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Os escolhidos por Deus e ativistas de Satã

Há poucos dias um pastor, desses fundamentalistas e neopentecostais, entrou agressivamente em meu what’s app. Revoltado, mas fingindo “amor’ e “equilíbrio”,  se propunha a me ensinar a ser arcebispo e a falar com amor, sem denunciar os ricos e poderosos.

Imerso na “profundidade” de sua superficialidade ousou afirmar que falar de política e ler que Jesus sempre optou pelos pobres, pelos mais oprimidos pelo pecado econômico e político, que foi assassinado pelo império romano em conluio com os fariseus fundamentalistas como ele, não é coisa de cristão.

É assim que pensa o bando de petencas apaixonados por dinheiro e, por isso, se sentem incomodados com a denúncia que atinge as brutais desumanidades do capitalismo orgânico e neoliberal.

Outro dia tive a alegria de me deparar com o belo artigo da competente, bela e doce jornalista Lucia Helena Issa, com o sugestivo título ‘Os “Escolhidos por Deus”.

Nele Lucia Helena analisa com exemplos a situação barbarizante que os tais “escolhidos de Deus”, esses fundamentalistas e neopentecostais dos infernos, ajudam todos os dias a fazer do Brasil um país de fanáticos, preconceituosos, discriminadores, violentos, intelectualmente indigentes e sem ética mínima de convivência.

Ao começar pelo autoproclamado bispo Edir Macedo, já preso no Brasil e nos Estados Unidos por estelionato e charlatanismo e, se for a Portugal, será condenado por seqüestro de crianças para adoção e venda de órgãos,  que recebeu no tal templo dito de Salomão,  em São Paulo, que é uma espécie de puxadinho de luxo do mercado neoliberal, o seu comparsa e terrorista miliciano Jair Bolsonaro.

Daí continua a jornalista a desenhar com seu texto o mapa de um país que virou vergonha, chacota e humilhação pela onda de violência praticada aqui pelos tais ditos escolhidos de Deus.

No Rio de Janeiro existem até milicianos “evangélicos”, que matam em nome de Jesus. Aliás, muitos deles atuam e vivem nos palácios da Alvorada e do Planalto. Alguns são suspeitos de participação nos assassinatos de Anderson e de Marielle – e de quantos mais, antes e depois?

Crianças, mulheres, negros, negras, gays, pobres, indígenas, quilombolas, umbandistas, axés, esquerdistas  e outros são os alvos mais visados dos tais escolhidos de Deus.

Nas reuniões de células oram sobre os nomes dos que serão caluniados, difamados, injuriados e depois assassinados por “amor” ao “evangelho”.

Nossa articulista concluiu seu texto com uma afirmação de fé que eu consignaria. “Como jornalista, cristã e ativista pela paz e pela tolerância religiosa, sinto imensa vergonha do país em que nos transformamos, graças aos “escolhidos por Deus”. Um deus que, como seguidora de Cristo, eu jamais reconhecerei.

Um deus venal, que celebra a morte e que cheira a enxofre”.

Eu também não o reconheço, Lucia Helena.

Eu também não.

Numa certa oportunidade eu participava de uma reunião de cristãos na Amazônia. Numa das noites um policial abestalhado, bolsonarista, evangelicóide contou que, quando jovem, foi chamado para enfrentar uma mobilização de estudantes e de professores. Sorrindo,  narrou que bateu com força, distribuiu cacetadas à vontade, deu tiros de borracha e letais. Pior, o desgraçado contou, feliz, achando que aquilo era coisa de Deus.

Ao encerrar a seção ele orou, daquele jeito,  aos berros como essa turma desvairada faz. Não agüentei e sai do ambiente, indo para o meio da floresta com os macacos.

Depois me arrependi. Deveria ter colocado aquele facínora para fora, mandando-o para os quintos dos infernos. Esse tipo de gente não tem salvação.

Então eu não creio nesse deus deles. Não creio nesse deus discriminador, terrorista, safado, preconceituoso, da guerra, de chifres fumegando enxofre o tempo todo nos armazéns neoliberais, que chamam de igreja, através desses perversos fascistas, bandidos de Bíblia em punho para enganar.

Desse deus sou totalmente ateu. Eu, fora dele. O deus da guerra comigo não!

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