Brasília - DF, 05/10/2016. Presidente Michel Temer durante encontro no Palácio da Alvorada com o  Cardeal Dom Orani João Tempesta - Arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do Instituto Brasileiro de Comunicação Cristão – INBRAC - REDE VIDA DE TELEVISÃO. Foto: Beto Barata/PR

Os cardeais Orani e Odilo massacram Jesus a marretadas ao apoiarem o golpe!

Caro amigo Renato Blosi, Salvador, BA

Não custa reafirmar que as pessoas são dignas de respeito ao fazerem opções religiosas, teológicas e políticas que bem entenderem e de defendê-las com o mesmo respeito.

Porém quando religiosos tomam posição política pública, principalmente no que tange às coisas do Estado, assumem pensar com as mesmas ideias de quem defendem, comprometendo seus cargos e tradições.

Esse é o caso dos Cardeais dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, e dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo.

Ao visitarem o golpista e traidor MiShel Temer e rezarem com ele pela aprovação do pacote de maldades e de destruição da classe trabalhadora e marginalização dos pobres, assumem apoio ao que de pior acontece no Brasil com a ascensão do golpe.

No conflito com métodos dos mais sujos venceu a classe dominante. Temer não é somente pessoalmente traidor e mau caráter, é o representante da classe que sempre gerou injustiças, que jogou escravos, indígenas e trabalhadores nas condições mais desumanas com que se pode tratar as pessoas, indefesas e desprotegidas.

O golpe assumido pelos investigados, fichas sujas e ladrões que chegaram sem votos ao governo deu-se para favorecer os mais atrozes anseios imperialistas, denunciados pelo teólogo Leonardo Boff, da mesma igreja dos aludidos cardeais, no belíssimo artigo intitulado “A desordem mundial: o espectro da total dominação”(leia aqui).

O golpe que se aprofunda com as orações de dom Orani e dom Odilo, aprovado em primeiro turno pelos insanos e canalhas que marretaram a democracia na sua primeira etapa quando aprovaram a admissibilidade do impeachment, se reveste de cores legais na ruptura da Constituição Federal justo no seu pilar mais justo e humano.

Várias explicações indicam que o governo traidor de Temer não é legítimo, mas fruto da ruptura e da perseguição aos trabalhadores, aos pobres e à democracia, elementos integrantes da classe dominada, pisada pelo golpe, cujas marretas foram  abençoadas pelos cardeais.  

Ao visitarem o golpista Temer e ao rezarem pela aprovação da PEC 241, imensamente diabólica aos interesses populares, mas fortemente defendida pelos ricos que patrocinaram a lambança contra a democracia, Odilo e Orani rebateram os cravos de Jesus enquanto gritaram para que fosse novamente crucificado e sangrado na forma das vidas dos injustiçados brasileiros, vítimas do mais covarde golpe que nosso País sofreu.

Minha decepção e tristeza com o testemunho louco dos cardeais são antecipadas pela carta do padre italiano, que escreveu ao presidente da CNBB para demonstrar seu protesto com os desvios dos pastores, que abandonam as ovelhas para pacificarem os lobos devoradores. Abaixo posto a carta do padre Maurizio Cremaschi, que atuou durante décadas na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, em Tauá na Diocese de Crateús, no Ceará.

Não critico os cardeais por serem católicos romanos nem por serem arcebispos, mas por traírem a proposta de Jesus, que sempre preferiu os pobres aos fariseus e ricaços, e porque optaram preferencialmente pelos poderosos e saqueadores.

Enquanto crianças, adolescentes, familiares e professores ocupam escolas em todo o País em reação ao golpe e os movimentos sociais se organizam para barrar com uma greve geral a destruição do Estado social é inadmissível que bispos traiam os pobres e injustiçados.

Com a atitude de jogar água benta sobre os opressores, ratificando as injustiças contidas na PEC 241, filha do golpe da casa grande, dom Odilo e dom Orani contradizem a denúncia profética de Dom Roberto Francisco Ferrería Paz e ajudam a enfraquecer a unidade do povo brasileiro, como escrevi aqui. Os golpistas agradecem.

Clique aqui para acessar o Canal CRP no You Tube.  Inscreva-se no Canal. E aqui para curtir nossa página no Facebook.

  • Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
  • Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapazbispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

CARTA AO NUNCIO E AO PRESIDENTE DA CNBB SOBRE A ORACAO DOS DOIS CARDEAIS COM TEMER

padre-maurizio

Querido Dom Giovanni d´Aniello,

Sou Maurizio Cremaschi, padre fidei donum da diocese de Bergamo – Italia, atuando desde 1979 na diocese de Crateús no Ceará.

