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Ofensas à memória de Ricardo Boechat por  um bolsonarista estúpido e a lição de um trabalhador

Recebi, através de um grupo administrado por mim no what’s app, o  relato abaixo da Jornalista Fabrícia Hamu sobre o ódio de um fascista bolsonarista.

O embate raivoso como de um cachorro pitbull, animal fabricado em laboratório e sem controle, deu-se com muito ódio por parte de um admirador de Jair Bolsonaro que, aos gritos num banco, desferiu ofensas ao falecido Ricardo Boechat, recentemente falecido num acidente de helicópetero.

Irracional, o homem se regozijava com a morte de Boechat, enquadrando-o como petista, que nesta condição tinha que morrer como todos os outros, de preferência com muito sofrimento como o jornalista acidentado.

A tensão elevou-se a tal ponto que um trabalhador motoboy colocou o fanático estúpido no seu devido lugar, silenciando-o.

Ao silenciar o estúpido fanático, sem sentimentos de respeito com as diferenças e sem consideração pelo luto da família de Boechat e de todo o Brasil, que chora o seu desaparecimento, o motoqueiro ensinou como se deve enfrentar os fascistas.

A única linguagem que os fascistas e fundamentalistas conhecem é a da força e da intimidação. Eles são uma espécie de vermes que só aparece no vazio da democracia e da força do Estado democrático.

Nos tempos democráticos não se via fascistas e fundamentalistas “corajosos” assim. Todos se escondiam nos esgotos culturais.

Leia abaixo o depoimento emocionado da jornalista Fabrícia Hamu, rico de exemplos de que como se dá o conflito de classes.

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“Chego à agência do Sicoob, agora à tarde, para pagar uma conta, e a TV exibe a matéria sobre a morte do Ricardo Boechat. Todo mundo calado e atento, assistindo aos detalhes do acidente de helicóptero que matou o jornalista. Todos, à exceção de um senhor, que deveria ter seus 65 anos, e gritou, ao saber da notícia:

  • Graças a Deus! Menos um jornalista petista pra infestar esse país!

Todos olharam para ele com susto, mas o choque com o acidente que era tão grande, que ninguém comentou nada. O senhor, no entanto, estava decidido a chamar a atenção. Quando a reportagem exibiu o prefixo da aeronave (PT-HPG), ele gritou novamente:

  • Tá vendo, tinha de ter PT no meio! Já foi tarde, filho da puta petista!

Sem me conter diante de tanto ódio e falta de sensibilidade, questiono:

  • Moço, é sério mesmo que o senhor está comemorando a morte de alguém só porque pensa que a ideologia política dele é diferente da sua?

  • Você não tem nada com isso, comemoro mesmo! Por mim, todo petista tinha de morrer, de preferência igual a ele, com muita dor e sofrimento. Bandido bom é bandido morto!

  • Quem disse ao senhor que ele é bandido? Que eu saiba, ele não responde a nenhum processo, não foi acusado de nenhum crime e não foi preso… E mesmo que fosse bandido, não se deseja uma tragédia dessas para ninguém. E se fosse da sua família?

  • Cala a boca! É bandido sim! Todo mundo que apoia petista é bandido!

Vendo que ele estava alterado ao ponto de se levantar e me bater, preferi me calar – apesar de totalmente perplexa com tanta ignorância e crueldade. Um motoboy que estava lá, porém, não se calou e elevou o tom da discussão:

  • Cala a boca você, velho escroto! Respeita o morto e a família dele! Todo mundo morre: preto, branco, petista, direitista, rico, pobre. E quem morre sempre deixa algum parente que lamenta a morte dele. Até um traste igual a você, um lixo humano, vai deixar gente que vai lamentar a sua morte, e nós vamos ter de respeitar sua família. Então segura sua onda, aí!

Assustado com a bronca do motoboy, o homem se calou. Estava, porém, visivelmente abalado e alterado, daquele jeito que para ter um infarto e morrer de ódio de ali, não custava nada.

Fiquei pensando no tipo de país que nos tornamos. Um Brasil que perdeu nas eleições de 2018 a solidariedade e o mínimo de empatia necessários para viver em sociedade. Um país onde alguns preferem entregar a paz de espírito, a saúde e até a vida, em nome de preferências político-partidárias, ao ponto de celebrar a dor e a morte. Não foi só Boechat que morreu hoje. Uma parte importante da humanidade do nosso povo morreu também, e tenho sérias dúvidas se algum dia irá ressuscitar.”

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