comam macarrão

Pois que comam macarrão, ora pois!

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 Edergênio Negreiros Vieira*

Enquanto o preço do arroz dispara, e apresenta a carestia à milhões de brasileiros, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Sanzovo Neto, após se reunir com o inquilino do Palácio do Planalto, declarou semana passada, que “Vamos promover o consumo de massa, macarrão, que é o substituto do arroz. E vamos orientar o consumidor que não estoque (arroz)” … Para o senhor João Neto a questão é simples: “Se não tem pão, que comam brioches, ora pois.” É provável que essa frase não tenha sido enunciada, por Maria Antonieta, como muitos acreditaram durante anos. Apenas para registro histórico, é possível que Rousseau tenham colocado a frase na boca da monarca. No livro Confissões o filósofo declara “Recordo-me de uma grande princesa a quem se dizia que os camponeses não tinham pão, e que respondeu: “Pois que comam brioche.”

Deixando de lado as contendas históricas, o certo é que a frase virou símbolo da insensibilidade da elite monárquica e cabeças rolaram na Revolução Francesa. Se não temos certeza da autoria da frase “Pois que comam brioches”, não é desconhecida a autoria da enunciação “Se não tem arroz, que comam macarrão, ora pois.” A oração pertencente ao representante do setor varejista da burguesia de Pindorama. Por trás da frase “que comam macarrão, ora pois.”, está o falacioso discurso de que “o mercado irá regular o preço.” A mentira contada mais de mil vez, e que ainda sim, não se transformou em verdade, encobre a perversidade do sistema de produção social capitalista. Afinal que o povo passe fome, mas o lucro vem em primeiro lugar. É dispensável dizer a importância do cereal arroz na vida da maioria da população brasileira. O arroz é o básico, não é uma carne que nós escolhemos o dia em que vamos comer ou não. Arroz e feijão é o primacial na mesa do brasileiro. Mas para o governo Bolsonaro e a entidade sobrenatural “mercado”, isso não tem importância.

Enquanto o deus mercado e o seu boneco de fantoche, dizem que auto regulação é o caminho, o governo tira o seu da reta. E nesse ínterim, a classe média hipócrita compra a ideia, e os meios de comunicação da grande mídia passam a ensinar como substituir o arroz, pela batata, pelo macarrão, tudo num grande acordo nacional, e eu peço licença ao dramaturgo alemão Bertold Brech, para terminar essa crônica acrescentando duas palavras num dos seus poemas mais famosos: O analfabeto político “Ele/a não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, “do arroz”, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.”

*É professor. 

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