Escrevo diante das atitudes dos Cardeais Scherer e Orani que, pelas informações da imprensa, foram solenemente visitar no Palácio da Presidência o Sr. Temer, onde fizeram oração, na hora da votação da PEC. Respeito as opiniões políticas pessoais de Scherer e Orani , com as quais, como muitos brasileiros e muitos cristãos, não posso comungar). O que não é possível aceitar é a utilização de uma função que, apesar não ser “sacramental”, concede um lugar de destaque na Igreja Católica Brasileira e, sendo que o título de Cardeal é atribuído pelo Papa, as atitudes dos Cardeis comprometem, além da CNBB e a Igreja do Brasil, a mesma Santa Sé. A ação de baixa politicagem dos 2 Cardeais deve ser publicamente reprovada sendo que foi publicamente praticada. A utilização da oração neste ato que nada tem de atitude pastoral e profética, é uma forma blasfema nomeando o nome de Deus em vão. Nisso os Cardeais Scherer e Orani juntam seus nomes à longa lista dos deputados que utilizam o santo nome de Deus para justificar suas escolhas políticas que nada tem a ver com a fé em Jesus que foi condenado, torturado e executado pelas autoridades do mundo.

Esse fato deve fazer refletir sobre o jeito de escolher os bispos que, no Brasil, depois do período do Vaticano II, contribuiu muito a desfigurar completamente o rosto da Igreja do Brasil.

Tenho consciência que o espírito da profecia não não é atributo especifico de bispos, cardeais ou núncios, mas o povo das igrejas do Brasil merece bom pastores.

Que o Deus de Jesus crucificado e ressuscitado envie sobre nós seu Espírito e sempre o saibamos acolher em atitude de conversão e misericórdia.

Pe. Maurizio

Com informações do Blog do Edy.

Compartilhar:



2 Comentários

  1. É, querido Dom Orvandil, é triste ver que o número de Judas Iscariotes vai aumentando com o passar dos séculos.
    Um granded abraço.

  2. Com o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica fez a maior autocrítica já ocorrida numa instituição de seu porte. Naqueles anos, eu era militante da Ação Católica. Respirávamos um ar novo após o pontificado de Pio XII. A Igreja começava a se identificar com o povo que tanto desprezara. Com a opção preferencial pelos pobres colocou-se decididamente ao lado dos excluídos e abandonados.
    Mas veio João Paulo II e levou-a de volta à sacristia. Seu longo pontificado permitiu a ocupação das dioceses pelo episcopado mais conservador da história. Surge a renovação carismática como suposta resposta ao crescimento dos evangélicos e a igreja passa a usar dos mesmos mecanismos: balcão de milagres, pregação totalmente desligada da realidade e total ausência de compromisso com o homem e sua luta pela vida.
    “Suspiro da criatura oprimida, coração de um mundo sem coração, espírito de uma situação sem espírito: a religião é o ópio do povo” (Marx)
    Quem estiver interessado sintonize, por exemplo, a TV Canção Nova.
    Os grandes pecados são álcool e fumo, infidelidade conjugal, novelas, e, claro, sexo fora do casamento. O uso de preservativos é visto como crime de lesa divindade e, antes de o papa fazer os católicos engolirem a língua, homossexuais por pouco não eram queimados diante das câmeras.
    Naquela emissora, dá para sentir o cheiro de fogueira.
    Odilo Scherer e Orani não são exceções, são a regra. Exceção é Dom Guilherme Werlang, por exemplo. Há algum tempo, eu assistia um documentário sobre o MST, na TV Aparecida. O padre que o apresentava dizia o tempo todo que “nós somos neutros”, enquanto D.Guilherme , presente no programa, tomava posições corajosas contra o latifúndio que, travestido de agronegócio, é um dos maiores sofismas vendidos a nosso povo. Na votação do golpe na câmara, lá estavam os deputados católicos (Biondini, Flavinho, Gussi, etc) que estão aprovando tudo que querem os golpistas.
    Há muito deixei a fé cristã. Não sei as circunstâncias que levaram Georges Bizet a afirmar “é curioso, mas quanto mais firme estou nas minhas crenças cristãs, mais detesto todos os que estão encarregados de no-las ensinar”. Mas é assim que me sintia
    Não, não dá para voltar à igreja que aí está: eu teria vergonha de me dizer católico. Talvez tudo isto explique uma frase de Jesus que sempre me deixou pensativo: “será que o filho do homem encontrará fé quando voltar ao mundo?” Ou talvez surja um novo Isaias, para repetir “que direito tendes de esmagar o meu povo e moer a face dos pobres?” Ou o próprio Jesus venha a dizer que “vocês não foram condenados por não irem à missa, bater nos homossexuais ou transar fora do casamento, mas porque tive fome, e não me destes de comer, tive sede...”

Responder

Seu email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.
Os comentários expressam a opinião de seus autores e por ela são responsáveis e não a do Cartas Proféticas.