mtst com rogério

Ocupação do MTST, os bolsonaristas, os males da religião e a unidade na luta

Prezada amiga pesquisadora do IBG Anna Rita Santos, Salvador, BH

Compartilho com a querida amiga ai de Salvador, nossa amada Bahia, e a  todos os que frequentam o Cartas Proféticas, a experiência que vivenciei na celebração com a ocupação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto Fidel Castro no Conjunto Vera Cruz, neste domingo 09/09/17, em comemoração de um ano da conquista de 93 lotes para famílias assentadas nos residenciais Itaipu e no Parque Eldorado Oeste, em Goiânia, GO.

Barracas ocupadas por famílias compostas de mulheres e homens de todas as idades, crianças, adolescentes e jovens, enfrentam desafios gigantescos de sobrevivência.

Antes do almoço comunitário, preparado por mulheres e homens daquela comunidade, fizemos um momento de falas e compartilhamentos da luta e dos obstáculos na construção do espírito coletivo com e no povo que precisa morar com dignidade.

Lideranças de entidades, movimentos e segmentos sociais que ombreiam sacrifícios e dores nesse momento difícil do Brasil, presentes na celebração e no compartilhamento do almoço,  ouvirmos os relatos dramáticos da vida de quem se dispõe a solidarizar-se conscientemente, por puro amor ao povo, aos pobres e às vítimas do pisados no direito à moradia.

Rogério Cunha é o grande líder e educador social dessa luta. Desde 2014 em Goiânia, somando-se unitariamente aos movimentos sociais, notadamente na Frente Povo Sem Medo, tendo como referência o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, aquele líder é exemplo de amor ao próximo.

Lá na ocupação o conflito por moradia as fraturas são expostas e os nervos rompidos numa sociedade dividida entre os que moram despreocupadamente em mansões,  locais privilegiados, dominados pelo comércio imoral determinado pelo egoísmo do mercado imobiliário,  a maioria do povo pobre e trabalhador que não tem onde reclinar a cabeça.

Os ocupantes de terrenos baldios à espera de grandes negócios, sejam por parte de estocadores privados ou dos públicos inutilizados, ensinam que o direito à moradia não é doação, mas luta árdua  pela dignidade da cidadania.

Para tanto, a partir das crianças em tenra idade, aos idosos, passam por disciplinado e insistente processo de educação, que abre suas consciências para liberta-se do individualismo fraticida, concorrente e predatório das relações humanas, como marca da sociedade burguesa, neoliberal,  dominada pelo pensamento único do mercado.

Como disse Rogério Cunha, esse processo, semelhante a um parto para parir o novo homem,  não se dá somente pelo discurso. Para sinalizar a construção dessa consciência,  há banheiros, hortas, poço artesiano, cozinha, que serve café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar para todos, contando com a própria comunidade para fazê-los e servi-los, e um salão de reuniões equipado com sofás, cadeiras, tv, vídeos e uma biblioteca, que serve também para as reuniões e assembleias onde a comunidade se encontra para educação e formação cidadã.

Os acampamentos do MTST merecem toda a solidariedade concreta e serem conhecidos pela sociedade brasileira.

Os relatos que ouvimos do meu amigo Rogério Cunha chocam ao mostrar o quanto a consciência social,  do significado da força coletiva e da unidade para lutar pelos direitos é assustadoramente frágil.

Ao se reunirem para pressionar pelo direito à moradia, antes de se descongestionarem da ideologia burguesa e individualista nefasta à fraternidade, as pessoas sofrem sintomas semelhantes à contorções, dores e recaídas, coisa que lembra tudo o que alguém sente para se libertar das drogas pesadas.

Exemplos são as de que se desanimam, brigam e fazem fofocas quando os obstáculos impostos pelas negociações e pendengas judiciais, que não são poucas, se apresentam como dificuldades, somente superadas com muita resistência e unidade.

As concorrências violentas alimentadas pela mídia, aí ativa e pejorativa, são levadas para dentro dos acampamentos em forma de bebidas, escaramuças de caráter emotivo pessoal, mas vencidas e superadas pela disciplina e pelas regras rígidas, criadas coletivamente para proteger a todos e a cada um.

Nas ocupações, as bebidas alcóolicas são peremptoriamente proibidas, nos relatou Rogério Cunha.

Violências herdadas do lufa-lufa do cotidiano burguês, aspirados como ar envenenado pelos pobres, são enfrentadas com muita disciplina que podem redundar em expulsão do acampamento. O exemplo disso é o caso das famílias, cujos filhos de adolescentes um abriu a cabeça do outro com uma martelada.

