Papa dos pobres

Padres católicos romanos criticam ‘inércia pastoral’ e querem igreja engajada em lutas sociais

Padres de São Paulo acreditam que o papa Francisco aponta o caminho para a Igreja estar novamente ao lado dos pobres

Leitores e estudiosos da teologia da libertação, alvo do ódio destruidor do imperialismo americano, que a perseguiu em toda a América Latina com propinas e dólares pesados despejados na criação de igrejas evangélicas e do movimento carismático católico,  sob a inspiração do Papa Francisco, paróquias da zona leste de São Paulo animam participação popular em temas como moradia, educação e mobilidade.

Cansados com o clericalismo, com o sacramentalismo conservador,  supersticioso alienante e com o liturgismo centrado nos altares, a que se reduziram as paróquias católicas romanas em várias partes do país – aqui em Goiás com o arcebispado aliado do govenador neoliberal encachoeirado de direita – seis padres da diocese de São Miguel Paulista, zona leste da cidade de São Paulo, iniciaram, em 2010, um movimento para sacudir os colegas de batina. Nascia assim o coletivo Igreja – Povo de Deus – em Movimento. O objetivo é reavivar o compromisso das paróquias da região, como em Itaquera, São Mateus, Ermelino Matarazzo e Guaianases, com o engajamento nos movimentos por transformação social, inserindo em suas rotinas religiosas a luta por educação, moradia e trabalho”, narra Luciano Velleda, da RBA.

“O movimento ganhou mais força a partir de 2013, com a eleição do papa Francisco e sua postura progressista diante do conservadorismo da Igreja Católica. “O coletivo continua sendo a chave para saídas possíveis diante da longa noite que atravessamos. Nesta caminhada, portanto, com lampião aceso, dizemos que outra Igreja é urgente e necessária para construir o compromisso com os mais pobres”, afirma a cartilha de formação Por Uma Igreja em Saída e para o Povo”, continua Luciano.

Os padres Ticão Marchioni, Dimas Carvalho, Devair Poletto, Cyzo Lima, Émerson Andrade e Paulo Bezerra são os homens à frente da Igreja – Povo de Deus – em Movimento (IPDM), que retoma na zona leste de São Paulo a tradição iniciada nos anos de 1980 com a Teologia da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).”

“Quase submersos em uma crise planetária econômico-socioambiental, cultural e religiosa, o IPDM, no entanto, provoca a inércia pastoral, a indiferença social, o cinismo e a ditadura político-econômica midiática, e o descaso pela casa comum, para enfrentar a crise não como limite, mas como profecia de transformação”, explica outro trecho da cartilha, afirmando que a provocação maior, todavia, deve ser feita na retomada do trabalho de base, nas comunidades, paróquias e coletivos para que priorizem “o estudo e as reflexões sobre as questões candentes da conjuntura da Igreja e da sociedade”.

“Segundo Eduardo Brasileiro, professor de sociologia e coordenador pastor da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Itaquera, a expressão “igreja em saída” quer justamente incentivar a postura de uma igreja que saí das paredes seguras do templo e encara as lutas sociais da atualidade. “É um desafio colocar a igreja em movimento, é uma dificuldade sair desse modelo voltado para dentro e conseguir ir para a rua. Com a eleição do papa Francisco se ganhou mais força para dizer que a igreja deve estar perto dos pobres, lutando contra a desigualdade social”, afirmou.

Política e religião

Numa conjuntura de ataques violentos por parte da direita instalada indevida e autoritariamente nos aparelhos de Estado, como no governo, no parlamento, no judiciário  e na mídia, no esforço para esvaziar o ímpeto político libertador, com pessoas afirmando imoral e alienantemente que política e religião não se misturam, como se isso fosse possível, é esperançoso o que ocorre  na diocese Dão Miguel com “o povo de Deus em movimento”.

“A cartilha de formação  Por Uma Igreja em Saída e para o Povo inclui artigo da urbanista Ermínia Maricato, professora aposentada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), e ex-secretária-executiva do Ministério das Cidades (2003- 2005). Traz ainda um tópico intitulado “Discutindo Tabus”, sobre participação política num contexto de corrupção, e a relação entre espiritualidade e os desafios políticos e econômicos da atualidade.

“Um velho e santo bispo, dom Hélder Câmara, já nos dizia: não fazer política é o melhor jeito de ser dominado pela política dos outros. A política é o único caminho para as mudanças do país. Sem a participação da política, as mudanças não acontecem”, diz o padre Ticão Marchioni. “São milhares as formas de se fazer política para melhorar o nosso país. A mais descreditada atualmente é o político de partido, onde você encontra um lamaçal de corrupção, arrogância, desprezo com a miséria brasileira. Repito: eles estão lá porque nós estamos aqui, calados, tímidos e imóveis. É hora de nos unirmos aos movimentos sociais que lutam por mais direitos aos mais pobres.”

“Para padre Ticão, é necessário ocupar os partidos, analisar quais deles buscam a igualdade social, a taxação dos mais ricos, a distribuição de riquezas, a criação de empregos (com direitos) nas periferias, educação e saúde integrais.”

“A cartilha tem o objetivo de trabalhar na base, mostrar como os cristãos podem se inserir nas lutas por moradia, educação, mobilidade urbana, entre outras”, diz Eduardo Brasileiro, que espera bom público para o lançamento da publicação, seguido de debate”, conclui Luciano Velleda.

Com informações da Rede Brasil Atual.

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