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Por que devo abrir minha família?

Filósofo 68.

Vivemos um tempo quando nossa família, nossa maior família estão subjugadas ao seu maior inimigo – o seu fechamento, a sua individualização sob o signo da fraticida disputa e concorrência por mais meritocracia. 

Um tempo de incertezas, porque é um tempo de mudanças. E no seu individualismo, na filosofia do “cada um por si e Deus para todos”, ou o “sempre meu pirão primeiro” fechados no espaço de cada família tem resultado em comportamento ante social, porque ante civilizatório. 

Esse tempo de mudanças, e sua busca de liberdade, tem sido confundido com o seu contrário – a família fechada na microbolha de seu individualismo, ou na bolha de grupos familiares fechados em si mesmo. E, por isso, contraditoriamente, se transforma na sua auto destruição como “família civilizatória” na desconstrução da libertação da FAMILIA – das gentes – povo que parecem ameaçar sua segurança e desenvolvimento nessas bolhas. É um caminho desastroso, porque ante natural, é contra a vida e sua sustentabilidade evolutiva. E essa negação provoca um descolamento da família individualista (e suas microbolhas e bolhas de grupos) do tecido social, da Família Maior, como feridas cancerígenas sobre um tecido social em processo de desagregação e degradação. 

Os mantras da meritocracia nos seus ditos populares, cada vez mais ante sociais, são apresentados como a ideologia dos poucos para o domínio da maioria. Uma triste e cruel fantasia dessa ideologia de dominação que vende o individualismo como uma mercadoria a ser consumida, ainda que sabido como um produto de violência, descriminação e preconceitos obscurantistas disfarçados por uma embalagem de “segurança familiar”. “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos” é sua marca comercial vendida pela indústria da violência que compra e vende a indústria da segurança. 

Sua agressividade consumista é tal que propõe, na sua bolha individualista, a “educação” de seus filhos – as crianças – parte inseparável da Família Maior – fora desse tecido social, para uma “educação familiar” excludente. É vendida como “protegida” pela “capacidade e mérito” da bolha familiar que quer construir já apoiada por investidores oportunistas da “moral e dos bons costumes” na desconstrução da libertação da Família Maior. Essa marcha ante civilizatória é contra a evolução para uma sociedade igualitária e plural. E é a marcha dos ante Cristo, porque em seu nome, prega e doutrina o fechamento das famílias, contrariando a natureza humana ambiental, onde seus indivíduos são inter dependentes, porque são partes inseparáveis da Família Maior, Humana e Natural na sua imensa diversidade em evolução. 

Finalmente, só a abertura da família pode reverter sua auto destruição. A hereditariedade genética e a herança de bens materiais acumulados na microbolha familiar, traz consigo o vírus da sua auto destruição, disfarçado como uma “superioridade por mérito” em negação da contribuição social oriunda da Família Maior – da Sociedade onde esse patrimônio espólio hereditário se construiu. 

A melhor herança que podemos deixar aos nossos filhos e filhas – nossas crianças – é a abertura de nossa família menor para fora de sua microbolha em favor da sua libertação, no seio da Família Maior, onde, e tão somente, poderá ser uma herança sustentável, porque voltada para a fraternidade e igualdade da Família Brasileira de hoje e amanhã. 

Primavera do ano de 2019 – Rio de Janeiro – RJ.

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