fora_gorilas

Os militares devem voltar à caserna

*Participe da campainha de solidariedade ao Cartas Proféticas. Reforce-a com seus contatos e amig@s: http://cartasprofeticas.org/colabore .

 Roberto Bueno*

O pré-sal já foi entregue e o seu modelo de exploração foi alterado para favorecer o império norte-americano e as grandes corporações transnacionais, e com isto o Brasil perdeu o passaporte econômico para a concretização do projeto de independência. Os projetos estratégicos da Embraer já foram entregues. A Petrobrás já foi espionada por anos a fio, e também a Presidência da República de um Estado até então soberano administrado por Dilma Rousseff, assim como diversos documentos secretos vazados para a metrópole por personagens colocados na empresa pelo lava-jatismo.

A própria Diretoria da Petrobrás empossada pelos setores políticos que realizou o golpe de Estado entregou nada menos do que R$10 bilhões a “investidores” norte-americanos, e isto sem qualquer prévio julgamento ou arbitragem. R$15 bilhões foram perdoados aos produtores rurais que deviam tal quantia a título de tributos não pagos. Dívida de R$25 bilhões do Itaú foi perdoada. As refinarias da Petrobrás, altamente estratégicas para o setor energético do país, foram igualmente pulverizadas. Usinas de eletricidade foram entregues a módico preço. Foram entregues 1 trilhão de reais para as petroleiras estrangeiras. A química fina e as empreiteiras foram pulverizadas, e o desemprego é recorde no Brasil. O Ministério do Trabalho foi extinto e, quase, a Justiça do Trabalho, o que traduz o tratamento reservado ao trabalhador no plano prático.

O processo de liquidação nacional é praticamente inesgotável, e aqui apenas exemplificamos, pois seguimos assistindo a entrega diária da Amazônia, espaço que compreende a metade do território nacional onde a destruição é livre de controle. Sob tal cenário de devastação já não é inviável que o Brasil venha a perder a soberania de facto articuladamente à divisão nacional em outros dois territórios, entre Sul e Norte. Evitar a fragmentação territorial começa a ocupar a posição de objetivo nacionalista urgente. Os indígenas estão sendo devastados. O processo de destruição segue com o objetivo prático de estrangular e arruinar a ciência nacional através do esmagamento das universidades, institutos federais e o conjunto do ensino público que também serve como importante correia para promover a ascensão social e a distribuição de oportunidades para todos(as). O atual Governo militar já entregou 1.25 trilhão de reais para os bancos em plena pandemia no intervalo de 3 dias a partir de seu reconhecimento, enquanto argumenta (falsamente) não dispor de recursos para entregar a  população empobrecida e em situação de fome. O processo de destruição do SUS continua, sem cessar, pois interessa ao setor privado ampliar a clientela de planos de saúde.

O Brasil assiste impassível ao extremo risco de vida a que, pelo menos, um milhão de indivíduos, dada a resultante da pandemia conjugada com a aberta e declarada opção do Governo em não prestar socorro à população. Esclareçamos a dimensão da tragédia. Durante a guerra do Vietnã os Estados Unidos perderam muito menos vidas, aliás, muitas guerras, mundo afora, impuseram menos perdas humanas do que o Governo de Bolsonaro em tempos de Covid-19. A pergunta que resta: até quando os militares continuarão dando apoio ao extermínio da população brasileira? O caso é que os militares não estão apenas cientes de todos os horrores produzidos até aqui, em público como nas reuniões privadas. Do que se trata é de que não está devidamente apresentado e disseminado entre a população que os militares são o núcleo duro deste Governo. A segunda e importante questão é sobre o que farão os militares no momento da deposição de Bolsonaro. Neste momento será imperativo que os militares admitam a sua posição de responsabilidade, que hoje permanece oculta à grande parte da população brasileira, e que assumam a importância de voltar, uma vez mais, à caserna, passando a desempenhar as funções precípuas das Forças Armadas, que não são políticas

.É preciso ter claro que, hoje, Bolsonaro não cai tão somente porque o Governo JÁ É DOS militares e estes não apresentam disposição para abandonar as suas posições de comando. A queda de Bolsonaro, por si só, não implicará a reversão deste processo de extermínio do povo brasileiro. O que se faz necessário é que os militares sejam persuadidos através de forte pressão política a abandonar o poder (não o farão sem isto), voltando a apoiar o ressurgimento da democracia, vale dizer, que as urnas devem decidir os rumos do país. Que as urnas voltem a imperar é decisivo que os militares desistam de tutelar o sistema democrático, e desistam, portanto, de impor veto ideológico à participação da esquerda ou de determinados líderes, como foi o caso de Lula nas eleições de 2018.

Mesmo que orientados por forte pressão política é preciso que os militares assumam clara e resolutamente uma posição de desentranhar-se da vida política e, por conseguinte, dos milhares de cargos que ocupam em todas as esferas do Governo Federal. A chave para a retomada da estabilidade e da democracia passa, inexoravelmente, pelo regresso dos militares à caserna, e isto é o que produzirá, de imediato, a queda de Bolsonaro do poder, mas o que colocará as condições de possibilidade para a restauração democrática é a convocação de eleições gerais.

* Professor universitário. Doutor em Filosofia do Direito (UFPR). Mestre em Filosofia (Universidade Federal do Ceará / UFC). Especialista em Direito Constitucional e Ciência Política (Centro de Estudios Políticos y Constitucionales / Madrid). Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Direito (UnB) (2016-2019). Pós-Doutor em Filosofia do Direito e Teoria do Estado (UNIVEM). Colunista do Cartas Proféticas.

Acesse também e compartilhe:

– Chimarrão Profético com o Prof. Dr. Roberto Bueno: “Coronabolsonaro exterminam o povo brasileiro”.

– Chimarrão Profético: “Como seria uma ditadura militar, quais seus males e como barrá-la?

– Noite profética: “Como enxergamos na maior noite humana crônica e assustadora?”

– Paulo Guedes: os brasileiros são 200 milhões de trouxas.

– Brasília tomada por cachorrada envenenada, que late medrosa da alvorada!

Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Um comentário

  1. Há muita angústia com a presença dos militares no desgoverno miliciano Bolsonaro. A atuação deles representa traição à pátria e conivência com os piores crimes lesa pátria e até humanidade. Por isso vale à pena ler este artigo do Doutor Roberto Bueno. Ajude-nos a compartilhá-lo com todos os contatos e grupos. Solidarize-se como o Cartas Proféticas compartilhando somente esta chamada e o link desta postagem. Por gentileza, ative o notificações para receber as novidades do blog. FIQUE EM CASA E SE PREPARE PARA A GRANDE LUTA NO PÓS PANDEMIA: http://cartasprofeticas.org/os-militares-devem-voltar-a-caserna/

Deixe um Comentário

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.