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Por que existem nazi-fascistas, a que e quem serve um BosoNAZI?

Marcia Tigani*

Por que existem nazi-fascistas? Por que houve um Hitler que arrastou multidões e matou milhares?Por que  aceitam um Trump, caricatural e fascista?De onde surgiu e a que e a quem serve um BolsoNAZI?

Não há uma resposta única que contemple a  todas essas questões. Mas, podemos compreender em que momento histórico, social e político esses líderes fascistas emergem, ganham corpo e se mantém, numa retroalimentação que os sustenta por muito tempo.

Na Alemanha nazista o pano de fundo onde surge  um Hitler tem muitas diferenças político- sociais e tambem enormes semelhanças ao Brasil de 2018.

O candidato fascista brasileiro que defende a pena de morte, a castração  de mulheres, o estupro, o assassinato de ” petralhas”, o porte de armas e o ódio  aos gays, não aparece do nada e não desaparecerá por decreto.

A estratificação da sociedade em classes, com a emergência  nos governos Lula/Dilma de indivíduos pobres  à classe média sem a necessária educação desta população para defender o governo que os tirou da miséria, o desconhecimento de história, o nacionalismo não embasado em conhecimento  sobre a  formação histórica do brasileiro, o analfabetismo funcional pela decadência do ensino, o ódio de classes, a religiosidade fundamentalista associada à interpretação bíblica tendenciosa,  relegando a mulher à submissão masculina e o analfabetismo político são alguns dos fatores predisponentes ao surgimento de um BolsoNAZI como candidato à presidência, mesmo tendo ele ficado 27 anos como deputado federal sem ter aprovado qualquer projeto social.

O ídolo dos fascistas é a expressão dessa minoria que defende  o ” olho por olho, dente por dente” sem compreender as raízes  históricas  da formação do povo brasileiro , onde   apenas 1% na pirâmide social é considerado rico e onde desigualdades sociais profundas  vêm junto à  idéia da MERITOCRACIA, a qual sustenta a  própria ideologia da desigualdade.

Para completar o panorama sombrio de uma parte da população que  busca a idealização de um MITO, espécie de super- herói ou deus, capaz de combater o ” mal” através da força, há o desencanto pela política em si. E  a idéia de política nestes grupos é a idéia vertical, onde quem manda está no topo e quem obedece está abaixo e fagocita  ou é   alimentado pelo arquétipo do herói ou da grande mãe no poder. A manipulação midiática certeira que conduz estes grupos a buscar a idéia de  soluções simples para problemas complexos, centenários e da constituição do povo brasileiro  é também  o mote de campanha. O  sentimento que impera nos potenciais eleitores do candidato nazista, é o pensamento mágico, primitivo até, de que a força do herói através de uma moralidade extremista( e duvidosa), irá combater o mal e ” fazer o bem”.É um sentimento maniqueísta, que pretende dar ” cabo” aos problemas sociais graves através do uso da força, das forças que silenciam o contraditório e conduzem  à unidade do pensamento , sem levar em consideração a  dialética aí  envolvida  e ao  cerceamento à liberdade de pensar, à liberdade de discordar,  à existencia de diferenças interpessoais  que necessitam de tolerância.

Como todo pensamento totalitário, não há lugar para o ” diferente”, o qual ou terá que se diluir e moldar- se à  norma, ou deixar de existir. Surge aí a intolerância aos pretos, gays, mulheres, índios, estrangeiros e esquerdistas.

Busca-se assim a ” normatização” de condutas, a uniformização de idéias e ações e a submissão à um pensamento único e sem o contraditório. É a ” militarização” do povo, embutida aí a idéia simplista do controle da corrupção,  sem a mudança institucional e da lógica dominante: “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, lema muito repetido  nas fileiras militares, é também lema dos potenciais eleitores do candidato fascista.

É o mais do menos: uns poucos determinando os passos de muitos, idéia que se  contrapõe  à noção de democracia.

No cenário estreito e sombrio do pensamento truculento e fascista é fácil supor  que o ódio seja  força motriz que move  o eleitor da aberração cognitiva chamada Bolsonaro e não me causa espanto que este mesmo líder autocrático seja agora vítima do mal que defende: se bandido bom é bandido morto, está aí a senha para um  futuro possível  deste líder descabeçado e inconsequente, fruto de uma sociedade doente e que nunca teve de fato   uma  identidade de povo e de  nação.

É médica, especialista em psiquiatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e pela Associação Brasileira de Psiquiatria, pós graduada em saúde mental e coletiva pela Universidade de Taubaté(SP), participou da implantação de novos equipamentos em saúde mental na gestão municipal petista de Ângela Guadagnin. é filiada ao PT desde 2016, escritora e poetisa, sendo seu livro de estréia lançado na bienal internacional do livro de São Paulo : ”Caminhante: Prosas e Rimas ao Vento”, atualmente dedica- se à clínica psiquiátrica em São José dos Campos(SP) e Caçapava e a escrever artigos políticos e poesias publicados em diversos sites da internet. É colunista do Cartas Proféticas.

http://cartasprofeticas.org/colabore/

3 Comentários

  1. Parabéns Dra Márcia!!!!

  2. Obrigada pela leitura,Cleuser!Forte abraço!

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