homofóbica e segregacionista com seu sadismo contra o corpo do preto e da preta nos devem e devem muito. Escutem: Parem de nos matar. “Que corpos negros nunca mais se sujem de sangue”.

Ps. A propaganda da Empresa de telefonia e internet Telecom Italia Mobile com o acrônimo de Tim é racista e preconceituosa, observem bem a recente peça publicitária da empresa. 

*É mestrando em Linguagens e Tecnologias pela Universidade Estadual de Goiás e colunista do Cartas Proféticas.

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