Outro traço terrível da distorção e da deslealdade impressionante é a vivenciada por religiosos, notadamente por certos evangélicos.

Pastores, inclusive um de uma igreja contigua ao acampamento, cujo pastor entrou na justiça contra os ocupantes daquelas terras, alegando que estas eram dele, num verdadeiro espetáculo de egoísmo nada relacionado com o Jesus que ele prostituiu, completamente distorcido do evangelho. Num vídeo Rogério demonstra que esse pastor tentou incendiar os barracos, levando terror e amaçando de morte os moradores atingidos pela fumaça (aqui).

Choca sabermos que muitos desses pregadores que criam igrejas por aí são treinados para alienar o povo, para difamar lideranças e projetos sociais, como é o caso do MTST.

Rogério relatou que conhece muitos desses pregadores de araque e pastores comerciais. Eles saíram do PT e eu conheço outros que integraram a teologia da libertação e pastorais sociais no passado. Ao aprender como lidar com o povo usam tudo para enganá-lo e para destruir suas resistência,  aconselhando aos berros, geralmente, e roubando-lhes os dízimos,  lhes vendendo “graças” e “bênçãos”, tudo empacotado em muita mentira em colaboração com o conservadorismo e com o fascismo.

Muitos desses pastores de meia pataca são ligados a vereadores, deputados, senadores, prefeitos e até a governadores, dando-lhes sustentação entre as camadas mais exploradas em troca de dinheiro e de recursos para eles e suas igrejas, verdadeiras agências quintas colunas no meio dos pobres, com a missão de destruir os laços coletivos entre o povo.

Os traidores não agem somente nas altas esferas burguesas, como o fazem  Antonio Palocci e Sérgio Moro.  Os neoliberais  produzem os seus lá nas bases, para que o serviço sujo seja feito com muita oração, reza, cultos e missas a Jesus e aos santos, tudo para enganar e destruir o sentido da luta e do enfrentamento das injustiças.

Os bolsonaristas, cegos e surdos racionais, fanáticos, fascistas, preconceituosos, racistas e fundamentalistas, seguidores do messianista Jair Bolsonaro, contribuem com o ódio e a violência ao atentarem contra a ocupação. Durante à noite passam em carros luxuosos aos gritos de “viva Bolsonaro 2018”, chamando os lutadores pela dignidade da moradia de vagabundos, de negros que não têm o que fazer e marginais, com quem Bolsonaro acabará se for eleito.

Tudo isso pode se resumir no mesmo pacote dos traficantes de drogas, que territorialistas odeiam e matam quem intervém para libertar o povo de tudo, inclusive das drogas. Rogério já foi perseguido a bala por alguns deles. Sendo ainda multado pela policia rodoviária, que o puniu por fugir em alta velocidade na fuga dos criminosos, deixando os traficantes passar incólumes.

Porém, felizmente, sai da ocupação Fidel Castro convicto de que a luta vale a pena.

Mais, a única maneira de o ser humano alcançar a dignidade é o de unir-se com os outros para aprender a lutar.

A luta por moradia, vi lá na ocupação, não se limita ao sonho da casa própria, mas alcança o Brasil e o nosso povo estropiados pelo golpe que ensanguenta a Nação no roubo dos direitos sociais e da soberania do País.

A luta alcança aspectos abrangentes que têm relação com todos nós. Apoiar o MTST é aprovar e fortalecer o movimento amplo pela dignidade nacional e democrática.

Críticas aos traidores e colaboracionistas dos inimigos do Brasil, entre eles o bando de falsos cristãos, mas abraços fraternos a todos os patriotas leais ao nosso País, que lutam por habitação justa,  sempre!

Dom Orvandil.

Ajude-nos a romper as barreiras das manipulações e mentiras da mídia comercial. Colabore com o blog Cartas Proféticas. 

Compartilhar:



2 Comentários

  1. "... QUE ISSO, LIGA NÃO, É SÓ SEU RABO… DEIXA PRA LÁ. É SÓ UMA SURUBA
    ...
    LIGA NÃO. ..."

    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/09/10/mas-os-pedalinhos-de-lata-e-que-dao-manchetes/

  2. Que contraste absurdo... Um país tão rico e abençoado e tantos miseráveis sem um teto que os abrigue... sem nada..
    Enquanto isso a bandidagem dos políticos ...
    dos "pastores" que usam o nome do Cristo para tirar deles o pouco que possam ter... vivem no conforto, riquezas e até desperdício...

Responder

Seu email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.
Os comentários expressam a opinião de seus autores e por ela são responsáveis e não a do Cartas Proféticas.