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Os neopentecostais – ditos evangélicos – são usados pelo que há de pior contra o povo brasileiro

Por Dom Orvandil. 

A teóloga metodista Magali do Nascimento Cunha faz, num primeiro artigo para o blog Outras Palavras, uma rápida mas densa análise histórica do movimento pentecostal e neopentecostal no Brasil.

Aparentemente é confuso o jogo de conceitos entorno das palavras “evangélicos”, “pentecostais”e “protestantes”.

O protestantismo, em suas várias formas e fontes, nasceu com o advento do capitalismo modero e como seu reforço. Porém, do ponto de vista intelectual e do conhecimento da complexidade teológica e bíblica, que alicerçou rupturas com o catolicismo romano,  não se compara com a superficialidade fundamentalista subjetivista dos pentecostais e, acentuadamente,  dos neopentecostais.

Hoje os discursos cochem e  do prostituído Reik, com apelos emocionais e curandeiros,  sacodem mais e impressionam do que a seriedade na lida com os textos sagrados.

O resultado é uma onda de “crentes” carnavalescos espirituais, sem a menor profundidade em nada, guiados por chavões do tipo “Deus no comando”, “Deus é fiel” e outras inconseqüências espumosas, que servem para despertar neles a vontade de dar dízimos para os coronéis donos de rebanhos nas igrejas,

É bom nos lembrarmos de que todos os cristianismos que aportaram em nosso país nos foram impostos, primeiro pelos colonizadores, que impuseram uma “religiosidade” européia que arrasou com os indígenas, conivente com a barbárie da escravatura e “abençoou” o roubo de nossas riquezas para a Europa. Depois vieram os protestantes europeus e estadunidenses com o objetivo de usar os evangélicos como ponta de lança no meio do povo, principalmente tentando seduzir a falsa classe média com escolas e faculdades particulares.

Mais tarde alguns desses ditos evangélicos se converteram em pentecostais e seu alvo de capura foram os pobres expulsos de suas terras nas zonas rurais.

Desagregados, em caos familiar e social encontraram nos pastores os novos chefes e pais para os orientarem. Os donos de igrejas e missionários se aproveitaram da situação para manipular,  contando com obras sociais, muitas criadas com “donativos” da Aliança para o Progresso, entidade imperialista americana, que recolhia roupas velhas, sujas e alimentos entre paróquias e empresas nos Estados Unidos para acalmar os ânimos dos pobres, que já ouviam noticiais sobre as revoluções soviética, chinesa, coreana e cubana.

Posteriormente setores dessas igrejas, abandonando completamente qualquer seriedade com as reformas protestantes e evangélicas, mesmo sem uma hermenêutica contextual brasileira, entregaram-se por inteiro ao serviço lodoso do imperialismo. Muitos de seus chefes foram comprados por grupos estadunidenses com o objetivo de manipular completamente os trabalhadores, esvaziando-lhes da consciência de resistência e de luta.

Daí o nascimento de tribunos sem conteúdo, pastores e “bispos” cantores e teatrais se juntaram a movimentos partidários de direita, recebendo muito dinheiro dos donos do mercado.

Não é por nada que nasceram “templos” luxuosos e encantadores para os pobres, que nunca viram algo tão vetusto – verdadeiros shoppings – como se vertessem do chão, como é o caso do simulacro de templo de Salomão em São Paulo, uma obra farónica para enganar os incautos, onde tudo se paga, inclusive o ar respirado, literalmente.

Essa pastorada dos diabos passou a se eleger deputados, senadores, prefeitos, desembargadores, juízes, capelães militares e outros postos chaves, sempre prontos ao serviço sujo, injusto e tingido do sangue dos pobres.

No entanto, o fator esvaziante desse pandemônio está do outro lado do espectro político, no desmonte da classe trabalhadora.

Os trabalhadores fizeram história neste país. Foi essa classe que empurrou Getúlio Vargas ao campo nacional e democrático, libertando-o das mazelas miseráveis do nazifascismo. Getúlio namorou Mussolini e Hitler. Os trabalhadores se responsabilizram pela criação da CLT, das estatais de porte no país, do MEC, da ducação pública de altíssima qualidade, dos institutos previdenciários etc. Isso sempre desagradou a direita fascista, o mercado e as igrejas, que se negaram até a fazer a encomendação do cadáver do presidente suicida.

Depois, mais tarde apareceram João Goulart, depois Lula e Dilma, tentando minimamente proteger os interesses econômicos da classe trabalhadora.

Antes, em 1964, a classe trabalhadora sofreu fragorosa derrota. Porém, novamente os trabalhadores ajudram a derrubar a ditadura capitalista, bandida e sanguinária.

Depois da Constituinte apareceram muitos sindicatos e centrais sindicais. Muitos formados por pelegos e oportunistas, que fizeram das organizações bicos rendosos, máfias de uma aristocracia traidora da própria classe, desamparando os trabalhadores, deixando-os à deriva. Muitas lideranças foram inçadas a postos de governo e nos parlamentos, deixando a descoberto seus próprios companheiros.

Esse vazio foi atroz para a ocupação pelos lobos vorazes enviados pelo imperialismo e pelo mercado, os verdadeiros deuses no comando dessas igrejas sem Jesus e sem luta.

A tal porcaria chamada teologia da prosperidade não passa de um punhado de bobagens que forma o discurso sedutor das serpentes venenosas,  oferecendo “bênçãos” em troca do dinheiro suado que roubam com chantagens e curandeirismos, mas retiram dos trabalhadores a alma de classe que a condição real e histórica neles construiu, como o maior tesouro libertador.

Os neopentecostais são ladrões e salteadores. O julgamento deles pelo o próximo regime,  que substituirá e superará a ideologia do mercado e capitalista, esta coisa satânica que os inspira, os julgará e punirá severamente.

Quem viver, verá!

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Um comentário

  1. Teóloga estuda o fenômeno neopentecostal. Aqui a denúncia dos crimes históricos do cristianismo imposto pela colonização e pelo mercado. Acesse o link do Cartas Proféticas e compartilhe: http://cartasprofeticas.org/os-neopentecostais-ditos-evangelicos-sao-usados-pelo-que-ha-de-pior-contra-o-povo-brasileiro/

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