mangueira_desfile-2019

Padre quebra o paradigma da idiotice ululante para pensar Jesus sorridente sambando na Mangueira

Ao ouvirmos programas de rádios com padres e pastores expulsando rabudos, “supersticizando”  copos com água; ao assistirmos programas ditos religiosos exercendo o papel de imbecilizar o povo, no afã de lhes roubar as resistências, jogando a busca de soluções econômicas e políticas para as orações picaretas dos animadores de espetáculos organizados tecnicamente para “encantar” os incautos,  enquanto lhes são apresentadas as contas bancárias onde devem depositar o dinheiro suado em nome de textos bíblicos arrancados dos contextos com a mentira de que é  “sustentar a obra de Deus”, na verdade muita grana para manter os luxos das viagens em aviões particulares, hospedagens em hotéis de luxo, compra de aparelhos de telefones celulares top e de automóveis do ano para os mentirosos que se apresentam como  padres, pastores e bispos, verdadeiros lobos ferozes vestidos de ovelhas etc.

Quando vemos tantos religiosos mentindo,  semeando o ódio fundamentalista e fascista,  que desembocam no Palácio do Planalto a cavalo de gigantesca ignorância e afronta a tudo o que é bom, tentando matar  a inteligência e a educação nacionais, ler o texto abaixo do Padre Gegê é emocionante pela quebra de paradigma e pela esperança marcada de chamego e de carícia.

Ao lermos a biografia de Geraldo José Natalino, o padre Gegê, logo se percebe a razão da seriedade do esforço para o diálogo cultural que o anima.

Membro do grupo Fé e Política o pe. José é Psicólogo(PUC-RJ) com Pós-graduação em psicologia junguiana, Mestre em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-RJ e Doutor em Ciência da Religião pela PUC/SP se destaca pelo mergulho na cultura, graças à metodologia dos arquétipos de Yung, buscando no inconsciente coletivo a alma que se revela em nosso povo,  que conta suas diferentes histórias.

Distante da imbecilidade dos mentirosos superficiais,  que se agarram nos púlpitos feitos de ignorâncias e arrogâncias dos eleitores da besta que se banhou no Rio Jordão,  desejoso idiota de ser o messias da perdição de um país inteiro, o Padre Gegê é capaz de emocionar com a proposta do poder revolucionário dos oprimidos que insistem em contar suas tradições e raízes prenhes de resistência e da loucura do confronto com a dominação.

Gostoso ler que o padre Gegê, pároco da Paróquia Santa Bernadete (Higienópolis/Manguinhos/RJ), afirma que “nunca vi Jesus na goiabeira, mas, certamente, o vi desfilando sorridente na Mangueira!”

Leia abaixo o belíssimo e rico artigo do Padre Gegê.

Antes acesse, leia e compartilhe: Índio novamente tutelado; 

Chimarrão Profético: “O que a lava jato com Moro e Dallangnol deram ao Brasil?”

Acabou a fase do bom “mocismo”: não aconteceu eleição, não temos presidente, foi tudo farsa!

Ex militantes da APML escancaram quem é terrorista e assassino ao responderem aos delírios do miliciano Jair Bolsonaro;

Enquanto Bolsonaro tiraniza a memória de um herói, Lula se solidariza com o filho que tem o pai mais uma vez assassinado;

O nojo de Míriam Leitão por Jair Bolsonaro;

Anápolis, a cidade que mais cresce no Brasil;  

Cidadania: “Com Prof. Adelmar Santos de Araújo: educação pública”..

O samba da Mangueira e o perigo da história única de Chimamanda Ngozi

Dentre os belos sambas deste ano, destaco de modo muito singular o samba-enredo da Estação Primeira.

Por Padre Gegê

Para além dos binarismos de oposição do tipo “esquerda x direita”, a Mangueira oferece um caminho de revolução histórica a partir do legado africano ancestral que, necessariamente, implica na oralidade; logo, no saber/poder de “contar”. E contar é fazer memória; contar é não esquecer; contar é disputar narrativas; contar é transgressão; contar é assumir protagonismos! Nesse horizonte, a Mangueira oferece uma ferramenta potente na ordem da resistência e do enfrentamento porque “no som do seu tamborim e no rufar do seu tambor” ensina que a história do negro tem que ser contada pelos negros, a história dos indígenas pelos indígenas, das mulheres pelas mulheres, etc.

Contar a própria história é um ato político por excelência. Nesse sentido, a Mangueira dialoga com a escritora nigeriana Chimamanda Ngozi que fala do “Perigo de uma história única”. Diz a escritora: “É impossível falar de uma única história sem falar sobre poder”. Não permitir que o outro conte sua própria história é destruir o outro enquanto sujeito. Chimamanda termina assim sua fala: “Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma história sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso”. Acredito que o samba da Mangueira propõe exatamente isto: reconquistar “um tipo de paraíso”. E esse paraíso passa pela memória feita pelos seus protagonistas. E não há história neutra. Marielle, por exemplo, lida por um lugar de poder é considerada defensora de bandidos, mas por outro lugar de poder é considerada defensora dos direitos humanos; Lula da mesma forma tanto pode ser lido como bandido preso quanto preso político. A libertação da escravatura, na mesma perspectiva, pode ser lida como fruto da bondade da princesa branca ou como processo de luta da população negra. A Mangueira, então, provoca perguntas seríssimas para a atualidade: de que lugar de poder você lê a história? A história que você ouve e conta é a versão do caçador ou a versão do leão. A propósito, adverte um provérbio africano: “Até que os leões inventem as suas próprias histórias, os caçadores serão sempre os heróis das narrativas de caça”.

Parabéns e obrigado, Estação Primeira de Mangueira. Só o Samba poderia com afroternura chamar um Brasil tão regredido em suas potencialidades civilizatórias de “meu nego” e “ meu dengo”. E desse jeito carinhoso e familiar o samba o chama a rever sua história a partir dos que o sistema de poder quer ocultar e silenciar. A mangueira insiste: “Brasil, chegou a vez de ouvir as Marias, Mahis, Marielles, Malês”. É isso é revolucionário… O samba tem dessas coisas… O samba tem muito a ensinar, inclusive, à esquerda.

O samba tem uma afropotência extraordinária de, muitas vezes, falar de revolução sem falar de revolução!!!

Contemos, pois, nossas histórias; resgatemos nossos heróis e heroínas, reconquistemos nossos paraísos, assumamos, de fato, coletivamente, o nosso Brasil com nome de Dandara e rosto de Cariri.

E que possamos, assumindo nossos compromissos históricos, com alegria democrática de um carnaval sem fim, poder chamar todos os dias esse Brasil pluriversal de “meu nego” e “meu dengo”. O Brasil, como disse Caetano Veloso no contexto do assassinato de Moa do Katendê, “não pode ser reduzido a essa coisa bárbara”.

Sob as lentes da ancestralidade africana, não se faz política tampouco revolução sem cafuné, sem dengo e sem chamego. E o Brasil carece de cheiro no cangote!

Mais uma vez, parabéns Mangueira!

Como uma Preta-Velha, a Estação Primeira de Mangueira bota o Brasil no colo, o chama de “dengo” e o ajuda a ouvir “histórias que os livros não contam”.

Da minha parte, nunca vi Jesus na goiabeira, mas, certamente, o vi desfilando sorridente na Mangueira!


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